sábado, 30 de julho de 2016

A minha 1ª entrevista com um jogador estrangeiro foi com o goleiro da Seleção do TAITI!

Bastidores: Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Em muitas situações, isso é verdadeiro. No jornalismo, é bastante frequente. A primeira entrevista quando é universitário. A primeira matéria na faculdade....depois o primeiro estágio e assim sucessivamente.

Profissionalmente a minha primeira entrevista com um atleta não-brasileiro foi com um taitiano! Nunca imaginei que fosse ser com um atleta oriundo de um pequeno arquipélago na Oceania! Por esse motivo que eu nunca esquecerei o Taiti.

Em 2012, a ilha pertencente a Polinésia Francesa de forma surpreendente foi campeã da Copa da Oceania (Copa das Nações da OFC) e se classificou para a Copa das Confederações que foi disputada no Brasil no ano seguinte.


Vi no Facebook uma postagem de um jornalista amigo meu sobre a preparação daquela seleção para o torneio mais importante que iria disputar na sua história e o questionei se tinha contato com alguns jogadores. Ele me passou o do goleiro Mikael Roche. Mandei uma mensagem em inglês (a língua oficial deles é francês, mas não domino o idioma) e fiquei torcendo para dar certo. Foi mais tranquilo do que imaginei! Roche me respondeu horas depois, em inglês, que seria um prazer dar essa entrevista! Agendamos e tudo ocorreu bem!

Ao término do torneio procurei Roche novamente e ele falou sobre a participação do Taiti. Ou seja, a minha primeira e a segunda entrevista com um estrangeiro foi com o arqueiro hoje com 33 anos e ainda atuando no AS Dragon do Taiti.

Durante cinco anos, Roche atuou na França, sendo em uma temporada no time B do Mônaco. Nenhum atleta daquela seleção vive apenas de futebol e o arqueiro é também professor de educação física.


Confira as duas:


Pré-Copa das Confederações:



1) O que representa para você e para o Taiti jogar a Copa das Confederações?

É uma honra muito grande para todos nós atletas estar aqui e poder representar o futebol amador. Nos estamos muito orgulhosos de fazer parte desta fantástica aventura.

2)Acredita que a participação na Copa das Confederações poderá fazer o futebol do Taiti crescer e se desenvolver mais?

Eu espero que sim! Pois a federação do Taiti receberá um bom dinheiro só pela participação na Copa das Confederações  (mais dinheiro do que a média anual) e deverá ser aproveitado para desenvolver e massificar o futebol no Taiti.


Esperamos também que isso dê mais esperança aos treinadores e as crianças para se dedicarem mais e ver que as oportunidades existem e podem ser realizadas.

Dar esperanças para as pessoas é um sentimento maravilhoso.

3) O quão popular é o futebol no Taiti?
As pessoas gostam de futebol e assistem os principais campeonatos do mundo. Futebol aqui é o mais popular em termos de licença (por volta de 10 ou 11 mil jogadores). No entanto, os estádios locais seguem vazios. No Campeonato Taitiano temos em torno de 300 pessoas por jogo apenas.

No Taiti os esportes mais populares são os aquáticos:surf e Va'a ( canoa taitiana).

4) A Copa das Confederações irá passar na TV do Taiti?
Sim. Terá transmissão e todos os nossos amigos e familiares irão assistir.

5) É a sua primeira vez no Brasil? O que tem achado desse período por aqui? Como está a preparação do Taiti para a Copa das Confederações?

Sim, é a minha primeira vez aqui. É impressionante a variedade de cultura, paisagem e pessoas por aqui. Os torcedores são maravilhosos e muito envolvidos com o futebol. A atmosfera é realmente boa. Estamos surpreso com a boa receptividade e o tanto de pessoas que estão torcendo por nós. Mais do que no Taiti! 

No Taiti as pessoas não prestam muita atenção em nós. Aqui no Brasil, sim. Isso é bom, pois nos sentimos valorizados.Nós representamos o futebol amador no mundo e várias situações diferentes que as pessoas estão acostumadas a ouvir e ver sobre jogadores de futebol.

A preparação está sendo muito boa. Estamos em um bom Centro de Treinamento  e tendo a oportunidade de jogar com atletas de alto nível. Isso é mais difícil para nós, devido a nossa localização geográfica.

6)Ontem os atletas do Taiti assistiram no estádio Atlético/MG x Grêmio válido pelo Campeonato Brasileiro. O que achou de uma partida jogada no Brasil?
Foi incrível o quão rápido ocorria a partida. Os jogadores não paravam de se movimentar em campo. Tecnicamente impressionante. Chama atenção que a parte tática não é tão usada no Brasil como em outros lugares. Aqui há coisas que na Europa não fazem. É um futebol empolgante.

7)Que coisas há no Brasil que não tem na Europa?
Os jogadores aqui tem mais espaço para atuar em campo. É mais espetacular no Brasil. Na Europa,mais especificamente na França, as defesas são mais fechadas e com pouco espaço entre as linhas.

8) Falando agora sobre os adversários da primeira fase. Taiti terá pela frente Nigéria, Espanha e Uruguai. Qual será o objetivo de vocês nesses três jogos?
Provar que mesmo sendo amadores, temos coisas boas: bom espírito, bons competidores e um grande coração. O resultado será o que tiver que ser. Sempre dizemos que no futebol tudo é possível e nosso objetivo é deixar uma ótima imagem.

9) Por fim, um dia acreditou que pudesse enfrentar grandes jogadores como Xavi e Iniesta por exemplo?
Nunca imaginei que fosse acontecer. É maravilhoso atuar contra os melhores do mundo. Um sonho de criança!



Pós-Copa das Confederações:

Nesta sexta-feira, o FutNet traz com exclusividade uma entrevista com o goleiro da Seleção do Taiti, Mikael Roche para fazer uma avaliação sobre sua equipe na Copa das Confederações. 

O arqueiro de 30 anos atuou na derrota para a Espanha por 10 a 0. Apesar do revés histórico, Roche se mostrou feliz em poder atuar contra os atuais campeões do mundo e falou sobre o pênalti perdido por Fernando Torres.

1) Qual a sua avaliação sobre a participação do Taiti na Copa das Confederações?
Todos os jogos foram muito bons para nós atletas. Acredito que demos um grande salto para evoluirmos como jogadores e como homens.

2)Houve um rodízio de goleiros no Taiti e os três atuaram, cada um em uma partida. Você foi o titular na derrota para a Espanha por 10 a 0. O que achou de atuar contra a Fúria? Fale sobre o momento em que Fernando Torres errou a cobrança de pênalti e que você comemorou muito!

Jogar contra a Espanha foi épico para mim. Sempre temos vontade de enfrentar os melhores jogadores e este momento foi ótimo para mim. A multidão no estádio estava toda a favor do Taiti, isso foi bem legal. A Espanha foi um time que nos respeitou muito em campo e isso foi muito marcante para nós. Eles fizeram apenas a parte deles, sem querer nos humilhar.

Com relação ao pênalti perdido, isso é um fato sempre marcante para um goleiro quando o cobrador erra a penalidade. O fato se torna ainda mais especial em saber que o atleta foi Fernando Torres, de renome mundial. Eu dediquei esse lance ao meu avô e ao meu filho (este último teve o nome escrito nas luvas de Roche durante o jogo).

3)No final da partida contra o Uruguai, os atletas do Taiti apareceram com bandeiras do Brasil agradecendo o apoio da torcida durante os três jogos. Como e aonde surgiu essa ideia?
Nos quisemos agradecer os brasileiros por todo apoio que nos deram durante a Copa das Confederações. Aquele momento no final do jogo foi uma forma de agradecê-los pelo que fizeram por nós. Foi uma forma de nós demonstrarmos a nossa gratidão por todo o apoio.

