quarta-feira, 3 de maio de 2017

Exclusivo! Zagueiro suíço-brasileiro,Léo Lacroix, conversa com o blog!

Entrevistar jogadores brasileiros desconhecidos que foram se aventurar no exterior sempre rende boas matérias. Gostam de contar histórias que passaram em fase de adaptação a uma nova cultura, gols, títulos e o quanto são idolatrados por uma torcida. Enaltecem também o quanto desejam ser reconhecidos no Brasil.

Nesse quesito, há uma categoria interessante de se conversar que são filhos de brasileiros que nasceram em outro continente, mas carregaram por toda infância e adolescência a cultura de seus progenitores. São fluentes em português, visitam o Brasil com frequência, amam futebol e tem interesse de atuar nos gramados da nação pentacampeã mundial.
Lacroix pelo Sion.  Crédito:divulgação 


Os primeiros que conversei foram os meias Andreas Pereira nascido na Bélgica ,que preferiu atuar pela Seleção Brasileira e atualmente tem seu passe vinculado ao Manchester United e Danilo Campos que foi criança para a Bélgica, defende a seleção deste país e está no futebol turco. Fui o primeiro jornalista brasileiro a falar sobre a carreira deste último citado.

O entrevistado desta edição é o zagueiro suíço Léo Lacroix que defende o Saint-Etienne da França.

O defensor de 25 anos é oriundo de uma pequena cidade chamada Aigle na região da Lemânica, próximo a França. Seus pais se separaram quando ele tinha apenas três anos. Logo, foi criado pela mãe que é brasileira.

"Meu pai é suíço e minha mãe é brasileira. Com a separação, vivi muito com a minha mãe. Na suíça há muitos brasileiros, o que fez com que eu sempre tivesse contato com a cultura brasileira ", disse o jogador com exclusividade ao blog Arquivos e Histórias F.C.

Quando tinha 8 anos se mudou para Lausanne, fez um teste no time local e foi aprovado.No início jogou como lateral-direito. Aos 12 anos se mudou para a Itália onde integrou uma equipe pequena da região de Firenze.

"Na Itália morei três anos. Atuei em uma pequena equipe da região de Firenze. Foi um aprendizado na minha vida.Tinha que ir sozinho para a escola, para os treinos e  para casa. Depois retornei para a Suíça e novamente defendi o Lausanne", disse o futebolista nascido no dia 27 de fevereiro de 1992.

Sem espaço no Lausanne, Lacroix atuou em um pequeno time chamado Malley também de seu país natal. Em 2008 fez um teste no Sion durante dois dias e não foi aprovado. Em 2009 resolveu se aventurar no Brasil e passou um período treinando no modesto São Cristóvão do Rio de Janeiro.

"Eu queria viver no Brasil. Morar no Rio de Janeiro. Então resolvi fazer um teste no São Cristóvão, pois foi lá que o Ronaldo Fenômeno começou a carreira. Fiquei treinando lá durante seis meses. Em junho minha mãe veio me visitar e falou que era para eu voltar para a Suíça.  Ela queria que eu tentasse novamente entrar no Sion. Eu não queria retornar, mas não tive escolha. Voltei e fiz outro teste no Sion. Fiquei uma semana e desta vez fui aprovado", revelou o futebolista, que diz que seu sonho é um dia poder jogar no Flamengo, clube de seu coração.

"Ainda quero morar e atuar no Brasil.Sempre torci para o Flamengo. Eu acompanho o clube direto. Espero um dia poder defender o Flamengo.Participar de um Fla-Flu. Será um sonho de criança realizado ", emendou.

Em 2010, Léo Lacroix fez sua estreia como atleta profissional. Foi no triunfo da sua equipe sobre o ST.Gallen por 5 a 1. O suíço-brasileiro atuou por 15 minutos.

"Fiz minha estreia como profissional na última rodada do Campeonato Suíço 2009/10.  Um dia antes eu estava caminhando pela cidade e o diretor do clube me ligou falando que eu havia sido relacionado para o jogo. Fiquei super feliz, pois não estava esperando essa oportunidade. Entre no final do jogo. Foi muito especial. Fiz minha estreia no time principal com 18 anos", recordou o atleta que atuou pelas seleções de base da Suíça.

Permaneceu no Sion até a temporada 2015/16. O momento mais especial foi na época 2014/15 onde foi campeão da Copa da Suíça.

"Essa conquista foi muito importante para o clube e também para a minha carreira. É curioso o histórico do Sion na Copa da Suíça.Jogou 13 finais e venceu todas! Naquela temporada, fomos mal no campeonato nacional e fomos disputar a decisão contra o Basel (atual octacampeão nacional), o grande clube suíço do momento.O mais rico e com mais investimento. Fizemos um jogo incrível e vencemos por 3 a 0. Nos superamos. Todos os jogadores fizeram uma ótima partida. Inesquecível esse título", recordou.

Nesta temporada, Lacroix se transferiu para o Saint-Etienne que disputa a Ligue 1. O Alviverde é o maior campeão francês da história (10 conquistas, sendo a última em 1980/81) e tem fama de ter uma torcida fanática e fiel ao clube. O atleta fala das diferenças entre atuar no futebol de seu país e no francês.
Em ação pelo Saint-Etienne


"O Campeonato Francês é mais forte fisicamente e tecnicamente. Há mais investimentos e mais mídias cobrindo a competição. Os times são mais fortes e há melhores jogadores.É um campeonato melhor que o suíço. A Suíça tem jogadores bons e uma seleção forte que tem chance de estar na Rússia em 2018. Mas o campeonato local tem o Basel que vem dominando e vencendo todas as edições de forma consecutiva. Os outros clubes não conseguem competir com o Basel", contou Léo.

No momento, o Saint-Etienne é o sétimo colocado da Ligue 1 com 49 pontos ganhos. Faltando três rodadas para o término da competição a meta é uma vaga na próxima Liga Europa. No momento, o quarto colocado e que estaria classificado para este torneio é o Lyon com 57.

"Nos últimos 4 anos o Saint-Etienne se classificou para a Liga Europa. Este é o nosso objetivo até o final da temporada. Sabemos que não será fácil e vamos lutar até o fim", explicou para depois falar sobre a torcida e a importância do clube na França.

