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quinta-feira, 16 de abril de 2020

História! Jogadores relembram o vice-campeonato do Goiás na Sul-Americana!

2010 era um ano que poderia ter sido totalmente trágico para o Goiás e não foi. Também poderia ter sido épico, mas ficou no quase. No entanto, entrou para a história.
Goiás na final da Sul-Americana.Imagem: Assessoria da Federação Goiana de Futebol

No Estadual, o Alviverde ficou em 4° lugar. Na Copa do Brasil, parou nas oitavas de final diante do Vitória. No Brasileirão, foi rebaixado.  Entretanto, havia a Copa Sul-Americana e este torneio foi o que salvou a temporada do clube do centro-oeste.

" Era um ano para dar tudo errado para o Goiás. Sem conquistas e com o rebaixamento no Brasileirão. Time sem dinheiro. Mas na Sul-Americana a equipe engrenou , surpreendeu e fez uma bela campanha", disse Fernando Lima, jornalista da CBN/GO, que em 2010 cobriu os jogos pela Rádio Bandeirantes, em entrevista exclusiva à este blog.

"Foi um ano conturbado. Problemas políticos internos e saída de jogadores para outros clubes.Ficamos 12 partidas no Brasileirão sem vencer. Houve a pausa para a Copa do Mundo e não fizemos uma preparação ideal.Não nos preparamos bem nem fisicamente,nem tecnicamente nem e taticamente. Isso pesou na volta do Brasileirão. Era um time experiente e aguerrido, mas com o potencial pouco explorado", relembrou o ex-zagueiro Marcão, em entrevista exclusiva à este blog.

"Eu tive uma lesão no cotovelo e fiquei um bom tempo afastado.Quando voltei, a campanha no Brasileirão era ruim. Nós jogávamos bem, mas não conseguíamos os resultados necessários. A Copa Sul-Americana foi a competição que vimos como uma forma de salvar a temporada. Já estávamos mal no Brasileirão, logo, fizemos da Sul-Americana a competição da nossa vida. Como sempre fazíamos o primeiro jogo em casa, tentávamos usar o critério 'gol fora de casa' a nossa favor. Fazer um bom resultado em casa e depois buscar um gol como visitante e segurar o placar", explicou o ex-goleiro Harlei, em entrevista exclusiva à este blog.

A competição continental ainda não tinha tanto prestígio dos brasileiros como atualmente. Mas conforme, uma equipe ia avançando e sonhando com um título, acabava dando mais foco. Principalmente se no meio do caminho havia rivais gigantes do nosso continente. Como foi o caso em 2010.

Naquela edição, os times brasileiros entraram na segunda fase e houve confrontos caseiros. O adversário dos Esmeraldinos foi o Grêmio.

O primeiro embate ocorreu no dia 5 de agosto, no Serra Dourada e terminou empatado em 1 a 1. Os gaúchos abriram o marcador aos 35 minutos. O meia Douglas, entre o meio-campo e a grande área, faz um belo lançamento para Maílson, que dá um toque de calcanhar para Hugo, que finaliza, da área e anota: 1 a 0. Os anfitriões buscavam o empate, mas sem apresentar um grande futebol. O tento veio aos 33 minutos da segunda etapa, em cobrança de pênalti, de Rafael Moura.

O duelo da volta foi em Porto Alegre/RS, no antigo Estádio Olímpico e marcou a estreia de Renato Gaúcho no comando tricolor.  Mas a equipe de Émerson Leão, que entrou com força máxima nesta peleja, venceu por 2 a 0. Os gols foram anotados por Amaral, aos 9 do primeiro tempo e Everton Santos aos 45 da segunda etapa.

Nas oitavas de final, o adversário foi o tradicionalíssimo Peñarol. O primeiro encontro foi no dia 14 de outubro, no Serra Dourada. A equipe uruguaia contava com jogadores conhecidos, como Arévalos Rios , que defendeu a Seleção Uruguaia e teve uma rápida passagem pelo Botafogo, Fabián Estoyanoff (passagens por futebol espanhol e asiático) e o já veterano Santiago Solari, que fez história no Real Madrid e na Inter de Milão. Já o Alviverde tinha uma novidade no banco de reservas: Émerson Leão saiu e deu lugar a Jorginho (ex-lateral-direito campeão mundial de 94 com a Seleção Brasileira).

Neste confronto, os anfitriões partiram desde o início para cima dos uruguaios e o único gol saiu aos 21 minutos do primeiro tempo. Wellignton Saci cobrou escanteio, um jogador goiano cabeceou e a bola caiu nos pés de Rafael Moura que apenas concluiu para as redes.

O embate da volta aconteceu uma semana depois, no Estádio Centenário. O duelo entre uruguaios e brasileiros foi movimentado e terminou 3 a 2 para o time de Montevidéu.