4) Por fim, quais os objetivos do Taiti no futuro? Quais as metas que traçam para a equipe?
A nossa próxima meta é ir disputar os Jogos do Pacífico, para chegar à fase ouro e conseguir se classificar à próxima Copa da Oceania. Depois formar um bom time para disputar a eliminatória para a próxima Copa do Mundo. Nós aprendemos muito jogando a Copa das Confederações e isso servirá para montarmos uma equipe mais forte no futuro.

obs: Os Jogos do Pacífico são uma espécie de 'Olimpíadas dos países do sul do Pacífico'. É um evento multi-esportivo que ocorre de 4 em 4 anos e desde 2007 os primeiros colocados ganham vaga para disputar a Eliminatória da Oceania para a Copa do Mundo.

Créditos das fotos: arquivo pessoal de Mikael Roche

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Arquivo! Entrevista com o ex-goleiro André que fala sobre sua carreira e amor pelo Inter


Bastidores: Lembro que o primeiro contato com  André foi por telefone, através da assessoria de imprensa das categorias de base do Inter. Foi em uma sexta-feira e combinamos de fazer a entrevista na segunda-feira seguinte.

Recordo que no dia acertado ele simplesmente não atendia o telefone. Devo ter chamado umas 3 ou 4 vezes e nada. 

Tentei novamente na terça-feira e ele me atendeu. Me pediu desculpas, pois afirmou que tinha ido à praia no final de semana e esqueceu o celular por lá. Alguma pessoa próxima (não me recordo bem, acho que o sogro) devolveu o celular. André ainda comentou em tom de brincadeira: 'Eu vi depois que você tentou me ligar várias vezes. Foi mal mesmo (risos).'

André foi bem simpático e humilde. Me chamou a atenção na  entrevista todo o amor que sentia pelo Inter. Inclusive, quando contrariado foi vendido ao Cruzeiro. Na época qualquer jogador tinha o passe preso ao clube e este que decidia se vendia ou não um futebolista.

Talvez  sem essa saída e lesões graves, André poderia ter tido uma história mais bonita no Colorado, possivelmente igual Marcos no Palmeiras e Rogério Ceni no São Paulo.

Pessoalmente o vi constantemente em 2015, onde trabalhei em alguns jogos de categoria de base em Alvorada/RS (sede dos juniores do Inter). Mas sempre o via em horário de jogos e ocupado. Não tive a oportunidade de falar pessoalmente e nem de ter algum papo.


crédito da foto: site oficial do S.C.Internacional
Confira a matéria publicada no dia 30 de agosto de 2013:
Nesta sexta-feira, o FutNet segue seu especial com ex-jogadores que fizeram história no futebol. 

O momento agora é do ex-goleiro André relembrar sua trajetória por Internacional, Cruzeiro, Juventude e Seleção Brasileira.

Na entrevista ele deixa claro todo seu amor pelo Colorado, clube no qual torcida na infância e o formou como atleta. Atualmente, André está com 41 anos e é técnico do time sub-23 do Inter e que está disputando a Copa Willy Sanvitto.

Por fim, ele ainda comentou sobre a formação de goleiros no Inter, o momento atual de Muriel e o que espera da equipe no Brasileirão.

Confira:

1)Comece falando como iniciou jogando bola e os primeiros clubes que atuou
Jogo futebol desde quando eu era criança. Sou de Venâncio Aires/RS e vivia no interior da cidade mesmo. Jogava bola com os meninos da minha rua e do colégio. Sempre atuei no gol. Inclusive nos times de futsal e handebol da escola. Sempre fui goleiro.

Meu primeiro clube foi o Flor de Maio, que era da minha cidade. Uma equipe amadora e não treinávamos. Só tinha jogos nos finais de semana. Em torno dos 13 anos fui para o Guarani de Venâncio Aires/RS, lá já haviam treino três vezes por semanas e disputávamos campeonatos regionais. Naquela época ainda não existia os estaduais, então eram jogos apenas com equipes de cidades mais próximas.

2)Quando e como foi para o Internacional?
Foi em 1989. Eu estava jogando uma partida de um campeonato adulto de futebol e o Abílio dos Reis foi ver um atleta do time adversário. Só que ele gostou da minha atuação e me convidou para ir ao Inter. 

Inicialmente eu ia três vezes a Porto Alegre treinar(V.Aires fica em torno de 135km de POA) e partir de 1990 eu fui morar na capital gaúcha.

Obs: Abílio dos Reis é tido como um dos maiores olheiros da história do Internacional. Em seu 'currículo' consta o descobrimento de jogadores como Dunga, Taffarel, Capergiani , Paulo Roberto Falcão, dentre outros.

3)Lembra quando subiu ao time profissional e quando virou titular?
Eu subi em 1992. Naquela época o treinador era o Antônio Lopes. No entanto, havia quatro goleiros no time de cima (Gato Fernandez, Maizena, Ademir Maria e César Silva) e eu nem joguei. Com o passar do tempo fui ganhando espaço e em 1994 fui o reserva imediato do Sérgio e em 1995 do argentino Goycochea. No entanto, o Goycochea estava tendo atuações irregulares e em 1996 o Inter não renovou o contrato com ele e eu acabei promovido ao time titular. Naqueles tempos, se diziam que um bom time tinha que ter um goleiro experiente de titular. Era mais difícil para um jovem conseguir ser o camisa 1. A minha chance veio na estreia do Inter naquele Brasileirão diante do Palmeiras, no Parque Antártica. O jogo foi 0 a 0. Eu me lembro que era aquela timaço do Palmeiras que era destaque no Brasil, até então. Lembro que toda hora eles estavam no ataque. Não dava nem para 'respirar' direito. Nosso time do Inter era jovem e com muitos garotos sendo promovido aos titulares.

No final daquele Brasileirão fizemos uma boa campanha, perto do que tinha acontecido com o Inter nos anos anteriores.

Obs: O Internacional acabou em 9º lugar daquele Campeonato Brasileiro. Os oito primeiros avançavam às quartas de final.

4)Você ainda atuou numa época que o Grêmio estava por cima. Como foi para um jogador do Inter atuar naqueles tempos de glórias do maior rival?
A pressão era grande. Mas nada de anormal para quem está no futebol. No esporte, uma hora está por cima, outra por baixo e tem que saber lidar com isso. Havia cobrança de melhoras, sim. Mas quem não aguenta cobrança ou não se cobra, não pode viver no futebol.

5)Chegou a atuar na Seleção Brasileira em um amistoso contra a Iugoslávia. Se recorda bem desse jogo? Quais outras convocações teve na carreira?
Eu lembro daquele jogo. Terminou 0 a 0. Foi um jogo de poucas emoções. Ainda fui convocado mais duas vezes, mas não atuei. Uma em dois amistosos contra Japão e Coreia do Sul e teve uma outra que era o centenário do Barcelona, onde me machuquei e fui cortado.

6)Em 1999 você saiu do Inter e foi para o Cruzeiro. Por quê saiu do clube gaúcho e como foi essa transferência?
Para mim foi muito difícil. O Inter era o time que eu torcia na infância e depois passei 10 anos atuando lá. Não foi fácil sair. Mas o Internacional passava por dificuldades financeiras e precisou me vender. A política no clube naquela época era essa. Vendia seus melhores atletas para fazer caixa e melhorar o lado financeiro da equipe. Lembrando que naquela época o jogador não tinha passe livre. Era uma mercadoria dos times e eles que decidiam se vendiam, renovavam contrato ou qualquer outra coisa. Aliado a isso, tinha a Lei Pelé que estava recém sendo implantada no Brasil. Muitos clubes não sabiam como agir. Então vendiam seus jogadores para ganhar dinheiro.

7)Como foi sua chegada em Belo Horizonte?
Foi com muita pressão. Cheguei para substituir o Dida que era ídolo da torcida. Outros goleiros já tinham passado pelo clube e não se deram bem. A responsabilidade era grande. Havia uma lacuna preenchida.

O que tinham que entender é que cada um é cada um e ninguém substitui ninguém. No começo fui bem e conquistado meu espaço no time e na torcida.