"A torcida do Saint-Etienne é muito fanática. É um tipo de torcida que não se vê muito na Europa.Eles apoiam o time tanto na vitória quanto na derrota. Na hora do gol fazem uma festa incrível.Na rodada que tem o clássico contra o Lyon (nosso grande rival), a torcida marca presença nos treinos e nos apoiam o tempo todo. O Saint-Etienne é um clube historicamente muito importante na França.Entretanto, hoje não tem condições de disputar com PSG, Monaco e Nice o título. O Saint-Etienne não tem condições de contratar jogadores de grande nível e pagar altos salários", contou.

No momento, o Mônaco lidera a competição com 83 pontos. A vice-liderança é do atual campeão PSG.  Na sequência vem o Nice com 77. Lacroix acredita que a taça ficará em definitivo com a equipe do Principado.

"O Mônaco deverá ficar com o título. É uma equipe bem organizada, bem treinada pelo técnico Leonardo Jardim e tem um dos melhores ataques da Europa.Acredito que eles serão os campeões", opinou.

Pela seleção principal da Suíça , Léo Lacroix já foi convocado 4 vezes, mas ainda não entrou em campo.No momento, os suíços lideram o grupo B das Eliminatórias Europeias para a  Copa do Mundo de 2018, com 15 pontos ganhos em cinco jogos disputados. Aproveitamento de 100%. Faltam cinco jornadas para o término do qualificatório. O primeiro de cada chave se garante na Copa e o vice-posicionado disputa uma repescagem.

"Lideramos a nossa chave com 15 pontos. Em seguida vem Portugal com 12. São os atuais campeões da Eurocopa, mas confio na nossa equipe e temos grandes chances de estar na Rússia em 2018. Fui chamado 4 vezes,mas ainda não entrei em campo. Sempre que precisarem estarei a disposição. Defender o meu país em uma Copa do Mundo será um sonho de criança realizado, "seguiu.

Por fim, foi debatido o assunto terrorismo que vem assolando a Europa,em especial a França.O defensor falou sobre viver diante dessa tensão.

"Tudo que ocorre é muito ruim.Nos preocupamos sempre com familiares e amigos, pois nãos sabemos quando acontecerá o próximo atentado. É muito ruim viver nessa situação. O futebol já foi palco de terrorismo aqui na França (amistoso contra a Alemanha em 2016).  No entanto, nós temos um Deus que está no controle e temos que ter fé. Realmente é uma situação complicada e espero que tudo melhore", finalizou. 

Bônus!
Jogo-rápido:

Melhor treinador da sua carreira?
Didier Tholot. Foi ele que me lançou como profissional e depois fomos campeões da Copa da Suíça. Entretanto, todos os treinadores com quem trabalhei me ensinaram alguma coisa. O meu atual comandante Christopher Galtier, que está há nove anos no Saint-Etienne, conhece muito de futebol e tenho gostado de trabalhar com ele.

Jogador mais difícil que já teve que marcar?   
Foi o atacante Divock Origi do Liverpool. É forte fisicamente e muito veloz.

Jogo mais memorável da sua carreira?
A final da Copa da Suíça,onde o Sion venceu o Basel por 3 a 0.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Exclusivo! David Silva fala sobre futebol em Malta, Irlanda e Kuwait!

Nesta postagem, o Arquivos e Histórias F.C.  retrata a trajetória do atacante David Aparecido Silva que, como muitos brasileiros, lutou para conseguir seu espaço no futebol e se firmou no Kuwait.

Passou por muitas dificuldades, como falta de pagamento, lesões, transferências mal-sucedidas e chegou até pensar em desistir da vida de boleiro.

Inicialmente , ainda garoto, atuou como lateral-direito. No entanto, era veloz e tinha vocação para atuar ofensivamente, o que fez com que se fixasse como atacante,

David Silva em seu atual clube no Kuwait


Sua primeira equipe foi o Atlético Mogi/SP onde fez dois jogos como profissional. Depois, ainda em 2009, teve uma rápida passagem pelos juniores do Oeste de Presidente Prudente/SP e na sequência fez um acerto verbal para atuar na A.D. Guarulhos para disputar a Quarta Divisão do Paulista. Entretanto, uma fratura em um dedo do pé, fez com que o acordo não fosse fechado. Demorou dois meses para se recuperar do problema.

"Nesse período da minha vida, onde estava lesionado, sem clube, sem emprego pensei em desistir do futebol. Os clubes que atuei até me deviam e devem dinheiro. Quem me ajudou nesse momento foi o meu padrinho Hovannes que sempre me apoiou como podia. Me acompanhava nos jogos, tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais.Ele sempre esteva comigo. Meus outros familiares sempre me apoiaram, mas me aconselhavam a estudar, pois os resultados não vinham e eu estava sofrendo muito. Quem também me deu força para seguir foi a minha esposa. Conheci ela nesse período difícil da minha vida e ela falava para eu sempre tentar a carreira de futebol. Eu já queria retornar aos estudos,mas ela falou para eu insistir que iria dar certo no futebol. Enfatizava que eu não era louco para desistir dos meus sonhos (risos)", recordou o futebolista em entrevista exclusiva a este blog.

Após estar 100% fisicamente, David Silva recebeu uma proposta para atuar no Poços de Caldas no módulo II do Campeonato Mineiro. Pelo Vulcão viveu uma situação curiosa e única na carreira, que não o agradou.

" Eu já estava treinando e esperando minha situação ser regularizada para estrear. Um dia o meu treinador perguntou se eu podia ser goleiro, pois não tínhamos um reserva. A situação não foi uma coisa que eu queria e não foi aceita de uma forma tranquila. Eu estava preparado fisicamente e mentalmente para atuar na minha posição. Vale ressaltar que eu fiquei sabendo um pouco antes de iniciar o jogo. Ninguém acreditou que o técnico estava fazendo aquilo comigo. Era ruim, pois ele não estava contando comigo como atacante. Fiquei com muita raiva e não acreditando que estava passando por aquilo.Isso foi no inicio do campeonato. Depois, no final, atuei na minha função, fui um dos principais jogadores do time e ajudei a permanecer no Módulo II do Campeonato Mineiro", revelou Silva, que pela primeira vez fala sobre sua carreira para um veículo de comunicação brasileiro.

Visando crescimento na carreira, o brasileiro teve em 2011 sua primeira experiência no exterior. Atuou em Malta e na Irlanda. Entretanto, a passagem pela Europa não foi muito bem sucedida.
David está em um grande momento na carreira


"Fui para  a Europa através de um empresário. A adaptação foi difícil. Não falava inglês, estava sem dinheiro e sozinho. Passei alguns apuros. Inicialmente fiquei em Malta (Birkikara F.C.) e pouco tempo depois fui para o Shelbourne da Irlanda. Na Irlanda cheguei no meio da temporada e lá o calendário é igual no Brasil (temporada começa em janeiro e termina em dezembro) e em janeiro de 2012 voltei para Malta (metade da temporada lá) para jogar a segunda divisão. Ao término da temporada 2011/12 resolvi voltar ao Brasil. Sobre estilos de jogo, o irlandês lembra muito o futebol inglês, muito contato físico e campos pequenos. Já o de Malta lembra mais o espanhol, muito corrida, velocidade e passes em profundidade", disse o futebolista oriundo de Guarulhos/SP.