Na primeira fase do Brasileirão de 1999 terminamos em segundo lugar e enfrentamos na segunda fase o Atlético/MG. O Cruzeiro tinha uma jogada de impedimento que vinha dando certo até então. Só que no duelo contra o Galo, eu sai errado em uma jogada, e um outro atleta também e acabou não dando impedimento e o Atlético fez o gol. Fiquei marcado por aquele lance e pela eliminação no Brasileiro. Mas depois na Copa do Brasil de 2000 fomos campeões e eu dei a volta por cima, sendo mais respeitado.

8)Você ainda sofreu duas lesões quando estava no clube mineiro...
Sim, a primeira no final do Brasileiro de 2000 em um jogo contra o São Paulo no Morumbi. Fiquei seis meses fora. Depois em 2001, outra lesão atuando contra o Santos, na Vila Belmiro, onde fiquei quase dois anos fora. Ambas lesões foram rupturas nos ligamentos cruzados de joelho. Os dois lesionaram, um em cada jogo citado.

9) Acreditou que teria que interromper a carreira?
Eu não, mas muitos achavam isso. Inclusive pessoas dentro do futebol. Na segunda lesão, tive problemas de material que foram rejeitados pelo meu corpo. Foi bem complicado. No entanto, consegui retornar em 2003. Mas aquele time do Cruzeiro já estava formado e eu fiquei sem espaço. Cheguei a viajar algumas vezes com a delegação, mas nem era relacionado. Era apenas para qualquer imprevisto eu estava lá. Ai acabou meu contrato e eu voltei para o Internacional.

10)Qual a diferença de Inter que você encontrou para aquele que você estava nos anos 90 e o de 2004 que você trabalha até agora?
Em termos de estrutura física era a mesma. Mas a organização era muito melhor. Era um clube que já pagava os salários em dia. Na minha época chegavam atrasar três meses. O Inter estava honrando seus compromissos. Tudo isso deu credibilidade ao time e o resultado foram os títulos conquistados nos anos que se passaram.

11)Em 2005 você estava naquele elenco que foi vice-campeão brasileiro e teve aquele jogo famoso contra o Corinthians, onde o árbitro Márcio Rezende de Freitas não deu o pênalti de Fábio Costa em Tinga e ainda expulsou o meio-campista por suposta simulação. Até hoje aquele jogo é falado e lamentado por muitos. Como você vê aquele episódio?
Na verdade, aquele campeonato todo foi uma bagunça. Esse lance do Tinga com o Fábio Costa foi só um símbolo do que foi a lambança daquele Brasileirão! Teve aqueles jogos remarcados por conta de escândalo de arbitragens. Ai se anulam os pontos, os gols feitos. Foi muito conturbado aquilo. 

O legal é que depois daquela edição, os campeonatos foram mais organizados e sem essas polêmicas. Aos poucos o futebol brasileiro vai se organizando e fazendo campeonatos com mais credibilidades.

12)Em 2006 foi atuar no Juventude. Por quê saiu do Colorado e como foi atuar em Caxias do Sul?
O Internacional estava com dois goleiros experientes. Eu e o Clemer. Isso não é legal para um time, pois você freia a ascensão de novos atletas desta posição. Não renova o plantel. Naquela época estavam surgindo o Marcelo Boeck (atualmente no Sporting-POR) e o Renan ( defende o Goiás) e era melhor dar oportunidade a eles. 

Quando fui ao Juventude senti uma nova realidade. Até então eu só tinha trabalhado em times grandes como Inter e Cruzeiro. O pensamento era sempre brigar por títulos. Já o clube de Caxias do Sul as ambições são menores, os investimentos também. A meta era ir bem no Gauchão e depois não cair no Brasileirão. Isso faz diferença para um atleta. Mas com o tempo me adaptei ao clube.

No Juventude atuei até a metade de 2007, onde novamente eu me lesionei e não joguei o segundo semestre. Em 2008 cheguei a fazer pré-temporada, mas não me senti bem fisicamente e vi que era hora de parar.

13)Se sente realizado com sua carreira de futebol?
Sim, claro. Com tantas lesões que tive, jogar profissionalmente por um longo período , não é fácil. É uma grande vitória.

14) Dos três times que atuou, qual mais gostou de jogar?
Sem dúvida no Internacional. Por toda minha história com o clube. Amo essa equipe.

15) O que é mais emocionante jogar Gre-Nal ou Atlético x Cruzeiro?
Vou dizer Gre-Nal por toda minha história envolvida com o Inter e a rivalidade que vivo desde a infância. 

16)Falando um pouco do Inter agora, um dos problemas da equipe é a questão dos goleiros desde que o Clemer aposentou. Tentaram o Renan, que era da base e não deu certo. Agora o Muriel vem sendo contestado. Como você avalia esse problema?
O Internacional sempre teve fama de formar bons goleiros. Goleiros técnicos e pouco espalhafatosos. O Renan estava bem quando foi titular em 2008. Depois foi pra Espanha (atuou no Valencia e Xerez), voltou em 2010 e quando retornou estava parado. Goleiro é quem sente mais a falta de ritmo. A maneira de trabalho com goleiros na Espanha é bem diferente do Brasil. Ele chegou e já virou titular. A condição atlética dele não era a melhor quando foi posto em campo. As falhas vieram pois não estava bem preparado. Não era o momento dele.


Já o Muriel está há 2 anos de titular e já foi muito bem. Goleiro é quem segura a 'bandeira' lá atrás. Tomou gol a culpa é no mínimo ཮%*  do goleiro'. Quem está vendo o jogo no estádio ou na TV, vê a jogada toda do lance e tem a visão muito melhor que a do goleiro. O que parece uma falha para quem estava vendo o jogo, para um goleiro foi um lance bem complicado. A má visão na hora do lance, como um atleta na frente por exemplo, já prejudica o goleiro que precisa decidir o que fazer em frações de segundo. Aquilo faz uma diferença muito grande. O Muriel é um grande goleiro. O Inter esta bem servido com Alisson, Agenor também. Estes dois não atingiram a maturidade como atletas profissionais. Precisam de mais vivência no esporte. O momento do Muriel não é ruim. Vejo que o Inter está sofrendo um pouco mais gol do que antes. Não quer dizer que vem falhando. O contexto da equipe que, no geral, que vem sofrendo gols.
*Número exato não recuperado da publicação. Falha do jornalista aqui.

17)Qual a expectativa que tem com o Inter no Brasileirão?
A tendência é crescer e fazer uma boa campanha. Chegaram vários reforços e estes ainda estão se adaptando. Até entrosar com o restante do elenco leva um período. Acredito que tem tudo para ir bem nesse Brasileirão.

18) Briga pelo título?
Isso o tempo dirá. Não dá para prever. Vamos esperar os resultados. São muitas rodadas ainda. Um exemplo é o Atlético/PR que no início estava lutando pelo rebaixamento e agora já está brigando por G-4.

19) No momento é treinador do time sub-23 que disputa a Copa Willy Sanvitto? O que tem achado de ser técnico e há algum jogador nessa equipe em destaque que poderia ir para o profissional?
Está sendo bem legal. Trabalhar com jovens é muito bacana. Nossa meta neste torneio é dar mais rodagens aos atletas. A maioria dos adversários que enfrentam são formados por atletas profissionais e isso dará bastante experiência aos nossos jogadores. Ainda não destaco ninguém, é cedo para falar sobre quem pode despontar.

20) Para finalizar, pensa em ser técnico no time principal do Inter?
Não. Gosto de trabalhar nas categorias de base.

Arquivo! Uma interessante entrevista com o lendário Sandro Sotilli

Bastidores: Sandro Sotilli faz parte  daquele seleto grupo de jogadores que se tornam lendas não por serem destaques em times grandes, e sim por atuar pelos pequenos e de uma determinada região. Toda região e estado tem seus personagens que defendem vários times e se tornam famosos pelas suas atuações.

Sotilli é assim no Rio Grande do Sul.Todo gaúcho que acompanha futebol sabe de sua existência e conhece seu estilo boleirão, sua humildade e até as histórias de suas supostas noitadas.Em Pelotas/RS todos sabem de sua existência e pelo E.C. Pelotas é tido como um dos maiores jogadores do time.

Quando conversei com o próprio em novembro de 2014, este estava vivendo em Passo Fundo/RS.


O ex-atleta na ocasião se mostrou preocupado com o futuro dos clubes menores do Rio Grande do Sul, falou de seu trabalho com o Tite, passagem pelo Inter, torcida para o Grêmio na infância e também sua parceria no México com o atacante paraguaio Salvador Cabañas. Por fim, falou sobre quando tentou seguir carreira religiosa e quando saiu candidato a deputado estadual pelo PSB!

Crédito: Dilvugação/Pelotas

Confira:
Nesta sexta-feira, o FutNet traz mais um especial com ex-atletas que fizeram história no futebol.

O momento agora é do centroavante Sandro Sotilli relembrar sua trajetória como cigano no esporte mais popular do mundo. 

A história do maior artilheiro do futebol gaúcho do século XXI iniciou em Rondinha, sua cidade natal, no norte do Rio Grande do Sul. 

Sua família, de origem italiana, vivia no campo e trabalhava com agricultura. Para ir à escolinha praticar futebol, Sandro Carlos Sotilli caminhava todo dia em torno de 7 km. Quando completou 15 anos seus pais queriam que o aspirante a boleiro estudasse em um colégio marista para tentar a carreira religiosa. Com isso, Sotigol se mudou para Viamão, onde tinha um tio que morava lá. Quando completou o ensino médio decidiu que queria ser jogador de futebol e apareceu uma chance no Ypiranga/RS.

“Acabei os estudos e decidi que queria ser jogador de futebol. Conversei com meus pais e eles aceitaram. A dificuldade era grande, pois não tinha contatos para fazer testes. Até que um dia apareceu uma oportunidade no Ypiranga de Erechim/RS, fiz e passei, dando início ao meu sonho de menino”, contou o ex-futebolista de 41 anos.

Em seus primeiros anos de juniores, Sotilli atuava mais como ponta esquerda, mas devido a sua facilidade de finalizar com ambos os pés, o posicionaram como centroavante.Posição que se consagrou.

No início dos anos 90 ainda não vigorava a Lei Pelé e por conta disso o jogador era propriedade do clube. Para ganhar experiência, Sotilli atuou, por empréstimo, no Xanxerê, da Segunda Divisão de Santa Catarina e depois para o Taguá, extinta equipe de Getúlio Vargas/RS, que disputou a Série B do Gauchão. Em 1996, Sandro teve sua primeira chance no profissional e ela foi dada pelo até então desconhecido técnico Tite.

“Quem me subiu para o profissional foi o Tite. A diretoria queria outro centroavante, mas o Tite me bancou. Meu primeiro gol no time de cima foi contra o Inter em Erechim e ganhamos por 2 a 1. Isso alavancou minha carreira. No segundo semestre fui emprestado ao Veranópolis e depois voltei ao Ypiranga e no inicio de 1997 fui emprestado ao Inter”, relembrou.

Sobre Tite, o Rondinhense afirma que foi o melhor técnico que trabalhou e que é merecedor de tudo que conquistou.

“É sempre difícil destacar um só técnico dentre vários que trabalhei. Mas se tiver que dizer um, eu diria que o melhor foi o Tite. Trabalhei com ele também no Veranópolis e no Caxias. O Tite é uma pessoa muito boa, muito humana. Tratava todos os jogadores de forma igual. Além disso, ele tem muito conhecimento sobre tática, sabe motivar os atletas e unir o grupo. Se você me perguntasse naquela época se eu achava que ele chegaria tão longe na carreira eu não iria dizer que sim, pois o futebol é muito competitivo. Não dava para imaginar que o Tite seria campeão da Libertadores e Mundial, por exemplo. Mas ao mesmo tempo vendo que é um cara batalhador, esforçado, tudo que ganhou é merecedor”, contou.

Como mencionado acima, em 1997 o ex-futebolista nascido no dia 18 de agosto de 1973 foi para o Internacional. Sua única oportunidade em uma equipe considerada de ponta do Brasil. Sua estreia foi na primeira rodada do Brasileirão onde o Colorado venceu o Corinthians por 3 a 1. Após algumas rodadas, o atacante Fabiano retornava de lesão e Sotigol foi para o banco de reservas. Este acredita que a dupla Fabiano e Christian deu muito certo e por isso que acabou não se firmando na equipe porto-alegrense. 
Sottili em sua curta passagem pelo Inter.
Crédito: divulgação

Em 1998, o Inter o emprestou para o Juventude em troca do meia Fernando. No clube da Serra Gaúcha, o ‘Alemão Matador’ viveu seu auge onde foi campeão estadual de forma invicta, quebrando a hegemonia de títulos da dupla Gre-Nal que durava 43 anos.

“Esse título foi o auge da minha carreira. Ganhar um Campeonato Gaúcho por uma equipe considerada pequena e de forma invicta é histórico. Eu e o Mabília fomos para o Juventude como moeda de troca para o Inter ter o Fernando. Fizemos história lá. Até hoje todos lembram desse título e sempre lembrarão. Nosso grupo era muito unido e humilde.Lembro que fiz dupla de ataque com Rodrigo Gral. A Parmalat à época bancava o Juventude, então tínhamos uma estrutura muito boa de treino. Na semifinal enfrentamos o Brasil de Pelotas e na decisão superamos o Internacional.”, relembrou.

Em 1999, se transferiu para o Rio Branco/SP, mas um problema no joelho esquerdo fez com que atuasse pouco e acabou ficando pouco tempo em Americana/SP. Na sequência se transferiu para o Ceará, onde foi tetracampeão estadual e até hoje diz guardar boas lembranças de Fortaleza/CE.

Após uma passagem pelo Caxias/RS, em que integrou o elenco que disputou a Série C do Brasileiro, Sandro Sotilli recebeu uma proposta do Beijing Guoan-CHI e foi se aventurar no outro lado do mundo.

“Eu fui à China. Naquela época meu empresário Jorge Machado fez contato com um empresário chinês e perguntou se eu gostaria de ir. Aceitei. Fiz um teste de avaliação física e passei. Fiquei o ano todo de 2000 lá. Foi bom. Claro que não tinha a abertura de mercado que tem hoje, mas gostei de conhecer outra cultura, outros costumes. Fui muito bem tratado lá. Fomos vice-campeões chineses. A estrutura de trabalho lá era muito boa. Naquele período o governo chinês já investia muito no esporte. Atualmente se nota muitos atletas, inclusive de pontas que vão atuar na China. Quem via a dedicação deles há 14 anos sabia que o futebol iria evoluir, com muitos jogadores indo para lá e ganhando altíssimos salários,” contou.

Em 2001, sem mais vínculo coma agremiação da capital chinesa, Sotilli queria voltar ao Brasil e se transferiu para o Paulista de Jundiaí, onde foi campeão da Série A-2 do Paulista e atuou com muitos jogadores que fariam sucesso no futebol .

“ O Paulista naquela época se chamava Etti e também era investido pela Parmalat o que permitiu fazer um bom time. Fomos campeões da Série A-2. Naquele elenco havia o goleiro Arthur (ex-Cruzeiro, Roma-ITA e atualmente no Benfica-POR), o zagueiro Índio (que fez história no Internacional/RS), além dos veteranos Vagner Mancini e Luis Carlos Goiano. Me recordo que nas categorias de base ainda tinha o goleiro Victor e o zagueiro Réver, ambos atualmente no Atlético/MG”, recordou.

O segundo semestre daquele ano, o centroavante interrompeu a carreira pois seu pai descobriu que tinha câncer e foi cuidá-lo, onde meses depois veio a falecer. Foi o único período da carreira em que ficou afastado do futebol.