Ao retornar ao futebol brasileiro, o atleta atualmente com  27 anos, foi para a Ferroviária disputar a Série A-2 do Campeonato Paulista. Entretanto, houve problemas burocráticos devido as suas andanças no exterior e este não pode defender as cores da equipe de Araraquara/SP. 

"Quando retornei de Malta e acertei com a Ferroviária,as transferências internacionais em pouco tempo (Malta-Irlanda-Malta-Brasil) me trouxeram alguns problemas burocráticos e fiquei impedido de entrar em campo.Perdi o contrato e fiquei quase um ano desempregado. Entretanto, tive um amigo onde atuamos juntos em Minas Gerais que ajudou a resolver essa situação e posteriormente pude atuar no Joseense na Quarta Divisão do Paulista. Fomos vice-campeões e conseguimos o acesso à Série A-3. Considero uma volta por cima, pois não foi fácil ficar sem jogar e sem perspectiva de seguir a carreira", explicou o atacante.

Após conseguir se firmar como jogador de futebol, David foi novamente atuar fora do Brasil. Em 2016 teve uma rápida passagem pelo Japão e na sequência foi para o Kuwait, onde está atualmente.

"No Japão atuei no Zweigen Kanazawa, mas fiquei pouco tempo.  Fui na metade da temporada de 2016 e tive problemas com lesões. Os treinos eram muito intensos, me machuquei e praticamente não atuei. Nesse período apareceu uma proposta do Al Quadisiya do Kuwait. Este clube já havia entrado em contato comigo antes, mas eu havia preferido ir ao Japão. Com este segundo convite, eu aceitei e me mudei de país novamente. Ao contrário do que muitos pensam, o nível do futebol no Kuwait não é baixo. O futebol hoje está globalizado e não tem mais bobo nenhum", afirmou o sul-americano, que se mostra feliz e adaptado a vida na Ásia.

"Aqui tive oportunidade que não tive no Brasil. Sou respeitado aqui. Me tratam bem. É um país muito agradável de viver. Em termos de segurança e conforto é muito melhor que no Brasil. Pode andar na rua tranquilamente. A maioria da população é muçulmana, quase que 100%. Eles não te obrigam a virar muçulmano.  Há um respeito muito grande pelo estrangeiro e a sua cultura. A única coisa que pedem é que respeitem seus costumes religiosos. Por exemplo,não passar na frente deles quando estiverem rezando e nem colocar música alta. Eles rezam cinco vezes por dia", contou o brasileiro, para depois falar do amor dos kuwaitianos pelo futebol.

"O futebol aqui é muito popular. Os estádios antigamente estavam sempre cheios. Recentemente houve um problema com a Fifa e houve uma diminuição do público. Mas se Deus quiser os estádios estarão cheios novamente. A equipe onde atuo é a mais popular do País e a que tem mais torcida.Sempre está na briga por títulos. A federação local dá uma cota para os clubes e premiações por conquistas. As outras receitas vem dos sheiks, que ricos, dão o dinheiro seja como patrocínio ou amor a um clube.Querem ver seus clubes do coração serem campeões, "finalizou.

No momento, David Silva tem 20 gols anotados. 14 deles pelo Campeonato Nacional. Em 23 rodadas disputadas o Al Quadisiya é o vice-líder com 52 pontos. Dois a menos que o primeiro colocado,Al Kuwait. São 15 times na disputa.


 Crédito das fotos: divulgação

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Exclusivo! Willyan Barbosa, de Altamira/PA, passando por Turim à Ilha da Madeira

O futebol é visto como uma salvação financeira para muitas famílias. Jovens, inclusive crianças, deixam seu lar e sua cidade em busca do tão sonhado objetivo de se tornarem jogadores e claro, ajudar financeiramente seus entes queridos.

Quem convive no meio futebolístico já ouviu várias histórias assim.

O caso de Willyan Barbosa não é diferente. O atleta aos 10 anos de idade deixou para trás Altamira/PA e foi tentar a sorte em Belém/PA. Após um período em uma escolinha na capital paraense, o meia-atacante foi jogar no Real Minas/MG. De Belo Horizonte/MG o nortista foi emprestado ao Leme/SP para o torneio Viareggio na Itália. O brasileiro que estava perto de completar 14 anos chamou a atenção de vários clubes da `Bota`e aceitou o convite do Torino.

Willyan atuando pelas categorias de base do Torino

"Após o torneio vários times me procuraram. Torino, Milan, Fiorentina, Chievo , dentre outros. O Torino foi o primeiro a me convidar para fazer um teste. Após alguns dias, pediram para eu ficar. Houve acordo com o meu empresário e passei a ser jogador do Torino", explicou Willian da Silva Barbosa, em entrevista exclusiva ao Arquivos e Histórias F.C.

"Quando sai de casa eu tinha 10 anos. Fui atrás do meu sonho que era ser jogador de futebol. Cheguei na Europa próximo de completar 14 anos.O mais difícil foi a saudade da família. Estar longe dos pais e amigos não é fácil. Dentro de campo eu penso que o lado negativo é que sou desconhecido no Brasil. Logo, é difícil arrumar um clube grande brasileiro e também chegar na Seleção Brasileira. Apesar disso tudo, não me arrependo da minha escolha. O Torino me recebeu muito bem, onde me pagou um curso para aprender italiano e em cinco meses já dominava bem o idioma. Dentro de campo aprendi muito sobre tática. Aprendi a defender, atacar e jogar em equipe. Tudo que sei devo aos meus treinadores no Torino", disse o meia que também atua como segundo atacante e que pela primeira vez dá entrevista falando sobre sua carreira, em detalhes, para um veículo de comunicação brasileiro.

O sul-americano afirma que durante seu período na equipe de Piemonte viu muitos brasileiros passarem pelas categorias de base.

"Vi muitos brasileiros passarem pela base do Torino. Vieram em busca do mesmo sonho que o meu. Mas nenhum ficou. Durante o período que estive lá eu era o único brasileiro das categorias de base. A maioria eu perdi contato e nem sei se vingaram no futebol", revelou.