Em 2002, recebeu uma proposta do 15 de Campo Bom/RS, onde foi bi-vice-campeão gaúcho . Em 02, Sotilli foi artilheiro do estadual com 21 gols e na temporada seguinte segundo maior goleador com 17 tentos.

“ O 15 de Campo Bom dentre os times pequenos que já atuei era um dos mais estruturados. Nunca atrasaram salários, diretoria sempre cumpria com a palavra e dava boas condições de treino e moradia para os atletas. Por isso que chegamos duas vezes à final (ambas perdidas para o Internacional).Tenho ótimas recordações do 15. Uma pena a equipe não ter durado muito tempo (Obs: O 15 ainda seria vice-campeão em 2005 do estadual e semifinalista da Copa do Brasil em 2004)”, contou, relembrando que nesse meio tempo ainda teve uma rápida passagem pelo Xian Chanba-CHI.

Em 2004, a fonte desta reportagem se transferiu para o Glória de Vacaria, fazendo história anotando 27 gols ,recebendo quatro prêmios individuais pelo desempenho no estadual e sendo semifinalista, eliminado nos pênaltis pelo Inter.

“ Minha passagem pelo Glória de Vacaria foi um dos meus grandes momentos como profissional. 27 gols em uma edição de Gauchão, só o Baltazar no Grêmio teve um desempenho melhor. Além disso, recebei o prêmio de melhor jogador daquele Gauchão, artilheiro e goleador. Também recebei da Revista Placar a chuteira de ouro do mês de maio. Foi uma passagem memorável”, relembrou.

O bom desempenho em terras rio-grandenses chamou a atenção do futebol mexicano onde ficou até 2007, atuando no Necaxa, León, Dorados e Jaguares. Neste último fez dupla de ataque com Salvador Cabañas, paraguaio que ficou famoso por ter sido carrasco do Flamengo na Libertadores de 2009, ser um atleta acima do peso e ter sofrido um tiro na cabeça em uma briga de bar no México.

“A adaptação no México foi mais fácil que na China. Os países (Brasil e México) são muito parecidos culturalmente e havia muitos brasileiros vivendo lá. Os mexicanos gostam muito de brasileiro, então fui muito bem tratado. Meu primeiro clube foi o Necaxa. Era uma equipe da Televisa (principal emissora de TV daquela nação) e que ficava na capital. Mas como era um time sem expressão, a Televisa o levou para a cidade de Aguas Calientes e lá a população o ‘abraçou’. Depois de um ano fui para o Jaguares, uma equipe do sul do México. A cidade era Tuxtla Gutiérrez. O local era muito quente, o que era bom para nossa equipe pois o adversário sofria com a temperatura e tinha dificuldade para jogar. Mais ou menos como acontece no Brasil quando um time do Sul vai para o Norte . No Jaguares fiz dupla com Cabañas. Até então ele era desconhecido no futebol. Uma boa pessoa e muito bom jogador. Uma pena o que aconteceu com ele.” , contou


“ No meio de 2006 me transferi para o Dorados, que estava na Série B e chegamos até a semifinal, mas não conquistamos o acesso. No início de 2007 atuei pelo León, também na Série B. Fomos vice-campeões e não conseguimos o acesso. O perdemos para o próprio Dorados”, relembrou.

Com saudades do Brasil e já pensando na aposentadoria, o sul-americano retorna ao seu estado de origem e assina contrato com o Caxias, faturando a Copa FGF de 2007.

Em 2008 disputou o Estadual pelo Veranópolis e na sequência se transferiu para o Pelotas, clube onde é idolatrado. Pelo Aureo-Cerúleo conseguiu o acesso à elite do RS em 2009, foi campeão da Copa FGF de 2008, além da Recopa Gaúcha de 2014. Com idas e vindas foram seis passagens pela equipe pelotense.


“ O Pelotas foi o clube que eu mais me identifiquei com o torcedor. Depois que conquistei o acesso, o carinho pelos adeptos aumentou. Aquilo ficou marcado. Passei a ser muito idolatrado. Adoro o clube e a cidade. Foi uma ‘química’ forte. Sai para outros clubes, mas sempre voltava. Cheguei a receber uma proposta do Brasil e a recusei por tamanha identificação com o Pelotas. Não tinha como eu aceitar”, contou.

O curioso foi quando questionado sobre o que achava de atuar em um Bra-Pel, Sotilli disse que não podia dimensionar, pois jogou apenas um e durante 15 minutos. 

Acredita que isso se deve ao fato das duas equipes não terem jogado a mesma divisão nesse período com muita frequência.

A aposentadoria veio no primeiro semestre de 2014 pelo próprio Pelotas, que acabou rebaixado à Série B do Gaúcho, após ter sido campeão da Copa Sul-Fronteira e no início desta temporada, como já mencionado, faturado a Recopa Gaúcha. 
Sotilli disse que o descenso se deveu a vários problemas, mas principalmente por conta dos salários atrasados.

“ O principal motivo foi salário atrasado. O Pelotas contou com uma grana da FGF que iria entrar e não entrou e depois se enrolou para pagar os atletas. Isso desestimula qualquer jogador. Diretores nos diziam numa sexta-feira que o pagamento ia sair na segunda e não saía nada. Isso refletiu em campo com a má campanha. A torcida já começou a pegar no pé e o jogador fica tenso e inseguro com toda situação”, revelou.

Aposentado, Sandro Sotilli vive atualmente em Passo Fundo/RS com a mulher e três filhas,e trabalha em uma escolinha de futebol. Uma das lendas do futebol do RS quer seguir envolvido com o futebol local, quer ser auxilia-técnico de algum time e futuramente dirigente. Ele se mostra preocupado com a situação do futebol no Rio Grande do Sul.

“ Estou muito preocupado com a situação do futebol gaúcho. Os jogadores ganham muito pouco e em muitos clubes estão atrasando salários. Algumas equipes estão inclusive falindo. É triste a realidade. Muitas vezes os atletas atuam apenas no Gauchão que dura três, quatro meses e depois ficam desempregado o resto do ano. Tem famílias e contas a pagar e não conseguem. Outros jogam copinhas regionais que não levam a lugar algum. Os clubes só baseiam suas receitas financeiras nas cotas que recebem da FGF, o que é muito pouco”, desabafou.

“O problema do futebol gaúcho é depender demais da dupla Gre-Nal. Os dois não estão nem aí para o Estadual. Tem campeonatos mais importantes para priorizar. Tem que haver mudanças no futebol gaúcho. Converso com conhecidos que estão atuando em Santa Catarina e dizem que a situação lá está melhor que aqui. Conheço gente que atua por 6, 7 anos no futebol e depois abandona pois não dá futuro”, emendou.

Falando ainda da dupla Gre-Nal, Sottigol confessou por qual deles torcia na infância e o que acha da situação atual de ambos.

“Quando era mais novo torcia para o Grêmio, mas depois atuei no Inter e passei a admirá-lo também. Depois que vira profissional se perde aquela paixão por um clube, pois tem contato com vários e acaba criando várias identificações. No momento, penso que o Inter tem um time mais qualificado, mas o Grêmio está mais ajeitado e desde a chegada do Felipão vem se firmando no G-4. O Tricolor vive um momento melhor que o Colorado”, disse o atleta que ainda falou sobre sua candidatura a deputado estadual pelo PSB.

“O PSB me procurou e disse que eu tinha um carisma muito forte e que poderia ajudar no esporte. Eu aceitei. Foi uma experiência boa, para poder conhecer melhor o mundo da política. Viajei para cidades pequenas do Rio Grande do Sul e conheci melhor a realidade de alguns municípios. Não sei se voltarei a me candidatar novamente a um cargo político. Confesso que não é minha prioridade, mas não está descartada”, emendou o candidato que recebeu 7.689 votos.


Sandro ainda falou sobre um perfil falso que usa seu nome no twitter e que tem mais de 79 mil seguidores.

“ Essa pessoa me perguntou se podia usar o meu nome no twitter e eu disse que não tinha problema. Ele é muito engraçado e criativo. Isso é bom pois me dá popularidade. Já aconteceu de vir pessoas falarem comigo pensando que aquela conta é minha mesmo,” afirmou.

Por fim, Sottigol disse que se sente realizado com a sua carreira e que não se arrepende de nada e tudo que conseguiu foi com sucesso e disciplina.

Obs: Sandro Sotilli ainda teve passagem por São José/RS (2009), Brasil de Farroupilha (2010), Chapecoense/SC (2010), São Paulo/RS (2011), Passo Fundo (2011 e 12), São Luiz (2012), Gaúcho (2013) e Marau (2013).

Colaborou: Wagner Leitzke e Marcelo Oliveira

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Arquivo! Confira um bate-papo com o Olé do Brasil sobre humor no jornalismo esportivo!

Bastidores: De vez em quando é bom sair da mesmice e procurar inovar no trabalho. Isso é uma das exigências do jornalismo. Sempre inovar. 

No início de 2015 voltei a ter um blog no portal São Carlos Agora e para sair da chamada zona de conforto, pensei em que tipos de matérias poderia desenvolver.

Uma das minhas ideias foi entrar em contato com o pessoal do Olé do Brasil solicitando uma entrevista. O portal estava indo bem, no auge e muito comentado pelos amantes do futebol. Um outro fato que acrescentou na publicação. Quase não havia reportagens sobre este site. Eu talvez teria sido o primeiro a falar com eles. Uma honra, pois dou muita risada com as sátiras que fazem!




Confira a matéria na íntegra:
Em 2009 quando me formei em jornalismo pela PUCCAMP meu Trabalho de Conclusão de Curso foi um vídeo-documentário debatendo a questão do humor na minha profissão.
Na ocasião, o CQC estava em alta, onde as notícias são criticadas em forma de humor. Meu grupo de TCC entrevistou o repórter Oscar Filho, um produtor do Pânico na TV, mais Ricardo Boechat, dentre outros jornalistas.


Passaram-se vários anos e o acesso à informação foi muito modificado. Através da Internet foi possível surgir sites, blogs e etc., sem o apoio da mídia.

Nesse quesito, um dos que faz sucesso é o portal Olé do Brasil, com sátiras sobre o futebol e que possui mais de 92 mil seguidores no Twitter e mais de 280 mil curtidas no Facebook. Os fundadores do site relembram que quando este foi criado em 2012, não havia veículos que apenas debochassem do esporte mais popular do nosso País.


Falando sobre humor, os criadores do Olé do Brasil, que preferem seguir no anonimato, afirmam não saber qual o limite em uma piada, mas lamentam muito a presença do politicamente correto. Também não gostam quando jornalistas acreditam que suas sátiras sejam notícias reais, como já aconteceu no Brasil e no exterior.

“Quando isso acontece é ruim, porque não é a nossa intenção enganar jornalistas. Não dá para imaginar que um jornalista acredite em matérias tão absurdas como as que criamos. Um jornalista acreditar numa matéria como a do Olé é algo absurdo, e acabamos nos tornando vítimas disso, porque o conteúdo dentro do Olé está no contexto de falso e humorístico, mas quando um jornalista o tira de lá e coloca em um grande veículo de comunicação, passa a ser verídico para muita gente, só que essa responsabilidade - de transformar um conteúdo falso em verdadeiro - é 100% do jornalista que não verifica com a gente ou com os protagonistas da piada. É como dizem: o conteúdo é rei e o contexto é Deus. Se tirar o conteúdo do ambiente fictício, o texto se torna outro”, explicaram em entrevista ao blog FutebolArte.

Eles ainda disseram que a torcida que mais se irrita com as anedotas é a do Cruzeiro.

Confira abaixo tudo isso e muito mais:

1)Como surgiu a ideia de fazer o Olé do Brasil? Esperavam tanta repercussão? Em qual ferramenta da Internet o portal conseguiu mais destaque?

Surgiu devido à paixão da equipe pelo futebol e principalmente porque havia uma lacuna no humor esportivo. Ninguém fazia esse tipo de humor sobre esportes e acabamos por encontrar uma maneira de chamar a atenção de torcedores, jornalistas e veículos de comunicação com essa nova forma de humor. O Facebook é principal ferramenta de compartilhamento e é a que mais gera audiência.

Sobre repercussão, nunca almejamos algo assim, mas não nos surpreendeu. Simplesmente deixamos acontecer e... aconteceu!

2)Quem são vocês? Poderiam dizer, nome, idade, se são jornalistas ou trabalham em outras áreas?Que cidade e estado vivem?

Somos 3 profissionais. Todos fanáticos por futebol. Todos torcedores do LA Galaxy (risos). Dois publicitários e um consultor em RH. Nomes: Silvio Luiz, Mauro Beting e Milton Neves. Falando sério, se descobrirem os nomes, onde moramos, descobrirão nossos times. Achamos saudável para o site não descobrirem isso. Nem todo mundo entende isso e muitos vão começar a "julgar" as piadas em cima dos nossos times.

3)Nas matérias que publicam, percebo que não inventam assunto. Fazem humor em algum fato recente no futebol. Por que utilizam esse método?

Nós gostamos de criar uma história fictícia sobre uma história real. Gostamos de falar do que as pessoas estão falando, mas não temos um padrão. Quando a ideia surge, fazemos, seja sobre fatos, assuntos atuais ou qualquer outra fonte de inspiração.

4)Na opinião de vocês, até onde vai o limite do humor? Percebo por exemplo que na linha do tempo do Olé do Brasil no twitter quando toca no assunto racismo, o tom das twittadas fica sério e não fazem anedotas (o que é correto na minha opinião). Como fazem para saber até onde é humor e até onde é agressivo, não só em caso de racismo (que é grave) como em outros assuntos?

Existem temas que não se pode brincar, como você exemplificou. Limite do humor não sabemos dizer, não temos opinião formada, não é algo científico e é difícil ter uma opinião definitiva sobre algo tão controverso. Existem muitas visões, as pessoas são diferentes, se ofendem com coisas diferentes, tem culturas diferentes e, por isso, não é possível determinar o limite do humor. Não sabemos se tem limite ou não, sinceramente.

5) Falar de clube de futebol é mexer com uma paixão das pessoas. Recebem muitas ofensas? Já houve pessoas que passaram do limite e ameaçaram de morte, por exemplo? E processo judiciário já houve?

Tentativa de intimidação não nos atinge, mas já recebemos mensagens com este objetivo. Sinceramente, não levamos em consideração. Nunca nos afetou, até porque isso é característica do futebol, esporte que gera muita paixão e fanatismo. Sabíamos que receberíamos mensagens do tipo e estávamos preparados. Sem falsa modéstia, 99% são elogios.

6) Ainda no 'gancho' da pergunta 5, no Brasil temos 12 times grandes.Baseado nas piadas que publicam, quais são as torcidas, de uma forma geral, que ficam mais bravas com as postagens ?

Não diria chatos, mas os cruzeirenses ficam muito irritados (risos), porque o Atlético renasceu e começou a ganhar os clássicos. E fomos no embalo fazendo diversas piadas. Sem dúvida a do Cruzeiro é a que mais xinga, apesar de nunca ter passado dos limites.

7) Um jogador que é constantemente alvo de piadas é Paulo Baier, principalmente por ser um veterano do futebol. Como surgiu a ideia de zoá-lo e ele já entrou em contato com vocês?

Essa história do Paulo Baier criamos em 2012 e depois todos foram na onda. Surgiu porque ele é um dos jogadores mais velhos e é bom de bola. Sempre jogou muito bem. Gostamos de criar mitos. O último foi o Alexandre Mattos. Um jornalista nos disse que o Baier gosta, mas nunca falamos com ele pessoalmente.