Barbosa afirmou que gostava do apoio maciço que a população de  Turim dava para a equipe Grená. Maior que para a rival Juventus, segundo o próprio.

"Na Itália, a Juventus tem a maior torcida. Isso é fato. Mas em Turim a torcida do Torino é maior.Nos jogos do juvenil e juniores, a torcida do Torino sempre comparecia em peso. Quando tinha clássico contra a Juventus, aumentava ainda mais o público. Sempre nos apoiavam de forma fanática. Adorava jogar no Torino", revelou o futebolista nascido no dia 17 de fevereiro de 1994.


Na temporada 2013/14, sem espaço no clube italiano, Willyan foi emprestado ao Beira-Mar que estava na segunda divisão de Portugal. Pela equipe lusitana fez sua estreia como profissional.

"No início estranhei a diferença de futebol jogado entre Itália e Portugal.Na Itália é um jogo mais tático e com mais posse de bola. Em Portugal é mais correria. Tem que estar sempre correndo.Mas aos poucos fui me acostumando", contou.

Pela equipe de Aveiro, Willyan fez 39 jogos e anotou 7 gols. Na temporada seguinte, o brasileiro foi atuar na Ilha da Madeira pelo Nacional, clube que defende atualmente. Nesse período, o grande destaque individual foram os clássicos contra o Marítimo, onde em cinco embates foram duas vitórias e três empates, anotando três gols.

Em ação pelo Nacional. Créditos: divulgação

" Nunca perdi um clássico contra o Marítimo. Toda temporada que estive aqui houve o clássico e eu sempre fui bem", explicou para dizer depois que apesar das duas equipes serem tradicionais do futebol lusitano, a população da Ilha ainda tende a torcer mais para Benfica e Porto.

"Aqui se encontra torcedores do Nacional e do Marítimo. Torcedores que apoiam e vão aos jogos. Entretanto, quando enfrentamos Benfica e Porto, por exemplo, é nítido que a maioria no estádio torce para eles. São os dois principais clubes daqui e tem torcida por toda parte de Portugal", afirmou.

Em 2016 Portugal faturou pela primeira vez a Eurocopa. Willyan estava presente no país  e falou da emoção de todos ao levantar o troféu mais importante daquele continente.

"Eu particularmente fiquei feliz pela conquista. Portugal tinha sediado em 2004 e ficado com o vice-campeonato.No dia do título aqui foi uma bagunça. Estávamos em pré-temporada e o nosso treinador nem quis dar treino no dia seguinte. Aqui na Ilha da Madeira a festa foi maior ainda, pois Cristiano Ronaldo é daqui ( cidade de Funchal). Ele é 'o cara` na Ilha. Atuou nas categorias de base do Nacional (entre os 10 e 12 anos) e há aqui CT, três campos de futebol e estádio com o nome dele. O reconhecimento é grande e o povo adora ele", explicou.

No momento, o Alvinegro é o penúltimo posicionado do Campeonato Português com 17 pontos ganhos em 27 rodadas realizadas. Tem quatro pontos a menos que o Moreirense, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. Faltando sete rodadas, a meta é evitar seu inédito rebaixamento em sua curta carreira de jogador.

"O Nacional é um clube tradicional e sempre luta por uma vaga na Liga Europa. Infelizmente, a campanha deste ano está aquém do esperado. É uma situação complicada e que eu nunca havia vivido. É difícil, pois mal consigo dormir pensando em como evitar o descenso.  Mas tenho certeza que no final vamos conseguir nos livrar do rebaixamento e na próxima temporada voltar a buscar uma vaga na Liga Europa", afirmou.

Por fim, o meio-campista ressalta que pretende encerrar a carreira no futebol brasileiro. Também revelou que gostaria de atuar em seu estado natal e de preferência no Paysandu.

"Gostaria de encerrar a carreira no Brasil. Estar perto da minha família.Se um dia puder quero jogar em um clube no Pará. Poder atuar no Paysandu , estando na Série A ou B do Brasileiro. É um time que leva muitos torcedores ao estádio. Enquanto isso não acontece eu vou fazendo a minha vida na Europa", finalizou.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Exclusivo! Lateral-direito Diego fala sobre amor pelo Botafogo e adaptação no México

Havia apenas 9 minutos de jogo quando Henrique lançou a bola para Diego Jardel, que no meio de três adversários, repassou para Diego, de cabeça e pelo lado direito  do campo,cruzar na área para Sassá, também de cabeça, fazer 1 a 0 para o Botafogo.

`"Naquele jogo o Botafogo utilizou um time B. Era a minha estreia como profissional.Todo jogador sonha com esse momento e eu pude fazer isso pulando o último ano dos juniores.  Eu lembro de tudo desse jogo. Lance a lance.Fui muito feliz dando assistência para o Sassá marcar o primeiro gol do jogo", relembrou o ala Diego em entrevista exclusiva ao Arquivos e Histórias F.C.

A partida era válida pela Copa do Brasil de 2015 e o Fogão venceu por 2 a 1. Todos sonham estar em campo em um jogo profissional pela primeira vez. Diego teve essa oportunidade neste confronto. Talvez não fosse esperado que acontecesse contra o Capivariano em Capivari/SP. Um adversário que cruzou apenas esta vez o caminho da história do Alvinegro de General Severiano. Na volta, os cariocas ganharam por 3 a 0 e eliminaram os paulistas.
Crédito: divulgação 


Naquela temporada a Estrela Solitária disputava a Série B do Brasileiro. Como todo time grande que não está na elite sempre há uma pressão para que retorne logo à Série A. De preferência com título. Foi o que aconteceu com o Botafogo.

"Tem a pressão de sempre ganhar, porque a maioria dos times da Série B são inferiores aos times grandes do Brasil.Mas internamente a diretoria confiava no nosso time e sabíamos que poderíamos sair como campeões da Série B", relembrou Diego Ferreira Matheus.

Das 38 rodadas, o ala disputou sete, vencendo duas, empatando quatro e perdendo uma.

"O jogo mais marcante para mim foi o empate contra o Sampaio Corrêa por 2 a 2 . Dei assistência para os dois gols do Botafogo, sendo um anotado pelo Neílton e outro pelo Navarro", disse o futebolista de 21 anos.

Diego nasceu em Niterói/RJ, mas foi criado em São Gonçalo/RJ onde iniciou sua carreira futebolística. Em 2007 treinava na escolinha do Fluminense no bairro Pachecos (onde vivia).Após um ano foi levado ao Botafogo onde fez quase toda a sua categoria de base. Em 2012 foi campeão carioca sub-20 e convocado para a Seleção Brasileira  juvenil, treinando por uma semana e fazendo amistosos com Flamengo e Fluminense. Dois anos depois foi novamente campeão estadual sub-20.

Voltando ao profissional, Diego trabalhou com Renê Simões e posteriormente com Ricardo Gomes em 2015. Em 2016 o comandante foi Jair Ventura que levou o Botafogo até à Libertadores. Vale lembrar que o Alvinegro era  tido como um candidato ao rebaixamento.

" Sou grato eternamente ao Renê Simões por ter me dado a chance de estrear pelo profissional.Tanto o Renê como o Ricardo Gomes são treinadores excelentes e foram ótimas experiências. Ambos tem muita vontade de vencer. Sobre o Jair Ventura e a boa campanha no Brasileirão de 2016, acredito que se deve ao fato dele escalar sempre o time de forma ofensiva e acreditar muito nas jovens promessas.Por isso que com ele o time subiu de produção", afirmou o futebolista.

"Sobre a vaga na Libertadores, comemorei muito com os meus companheiros o objetivo alcançado. Não tive muitas oportunidades com o Jair, mas fico feliz com o bom trabalho que fez e ainda está  fazendo", contou o ala que em 2016 entrou em campo em 16 oportunidades (Estadual, Copa do Brasil e Brasileirão).

Em 2017, sem espaço no B.R.F., Diego recebeu uma proposta do Jaguares do México e firmou um contrato de empréstimo até o final de dezembro.

"Meu empresário me falou da possibilidade de atuar no México e eu, sem espaço no Botafogo, aceitei para adquirir experiência internacional. Apesar de ter chego depois da pré-temporada realizada e ter me apresentado somente após a cirurgia na garganta e no nariz, tenho me esforçado bastante e acredito que o planejamento tem fluído", opinou o jogador que fala sobre sua adaptação no sul do México. 

" Jaguares fica na cidade de Tuxtla Gutierrez no estado de Chiapas.Tenho gostado de viver aqui. A cidade é bonita, o clima é muito bom e o povo é hospitaleiro. Já sei falar razoavelmente bem o espanhol. Minha família está aqui e tem me ajudado na adaptação", emendou.
Diego jogando pelo Jaguares-MEX

Até o momento, o brasileiro tem atuado na Copa Mexicana e na Liga vem sendo relacionado, mas não entrou em campo.

"Minha estreia foi contra o Necaxa, onde vencemos por 2 a 1. Fiquei feliz pelo bom desempenho que tive na estreia", disse o sul-americano que fez três partidas pela agremiação norte-americana.  

Por fim, Diego afirma que segue acompanhando o Botafogo, que chegou até a fase de grupos da Libertadores e fala sobre o que projeta para a carreira no futuro.

"O Botafogo é o clube que me projetou no futebol e estou sempre acompanhando-o. Tenho muitos amigos lá. É um bom time e tem tudo para ir bem em 2017. Na minha carreira pretendo tirar proveito dessa minha experiência no México e conseguir bons frutos no futuro, seja no Brasil ou no exterior", finalizou.




terça-feira, 7 de março de 2017

Exclusivo! Técnico Gilson Granzotto fala sobre o projeto dos Las Vegas United

Brasileiro investir em clube fora do nosso país não é novidade. Por um tempo, o Estoril de Portugal foi comandado por brasileiros.

Nos Estados Unidos, o Orlando City é dirigido majoritariamente pelo carioca Flávio Augusto Silva.Dentro de campo, Kaká é o porta-voz da equipe.

Ainda na América do Norte, o Las Vegas United F.C. foi fundado em 2016 por Márcio Granada,oriundo da nação pentacampeã do Mundo.

A equipe estadunidense tem como meta disputar em 2018 a Major League Soccer.

Recentemente o ex-zagueiro Edmílson, campeão do mundo com a Seleção em 2002 foi anunciado como responsável para dirigir as categorias de base da equipe. Há uma negociação avançada com o meia Kléberson para atuar nesta temporada.



Para falar sobre as ambições do clube, o Arquivos e Histórias F.C. conversou com o técnico Gilson Granzotto.

O limeirense de 52 anos está tendo como treinador a sua primeira experiência no exterior. No Brasil, seu grande destaque foi comandando o Gama sagrando-se campeão Candango de 2015. O Alviverde estava há doze anos sem conquistar o torneio distrital.

Em pré-temporada, Granzotto já faturou o West Side Cup, torneio disputado em Los Angeles.
Na decisão, o Las Vegas United F.C. bateu o L.A.Wolves por 2 a 1. 

Edmílson acabou sendo o homenageado pela conquista da West Side Cup


Este ano, o time de Nevada irá disputar a UPSL (United Premier League Soccer). Uma liga profissional e abaixo da MLS.

A competição inicia no dia 11 de março. Os comandados de Granzotto estreiam, em casa, diante do MF10.

Confira:
1)Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Las Vegas United e o que te convenceu a firmar um contrato?
A oportunidade surgiu pelo conhecimento que tenho do presidente. Quando era treinador do Gama, o Márcio Granada já acompanhava o meu trabalho. Não pensei duas vezes em aceitar o convite

O que me convenceu a vir foi que aqui está entre os dois países do mundo que mais investem no futebol.Venho também para conhecer novas formas táticas e novas maneiras de trabalhar.Aqui tudo é organizado e bem feito.

Temos como metas também trazer o futebol brasileiro para cá. O improviso, o drible, o futebol de rua. Mostrar um pouco do que temos de melhor no futebol brasileiro. 

2)Como tem sido a adaptação na cidade? A população já dá apoio ao clube?
Las Vegas é conhecida no mundo inteiro e o Márcio Granada viu que era uma boa oportunidade de montar um time de futebol profissional. Aqui se joga muito futebol. Nas escolas e universidades sempre tem torneios. 

A adaptação está sendo muito boa.No início foi difícil por causa do fuso horário (inicialmente 6 horas de diferença para o Brasil. Com o término do horário de verão caiu para 5).Tudo que é novo demora um pouco.Aqui  há pessoas que já acompanham nosso treinos. Em restaurantes, postos de combustíveis já nos perguntam sobre o time. Querem saber detalhes.


3)Qual o planejamento dos Las Vegas a médio e longo prazo?
Vamos disputar a UPSL. Uma liga que já tem em cinco estados. Vamos disputar com equipes de Nevada

Aqui nos Estados Unidos é tudo a longo prazo.Um planejamento extenso. 