8) Diversos sites , tanto do Brasil como do exterior já republicaram notícias do Olé do Brasil pensando que eram assuntos sérios, principalmente quando vocês eram desconhecidos. O caso mais famoso talvez seja a história criada em cima do boato do corte de Maicon da Seleção Brasileira em agosto de 2014.Como analisam essas gafes?

Quando isso acontece é ruim, porque não é a nossa intenção enganar jornalistas. Não dá para imaginar que um jornalista acredite em matérias tão absurdas como as que criamos. Depois que acontece, você pensa: não acredito que alguém acreditou nisso. A gente nunca espera que alguém acredite. Aconteceu com o Sensacionalista há pouco tempo também, mas apenas aqui no Brasil. Obviamente, queremos causar riso, não enganar profissionais. Classificar esse tipo de coisa é muito simples: amadorismo do jornalista.

Um jornalista acreditar numa matéria como a do Olé é algo absurdo, e acabamos nos tornando vítimas disso, porque o conteúdo dentro do Olé está no contexto de falso e humorístico, mas quando um jornalista o tira de lá e coloca em um grande veículo de comunicação, passa a ser verídico para muita gente, só que essa responsabilidade - de transformar um conteúdo falso em verdadeiro - é 100% do jornalista que não verifica com a gente ou com os protagonistas da piada. É como dizem: o conteúdo é rei e o contexto é Deus. Se tirar o conteúdo do ambiente fictício, o texto se torna outro.

9) Uma curiosidade agora. Em 2014 durante um jogo do Brasileirão (não me recordo qual) twittaram afirmando que um integrante do Olé do Brasil estava em campo e passado alguns minutos publicaram a foto de um bandeirinha. Há membro da arbitragem que trabalha com vocês?

Você acompanha bastante o Olé, hein! (risos). Era brincadeira, uma piada interna! Não tem ninguém famoso trabalhando no Olé!

10)Por fim, como analisam a importância do humor nos meios de comunicação? Tanto sendo uma charge como uma anedota em forma de notícia ou um vídeo mesmo. Acredita que o humor ele tem outras funções, além de divertir?

O humor em geral, não apenas o futebolístico, passa por um momento difícil. Não falo nem em relação aos atentados na França (assassinato de chargistas da revista Charlie Hebbo em janeiro por conta de sátiras com o islamismo), porque aquilo foi algo fora da curva, algo que raramente acontece - mas que marca muito, porque foi realmente muito triste. Falo, especificamente, da patrulha do politicamente correto, que limita a criação, a critica e o desenvolvimento de uma discussão sadia, que poderia surgir através do humor. Temos amigos donos de sites de humor e a opinião é a mesma.

As pessoas precisam abrir a cabeça e parar de criticar humoristas por piadas que envolvam determinados assuntos. O humor é, e sempre será, polêmico. Ou não será humor. Ou teremos apenas conteúdos sem alma, que não tem critica. Nem graça. Nem mensagem.

Obs: matéria publicada em fevereiro de 2015

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Brasileiros pelo mundo! Técnico Neider dos Santos fala sobre experiência no Caribe, África e Ásia!

Trago mais uma postagem com brasileiros que se aventuraram pelo mundo através do futebol. Talvez eu nunca tenha visto alguém atuar em tantos países "alternativos" como o técnico Neider dos Santos!!!

Ilhas Cayman, Tanzânia,Etiópia, Jamaica, Omã.......e por ai vai......

Nesta entrevista feita em agosto de 2014, o carioca de 51 anos contou sua aventuras e andanças pelo mundo e até sobre a possibilidade de comandar um clube brasileiro e criticou a 'dança dos técnicos' que ocorre por aqui.

No momento, Neider dá aula no Curso de Formação de Treinadores da FERJ e está a procura de uma nova equipe para trabalhar.

Neider em sua passagem pelo futebol da Jamaica
Crédito da foto: divulgação 

Confira a matéria:

Nesta sexta-feira, o FutNet traz mais uma reportagem com brasileiros que se aventuram mundo afora para vencerem no futebol.

Esta matéria repercute a carreira do técnico Neider Colmerauer dos Santos, que já trabalhou na Ásia (Catar e Omã), Caribe (seleções das Ilhas Cayman e Bahamas e times da Jamaica), Seleção de Guiana e atualmente está no Saint George FC, da Etiópia.

O carioca de 49 anos é formado em educação física pela UFRJ . Atuou como centroavante e foi artilheiro dos torneios universitários de 1987,88,89 e 90. Ainda defendeu a Seleção Carioca em campeonatos universitários. Apesar disso, nunca pensou em ser jogador profissional.

“Venho de uma família de classe média e que não via o esporte necessariamente como uma profissão. Na verdade nunca pensei em ser jogador profissional. Em 1989 quando estava com a Seleção Universitária do Rio de Janeiro fizemos alguns amistosos com Olaria, Bonsucesso e Bangu. Nesse período me chamaram para fazer um teste no Volta Redonda, mas eu preferi terminar a faculdade. E outra, mesmo depois de formado,se quisesse atuar no Volta Redonda o salário não seria bom. Então não compensava.”

Seu primeiro emprego após formado foi como observador técnico nas categorias de base do Vasco da Gama. A função era analisar os adversários do Gigante da Colina em competições juniores e passar informações aos treinadores.

Dois anos depois trabalhou como auxiliar-técnico dos juniores do Mesquista e em 1994 trabalhou nesta mesma função do time profissional do Barra da Tijuca.

Em 1995 teve sua primeira experiência fora do Brasil. Foi ser assistente técnico de João Camargo, no Al Ahli Sports Club, do Catar. Na temporada 1997/98 teve a primeira oportunidade como comandante. Foi no Al Nassr, do Omã, onde foi campeão nacional com três rodadas de antecedência.

“ Minha experiência no Catar foi boa, apesar de difícil. O Al Ahli lutava para não ser rebaixado e ao término da competição acabou se salvando. Financeiramente não se pagava tão bem quanto atualmente, mas eu recebia em dólares e isso era um bom negócio. No Omã encontrei um futebol mais profissional e muito mais avançado. Os estádios sempre estavam cheios, diferente do Catar”, afirmou Neider, que disse que se comunicava em inglês com os atletas e também havia um intérprete para os que não dominavam o idioma. Ainda hoje é assim onde trabalha.

O comandante sul-americano ainda falou a vantagem que os asiáticos viam nos treinadores brasileiros com relação aos europeus.

“O brasileiro tende a se adaptar mais fácil aos outros países. Os europeus , em geral, são mais rígidos em seus conceitos, tanto de vida como de futebol”, opinou.

Em 2000, Neider deixou a Ásia e foi se aventurar nas Ilhas Cayman, onde a federação local fez um projeto para se classificar à Copa do Mundo de 2002 e que acabou barrado pela Fifa. Na equipe caribenha, o fluminense era treinador do time sub-20 e auxiliar da equipe principal (o comandante era Márcio Máximo que o convidou para ser seu assistente).

“ O presidente da federação das Ilhas Cayman era Jeff Webb atual mandatário da CONCACAF e vice-presidente da Fifa. Ele nos apresentou um plano para tentar ir à Copa do Mundo de 2002. Como as Ilhas Cayman são um protetorado britânico todos os nascidos no Reino Unido podem adquirir cidadania desta ilha e vice-versa. Logo havia uma brecha na lei da Fifa que fazia com que os atletas nascidos no Reino Unido pudessem defender as Ilhas Cayman. 8 atletas, que atuavam em sua maioria, nas segundas divisões de Escócia e Inglaterra aceitaram o desafio. Montamos um plantel e houve 20 dias de preparação para a estreia contra Cuba. Mas na véspera do início das Eliminatórias a Fifa descobriu o plano e vetou a participação dos tais futebolistas. Infelizmente tivemos que embarcar para Cuba apenas com os jogadores naturais das Ilhas Cayman. Foi duro, perdemos a partida e não classificamos. Se os britânicos tivessem participado teríamos grandes chances de classificação. Hoje concordo com o que a Fifa fez pois não iria ser uma força real da seleção local”, contou.

Os brasileiros seguiram no comando desta nação caribenha até o final do contrato e trabalhando apenas com os atletas locais, o que era muito difícil encontrar qualidade, pois o país tem em torno de 50 mil habitantes.

Até que em 2002 Neider recebeu o convite para ser diretor-técnico da Seleção da Guiana e foi treinador dos times sub-17, 20 e principal. Ele se orgulha do trabalhou que realizou neste país que faz fronteira com Roraima e Pará.

“ O futebol da Guiana não é conhecido mundialmente, mas eles tem um potencial muito bom. Cheguei com a função de fazer uma renovação no futebol local. Começamos pela equipe olímpica .Colocamos os jogadores concentrados durante a disputa do Pre- Olímpico.Oito meses direto! Há uma fase preliminar da CONCACAF onde atuam as seleções do Caribe e ganhamos todos o jogos e pela primeira vez na história fomos para a fase final da CONCACAF. Vencemos Barbados, Santa Lúcia e Trinidad e Tobago, sendo este último uma potência futebolística na região. Depois enfrentamos a Costa Rica, onde acabamos eliminados” relembrou.


Dos Santos ainda disse que todo esse trabalho lhe trouxe muita experiência com o futebol, mas afirma que o ideal é ter um técnico trabalhando para cada categoria.

“ O correto é ter um treinador para cada categoria. Mas na época, eu tinha fome de dirigir, de praticar, então dirigi todas essas categorias.Devo dizer que foi muito bom para mim. Mas é muito trabalho. É desgastante. Ao todo dirigi o time principal nas eliminatórias da Copa de Alemanha de 2006, o Pré Olímpico, duas eliminatórias sub-17 e uma eliminatória sub-20”, recordou.

Em 2006, o treinador tupiniquim foi trabalhar pela primeira vez na África, no Simba F.C., o segundo clube mais popular da Tanzânia. Por lá foi vice-campeão nacional e vice do Tursker Internacional Cup (um torneio que reúne equipes da Tanzânia, Quênia, Sudão, Zâmbia e Uganda). Ele falou sobre o futebol local e como é viver em terras tanzanianas.

“A Tanzânia tem dois times de massa. Simba que tem em torno de 40% da torcida local e Young Africans 60% aproximadamente. Agora tem o Azam que surgiu como uma terceira força, por estar nas mãos de uma família rica. A briga pelo título em geral fica com esses três. É um campeonato muito competitivo e difícil com viagens longas. O jogador africano é muito talentoso, mas é indisciplinado taticamente. Esse é o grande problema deles."

“A Tanzânia é um país muito pobre, mas muito bom de se viver. Não é um lugar violento. Há bons restaurantes. Ainda há a Ilha de Zanzibar que é um local muito agradável. Além disso, eu era técnico de um time popular e por conta disso eu recebi muito carinho da população local. Minha experiência lá foi muito boa", explicou.

Em 2007 retornou ao Caribe onde assumiu a Seleção de Bahamas e fez história por lá.

“ Disputamos o pré-Olímpico e na primeira fase vencemos as Ilhas Virgens Britânicas e as Ilhas Virgens Americanas. Na segunda fase, perdemos para o Haiti, mas ganhamos da Jamaica. Foi a primeira vez que uma Seleção de Bahamas ganha da Jamaica, em qualquer categoria de futebol. Essa vitória é histórica para Bahamas. Aquele time jamaicano era praticamente o mesmo que foi vice-campeão Pan-Americano no Rio de Janeiro de 2007.”

2008, Colmenrauer voltou para Tanzânia e para o Azam, equipe citada acima no texto. No entanto, a passagem não foi . Dois anos depois foi para Village United, da Jamaica, onde foi herói no início e depois ‘vilão’ desta mesma equipe.

“O Azam ainda estava iniciando sua caminhada ao topo do futebol da Tanzânia. Quando cheguei lá a equipe recém havia subido à elite. Porém, o dono do clube era irmão de um agente de futebol e que tinha jogadores no Azam. Logo este tentava interferir no meu trabalho, pedindo escalação de jogadores e até acobertando indisciplina dos mesmos. Não aceito interferência no meu trabalho. Sai em 2009. No ano seguinte assumi o Village United , da Jamaica. Naquela nação eu fiz meu nome por conta da vitória de Bahamas por 1 a 0. Cheguei no meio da temporada e o clube lutava contra o rebaixamento. Consegui livrá-lo do descenso. Na temporada seguinte assumi o Montego Bay United e fomos campeões do segundo turno do Jamaicano. Inclusive de forma invicta. Por curiosidade na última rodada enfrentamos o Village United e vencemos por 1 a 0 e o rebaixamos à Série B”, afirmou.

No dia 24 de agosto de 2014, Neider Santos Colmenrauer assumiu o Saint George F.C., uma potência do futebol etíope e que jogará a Copa Africana.

“O Saint George me convidou para vir aqui conhecer o clube e conversar sobre uma possível contratação em outubro passado, mas acabou não acontecendo. Agora acertamos. É um clube tradicional e com muita torcida. Estamos em pré-temporada em Adama, cidade a 10km da capital Adis Abeba, local onde fica o clube. Estão construindo um estádio moderno e que vai caber 22 mil pessoas. A intenção deles é serem uma potência continental”, avisou.

Sobre as metas para a temporada 2014/15, Neider diz que só o título interessa do campeonato nacional (começa em outubro) e na Copa dos Campeões da África (de 2015, onde o clube etíope já está classificado por ser o atual campeão nacional ) a meta é fazer uma grande campanha. O título é pouco provável.

“Temos 15 atletas do nosso plantel que fazem parte da Seleção da Etiópia. Por conta disso, só o título nacional nos interessa. Na Copa dos Campeões da África temos que ir bem. O título é muito difícil pois ainda estamos abaixo de equipes do norte da África, como Egito, Marrocos, Tunísia e Argélia”, explicou.


Dos Santos ainda afirmou que gostaria de dirigir uma equipe do futebol brasileiro, mas não coloca como um objetivo principal. Um dos motivos é por conta dos técnicos serem demitidos do comando com pouco tempo de trabalho. Citou ainda o exemplo de Ricardo Gareca no Palmeiras. Além disso, segundo o próprio, há um círculo com os mesmos treinadores, onde é difícil dar oportunidade a novos nomes.

“Gostaria de trabalhar em um clube grande do Brasil. Mas sei que é difícil. Não tenho essa obsessão. Pois eu sei que é muito difícil darem oportunidade a novos técnicos. É um círculo onde sempre os mesmos assumem as mesmas equipes”, opinou.

“ Sobre troca constantes de técnicos, já vi isso em outros países. Mas igual ao Brasil não existe. É um absurdo o que ocorre aqui. Recentemente tivemos Ricardo Gareca demitido no Palmeiras. Ele é um mal treinador? Não! O que faltou a ele foi dar tempo de adaptação. Nessas horas é mais fácil colocar um técnico brasileiro e já adaptado ao nosso futebol. É sempre assim. Outra coisa que eu penso é o seguinte: se um clube tem quatro técnicos em um ano quem contratou é muito incompetente. Se um diretor contrata quatro engenheiros diferentes para uma mesma obra, sempre demitindo o anterior, o dono da empresa com certeza vai mandar embora o diretor. Tenho certeza. No futebol brasileiro isso não acontece,” emendou.

Por fim, ao ser questionado sobre qual país gostou mais de viver e trabalhar, Neider afirma que é difícil escolher um só, mas relembra das Ilhas Cayman e Tanzânia.

“ É difícil escolher um só. Todos tiveram seus prós e contras. Por exemplo,as Ilhas Cayman são bem agradáveis de viver, mas o futebol lá é muito fraco. Gostei bastante da Tanzânia e acredito que na Etiópia vou ter uma boa experiência”, finalizou.

Em tempo: Pelo Saint George, Neider dos Santos foi campeão etíope.