O nosso objetivo é fazer um profissional forte e ser campeão da UPSL. O primeiro passe é esse.

O Edmílson veio para cá para montar escolinhas e categorias de base (sub-20). Para tudo isso acontecer, o profissional tem estar forte e ganhar títulos para dar exemplo as categorias de base.

4)O que tem achado de viver e trabalhar nos EUA? Mesmo estando em uma equipe com muitos brasileiros, há diferença no dia-a-dia?
A única diferença de trabalhar aqui é que as leis são cumpridas e tudo funciona. Já no dia-a-dia do futebol tem muita coisa diferente, muita coisa para ser mudado. O que vejo de diferença é que eles cumprem o que é determinado e não tem o `jeitinho`.

5)O clube tem feito parcerias com atletas renomados como Edmílson e Kléberson. O que tem achado dessa aproximação?
Ótima! Tive a oportunidade de falar com o Kléberson no telefone. O Edmílson já esteve aqui. São dois campeões do mundo e com eles no time a nossa credibilidade só irá aumentar.

6)Falando um pouco sobre sua carreira, que estilo de jogo prefere para a sua equipe?
Eu gosto de jogar no 4-3-3. Ofensivo. Mas um time que sem a bola sabe se defender. Acho que a ofensividade, a criatividade e aquilo que leva ao gol temos sempre que procurar incentivar o atleta a fazer. Deixo que com a bola nos pés eles sejam criativos, mas claro dentro do nosso padrão de jogo.

Vou com esse pensamento até o dia que eu acho que terei que mudar. Vou com as minhas ideias e a do meu auxiliar (Cláudio Pinto).

7)Por fim, a vida de treinador no Brasil é muito inconstante. Qualquer má fase de uma equipe, o técnico é sempre demitido.Como analisa essa cultura de demissão de técnicos e acha que nos Estados Unidos terá uma segurança maior no cargo?
Sobre técnico no Brasil, desde quando eu jogava tinha esse problema. Parei de atuar e segue com isso. Não acho que vai mudar. Isso já virou rotina no futebol brasileiro. Não vejo como mudar.

Aqui não sei como funciona, mas não venho pensando nisso, vim para cá para ser campeão, aprender e deixar que Deus encaminhe tudo.

Bônus:
Um resumo, pelo próprio Granzotto, sobre sua carreira :
"Parei de jogar em 2000 e em seguida virei auxiliar-técnico. Nessa função trabalhei com Luis Carlos Ferreira, Edson Vieira e Moisés Egert. Como o mundo da bola diz o auxiliar trabalha muito mais que o treinador. O auxiliar sempre é mais próximo dos jogadores e observa os trabalhos do comandante no dia a dia. Tem que captar toda a metodologia do treinador para na hora do jogo ajudá-lo quando necessário.Passei pelas categorias de base do Rio Branco/SP (2009), onde montei um time que disputou a Taca São Paulo de Juniores.

Em 2011 trabalhei como técnico em um projeto do Zico (algumas vezes levava também o nome do Cafu) e excursionamos por vários países na Europa (Alemanha, Espanha, Bélgica e Holanda) e para Dubai. Foi muito bom ter esse intercâmbio futebolístico. Poder ver situações de jogo que fazem na Europa e no Brasil não. Conhecer esquemas táticos, ver o comportamento dos jogadores em campo. Foi bom para crescer como treinador.Sobre ser campeão candango com o Gama em 2015, título é sempre bom. Na preparação fizemos uma excursão ao México e isso nos fortaleceu para a temporada. O Gama não era campeão candango há 12 anos e esse título deu a possibilidade da equipe disputar a Série D do Brasileiro e a Copa do Brasil e Copa Verde de 2016. Agora estou aqui nos Estados Unidos. Em dois meses de trabalho já consegui um troféu que é fruto do nosso trabalho e naquilo que acreditamos." 


Crédito das fotos: divulgação 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Exclusivo! Wanderson Lima fala sobre sua experiência em Portugal!

Nesta postagem, o Arquivo e Histórias F.C. traz uma reportagem com o lateral-direito Wanderson Lima, que após uma passagem por Portugal, retornou ao Brasil para defender o Foz do Iguaçu/PR.

O atleta de 22 anos iniciou sua carreira no Vila Nova/GO em 2011. Pelas categorias de base venceu três estaduais e uma Taça de Goiás.

Wanderson em sua passagem pelo Tondela


Em 2014 atuou profissionalmente pela equipe do Centro-Oeste  sendo campeão da Segunda Divisão de Goiás e da Série C do Campeonato Brasileiro.

"Tive uma passagem muito boa pelo Vila Nova. Os torcedores tem um respeito muito grande por mim.  Fiz história no Vila. Em 2014, o clube estava na segunda divisão do estadual e fomos campeões, retornando à elite. Joguei todas as partidas. Na Série C do Brasileiro eu era titular e só não participei da semifinal e final, pois meu contrato estava no fim e eles queriam que eu renovasse e eu não queria. Por conta desse impasse, não fui escalado para as fases finais. Entretanto, fico feliz em ter feito parte do elenco campeão da Série C ", recordou o futebolista, que teve uma breve passagem pelos juniores do Corinthians.

Em 2015, Wanderson Lima Cunha foi se aventurar em Portugal. Mais precisamente no Tondela. Sua participação no clube norte lusitano foi marcante, pois conseguiu livrar a equipe do rebaixamento para a Série B.

"Era a primeira vez na história que o Tondela estava disputando a Série A de Portugal. Eu cheguei, a equipe estava na última colocação. Conseguimos manter o clube na elite. Participei efetivamente dos últimos jogos e o torcedor reconhece nosso esforço até hoje", disse o atleta.

Lima afirma que durante sua estadia em Portugal, aprendeu a marcar mais e enalteceu o fato de trabalhar com o ex-jogador Petit (Armando Gonçalves Teixeira), seu treinador.

"Eu sempre fui um lateral ofensivo. Em Portugal há uma exigência grande na marcação.  Quem me ajudou na parte da marcação foi o técnico Petit. Um dos melhores treinadores que já trabalhei. Como foi um meio-campista que sabia marcar muito, ele exigia isso de seus jogadores. Hoje tenho uma boa noção de marcação e devo muito ao Petit", revelou o brasileiro.

Após uma rápida passagem pelo Varzim, o ala retornou ao seu país de origem e no momento defende o Foz do Iguaçu/PR. O atleta afirma que retornou para aparecer no cenário brasileiro e para estar próximo de sua filha, que recém nasceu.

"Eu quis voltar ao cenário brasileiro. Aparecer aqui. Veio uma proposta do Foz do Iguaçu e aceitei. Claro, o time ainda está mal na tabela, mas estamos jogando bem e acredito que possamos escapar do rebaixamento. Voltei também porque a minha filha acabou de nascer e é uma forma de estar próximo dela", finalizou o lateral-direito.

No momento, o Foz é o penúltimo colocado do Paranaense com 4 pontos ganhos em seis jogos disputados. Os dois últimos colocados são rebaixados. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Exclusivo! José Leão fala sobre seu período no Inter e no futebol catarinense!

Foram 14 anos (2001/15) trabalhando no Internacional. Os três primeiros atuando na escolinha de futebol do Colorado e os outros nas categorias de base. Chegou até o sub-20.

Pelo seu comando passaram atletas como os laterais William e Gefferson (este atualmente no Vitória),o volante Rodrigo Dourado, os meias Andrigo, Gustavo Ferrareis e Valdívia , dentre outros.

Sob o comando do lado vermelho de Porto Alegre/RS foi 9 vezes campeão gaúcho, 2 Brasileiros ( sub-14 e sub-20). Foi também treinador da Seleção Gaúcha sub-15 em 2011 vencendo o Torneio da Amizade contra o Uruguai.

José Luis Baptista Leão se formou em educação física pela UFRGS em 2001. O treinador de 40 anos é pós-graduado em técnico desportivo em futsal e futebol. 
Crédito: divulgação/P2Assessoria 

Nesta entrevista, o gaúcho de Porto Alegre/RS fala de sua experiência e títulos no comando do Colorado, os trabalhos e suas rápidas passagens pelo profissional da Caçadorense/SC (2015), equipe sub-20 do Tubarão/SC e Criciúma (auxiliar-técnico em 2016), seu último clube. 

Também foi abordado o momento atual do Inter e a situação dos técnicos no Brasil.

Confira:
1) Chegou ao Internacional em 2001 e permaneceu até março de 2015.O que mais te marcou em sua passagem pelo Inter e na sua opinião quais os títulos mais importantes que conquistou?

Cheguei ao Inter em 2001 através de ex-colegas de faculdade que estavam trabalhando na escolinha do clube. Fiquei lá quase 14 anos e muitos dos jogadores que estão subindo ao profissional, principalmente a geração nascida entre 1995/96 , passaram pelas minhas mãos. O mais marcante mesmo é ver os atletas subindo ao profissional e dando certo.

Sobre os títulos, disputei 11 Campeonatos Gaúchos e ganhei 9. Venci dois Brasileiros. Um Brasileiro sub-14 em Votorantim/SP e o Campeonato Brasileiro sub-20 de 2014. O título do sub-20 foi o auge da minha carreira.

2) Esse título do Brasileiro sub-14 em Votorantim/SP tem um fato curioso em que o Inter calou a torcida adversária que já dava como certa a vitória, correto?
A semifinal foi contra o Votorantim/SP, time que da cidade-sede do torneio.O estádio estava cheio. No tempo normal o jogo foi 1 a 1. Na prorrogação eles fizeram 2 a 1. Nós estávamos com dez em campo, pois o zagueiro Eduardo (atualmente no profissional do Inter) foi expulso. Quando o fim do jogo foi se aproximando a torcida começou a comemorar. Estavam eufóricos e já pensando na final. Faltando menos de um minuto para acabar a prorrogação, o meia Gustavo Ferrareis estava no meio do campo e arriscou um chute e acertou o gol! Foi um gol improvável! Calou o estádio. A decisão foi para os pênaltis e vencemos. Essa história é incrível!

3)Dentre os vários jogadores que você trabalhou na base, um que você descobriu foi o volante Rodrigo Dourado. Como foi essa descoberta?
Na verdade, eu tinha um colega no Inter que disputava torneios estaduais  de futsal e em um desses jogos, pelas suas andanças no estado, viu um torneio de meninos e se impressionou com o Dourado, até então com 11 anos e me falou sobre ele. Eu pedi para que fossem atrás do garoto para que fizesse um teste no Inter. Ele fez e passou.

Diria que quem deu aval para que o Dourado entrasse no Inter fui eu. Trabalhei com o atleta desde os seus 11 anos de idade. É muito gratificante ver que se tornou um dos principais jogadores do profissional.

4)Em 2015 o Internacional viveu possivelmente seu último grande momento com o time semifinalista da Libertadores. Naquela equipe havia vários atletas das categorias de base que trabalharam contigo, como os laterais William e Geferson e os meio-campistas Rodrigo Dourado e Valdívia. O time era muito bom e por pouco não foi para a decisão. Um ano e meio depois esses mesmos atletas entraram para a história do clube com o inédito rebaixamento à Série B do Brasileiro. Primeiro, gostaria que você me disse porque acha que esses atletas que viveram um auge em 2015 caíram de produção, principalmente o Geferson? Como viu esses atletas, que você os formou, terem feito parte do rebaixamento? Por fim, como viu essa queda do Inter?

Em 2015 o técnico era Diego Aguirre e com Campeonato Gaúcho e Libertadores ao mesmo tempo  houve um rodízio com os atletas. Nessa variação de escalações vários garotos da base se firmaram no profissional como William, Geferson, Dourado e Valdívia, por exemplo. Na Libertadores, o time era forte. Mesclava juventude com experiência.  Esses atletas mais novos tiveram sua afirmação no profissional e sua valorização. Sobre a queda de rendimento, infelizmente o time como um todo acabou caindo de produção.

Sobre o rebaixamento do Inter, fico muito chateado em ver um clube onde trabalhei por muito tempo indo para a segunda divisão.Não sei exatamente os motivos que levaram o Inter à Série B, pois já não trabalhava mais lá. É duro, mas foi um ano triste para a história do Internacional.

5)Ainda tem contato com alguns jogadores da base do Inter, como Dourado e Valdívia, por exemplo? Se sim, chegou a conversar com eles sobre o rebaixamento? O que um técnico fala para um jogador quando este participa de um rebaixamento? Principalmente se tratando de um time grande como o Inter?
O contato que tenho com eles é mais pela internet. Por redes sociais. Sobre o que falar é um pouco difícil, pois eu não estava mais no clube. Logo eu não sei detalhes do que houve com o rebaixamento. Agora como alguém que está de fora, mas os conhece das categorias de base eu diria para eles reverem os erros do rebaixamento e que ficassem no Inter para devolvê-lo à Série A do Brasileiro. Infelizmente, o rebaixamento é uma marca negativa na carreira dos jogadores e o melhor jeito de amenizar é subindo com o Inter para a Série A.

6)Falando sobre o Valdívia,o meia vivia um ótimo momento em 2015 . Era um dos principais jogadores do elenco e ídolo da torcida. No fim de 2015 sofreu uma lesão grave em um dos joelhos e ficou 8 meses afastado do futebol. Até então não voltou a ter a mesma sequência boa de jogos que tinha. O quão a lesão dificulta a volta de um jogador a atuar em alto nível?
 Ele sofreu uma lesão grave no joelho. Estava no auge da carreira quando se lesionou. Certamente se não tivesse tido esse problema seria convocado para disputar a Olimpíada pela Seleção Brasileira.Todo jogador que está no auge e se lesiona, quando se recupera dificilmente volta a atuar em grande nível em pouco tempo . A vantagem dele, se é que tem vantagem em lesão (risos), é que é um jogador jovem (nascido em 1994), se recupera mais rápido e tem tempo para resgatar a confiança, pois no início todos ficam ressabiados. Creio que se não tivesse tido essa lesão, o Inter não seria rebaixado no Brasileiro.

7) Falando sobre categorias de base,há muitos jogadores que se destacam no infantil, juvenil, juniores e não vingam como profissionais. O que leva alguns atletas tidos como promessas da base de um clube a não conseguir ser profissional? Um treinador consegue identificar se um jogador tem potencial só na base e não no profissional?
São vários fatores que interrompem um jogador de chegar ao profissional. As vezes é lançar no profissional antes do tempo. Antes de estar pronto. Um exemplo foi o volante Rodrigo Dourado que fez sua estreia no profissional em 2012 em uma partida contra o Sport/PE. Dourado não foi bem e seguraram mais um pouco. Precisava de um tempo maior para atuar no time de cima. Como treinador de base temos que ter cuidado e saber o momento certo de lançar o jogador. Outro exemplo foi ano passado com o atacante Bruno Baio que estreou contra o Fluminense no Maracanã. Também não foi bem. Já o meia Fred fez sua no Inter contra o Atlético/GO no Beira-Rio. Foi o ano que o clube goiano foi rebaixado no Brasileirão e foi uma estreia mais fácil para o Fred (atualmente no Shaktar Donetsk-UCR).

Essa identificação, de saber o momento certo, não é muito fácil.  Conseguimos ter alguns sinais, como personalidade e conhecimentos técnicos e táticos que o jogador tem. Amadurecimento do entendimento de um jogo. Tem que ver a estrutura familiar do garoto. Como o empresário gere a carreira dele.

Em geral,a maioria dos jogadores que chegam aos juniores de um time grande tem totais condições de virarem profissionais. Estando nos juniores de um clube grande, dificilmente não se torna profissional. Eles estão bem assessorados e bem monitorados para virarem profissionais.

8)Como já mencionado nesta entrevista, sua trajetória começou em 2001.O que acha que mudou no trabalho de categoria de base de lá para 2017?
Hoje o futebol é mais estudado. Há inúmeros detalhes e uma integração maior entre diversas áreas como psicologia, nutrição e fisioterapia, por exemplo.

Atualmente no futebol rola muito mais dinheiro.Jogadores da base com altos salários. Com certeza os jogadores estão mais focados e dedicados na afirmação de suas carreiras.

Em sua passagem pelo Criciúma.Créditos: Fernando Ribeiro/Site oficial do E.C.Criciúma


9)Sobre sua carreira, em 2015 teve uma curta passagem pelo profissional do Caçadorense e em 2016 treinou o time sub-20 do Tubarão/SC e na sequência foi auxiliar-técnico do Marcelo Mabília do Criciúma na Série B do Brasileiro. Como foram essas experiências?

Em 2016, Mabília foi contratado para dirigir o Tubarão na Série B do Catarinense e me indicou para trabalhar no time sub-20.

Quem administra o Tubarão é a empresa K2 Soccer. É um projeto inovador e interessante.Tem tudo para dar certo.

Foi muito bom trabalhar lá. Recebia o salário em dia e tinha total liberdade para treinar a minha equipe.

Já no Criciúma, o Paulo Pelaipe me levou para ser auxiliar do técnico Roberto Cavalo.Cheguei no segundo turno da Série B do Brasileiro . Foi a minha primeira experiência como profissional. Ajudou bastante na minha carreira. Era uma realidade diferente das categorias de base. É uma preparação diferente de jogo e de treinamentos. Vou levar essa experiência para o resto da minha vida no profissional.

Por fim, em dezembro passado ainda voltei ao Tubarão e fui auxiliar de Marcelo Mabília na Série B do Catarinense. Nos desligamos do clube em fevereiro deste ano.

10) Detalhe mais sobre essas diferenças da rotina entre treinar um time de base e um profissional.
No profissional você lida com atletas já formados, alguns parando e que não querem mais aprender. É necessário ter habilidade para saber lidar com essa realidade que existe no profissional.

Nos jogos, muitas situações que ocorrem os jogadores já vivenciaram. Muitas situações não são novidades para eles. Diferente da base onde muitos vivem suas experiências pela primeira vez.

11) Em 2016 alguns clubes brasileiros quebraram o círculo vicioso de técnicos e apostaram em jovens treinadores como o Flamengo com Zé Ricardo e o Botafogo com Jair Ventura. Ambos foram bem, conseguindo classificação para a Libertadores e mostrando um futebol ofensivo. Nesta temporada, o Corinthians efetivou Fábio Carille. Isso dá esperança para que você consiga seu espaço furando esse círculo vicioso?
Torço muito para que esses treinadores tenham sucesso,pois vieram da base como eu. Com esses técnicos tendo bons resultados, se abrirão portas para uma nova geração de treinadores.

12)Trabalhou muito tempo no futebol gaúcho e desde de 2015 tem experiência no futebol catarinense. Como vê o futebol desses dois estados?
Acho que o Campeonato Catarinense está mais equilibrado, com pelo menos cinco equipes lutando pelo título.Equipes menores com uma estrutura boa de trabalho e melhor que as equipes pequenas do Rio Grande do Sul. Diria hoje que o futebol catarinense está um pouco a frente do futebol gaúcho.

13)Por fim, o que planeja para a sua carreira em 2017?
Quero seguir como auxiliar-técnico de um time profissional ou ser de fato o treinador. Estou me preparando muito para o momento de ser treinador de uma equipe profissional.