Quem abriu o marcador foi Rafael Moura aos 17 minutos. O zagueiro Marcão, no meio-campo, faz um lançamento para He-Man, que na entrada da área, mata a bola no peito, domina-a, se livra de dois marcadores aurinegros, finaliza na saída do goleiro e faz 1 a 0. 

O empate veio aos 38 minutos, com Rámis cruzando na área,  Valmir Lucas afastando mal de cabeça, a bola sobrando  para Pacheco finalizar, Harlei tenta defender, mas dar rebote para Mathías Corujo chutar e fazer: 1 a 1.

Cinco minutos depois, em lateral a favor do Peñarol, a bola vai à área goiana, Ernando afasta mal, Sosa chuta e vira o marcador: 2 a 1.

O segundo gol dos Esmeraldinos veio só aos 31 minutos do segundo tempo. O meia Carlos Alberto (que havia entrado no lugar de Felipe),  recebe a bola no meio-campo, se livra de 4 marcadores e pelo lado direito do campo, finaliza na saída do goleiro, anotando um belo gol.

Aos 39 minutos, em mais um lançamento à área brasileira, a zaga do Goiás novamente afasta mal e a bola sobra para Martinuccio (com passagem por Fluminense e Cruzeiro) chutar e fazer 3 a 2. 

Derrota com sabor de vitória, pois devido ao fator 'gol fora de casa', os goianos avançaram às quartas de final.

"Depois dessa vitória, vimos que dava para ir longe. Esse jogo nos deu uma confiança muito grande. Foi pegado,difícil e falamos: 'é para a gente. Dá para ir longe'", afirmou Marcão, que atuava tanto na função de lateral como de zagueiro.

Nas quartas de final, o destino reservava um oponente brasileiro: o Avaí. 

As duas equipes lutavam contra o rebaixamento no Brasileirão e só os catarinenses se salvaram. 

O primeiro encontro entre os dois, pelo torneio continental, foi no dia 28 de outubro, na capital goiana.  

O placar foi aberto aos 29 minutos, quando a zaga do Avaí tenta sair jogando, mas é interceptada por um atleta goiano, que recupera a bola, faz um lançamento rasteiro para Rafael Moura, que chuta e anota: 1 a 0.

O empate da Azzurra veio no segundo tempo aos 6 minutos com Davi cobrando pênalti. Aos 25 minutos, Diego Orlando, no meio-campo, lança a bola para Marcelinho, que finta um adversário, e pelo lado direito, da entrada da área, finaliza por cima de Harlei, anotando um golaço.

Atrás do marcador, os Esmeraldinos foram para o ataque e nos acréscimos conseguiram o empate com Rafael Moura. Em um bate-rebate dentro da área, a bola sobrou para o centroavante finalizar e fazer: 2 a 2.

O duelo da volta aconteceu no dia 11 de novembro, em Florianópolis.As duas equipes partiram para cima e buscaram a classificação.Foi um jogo equilibrado e com chances para os dois lados.  Quem levou a melhor foi o time do Centro-Oeste. Aos 45 minutos do primeiro tempo, em escanteio cobrado, a bola sobrou para Rafael Moura finalizar e fazer o tento do triunfo e da classificação às semifinais.

Novamente, o próximo adversário era um brasileiro: o Palmeiras. 

O Palestra Itália priorizou a Copa Sul-Americana em detrimento do Brasileirão, pois, acreditava que era mais fácil garantir uma vaga na Libertadores de 2011. O campeão teria esse direito.

A primeira partida foi no dia 17 de novembro, no Serra Dourada. Artur Neto, que havia substituído Jorginho, mandou a campo: Harlei: Douglas, Rafael Tolói e Ernando; Wellington Saci,Marcão, Amaral, Carlos Alberto e Marcelo Costa; Felipe e Rafael Moura.

Já Luiz Felipe Scolari escalou: Deola; Márcio Araújo,Maurício Ramos, Danilo e Gabriel Silva; Edinho, Marcos Assunção,Tinga e Lincoln; Kléber e Luan.

Os paulistas foram melhores na partida e desde o início atacaram os Esmeraldinos. O grande diferencial da equipe do Sudeste era o volante Marcos Assunção, pois todas as jogadas passavam por ele e também decidia alguns jogos finalizando, tanto em faltas como em arremates de fora da área.  E neste confronto, foi mais um para a conta do meio-campista. Logo aos 2 minutos da segunda etapa, Assunção recebe a bola no meio-campo, avançava alguns metros, finaliza 'do meio da rua' e no ângulo! Sem chance para o goleiro Harlei.  O tento garantiu o triunfo dos visitantes.

Após esse revés, o Goiás enfrentou o Santos, pela antepenúltima rodada do Brasileirão, no dia 21 de novembro, em casa e acabou goleado por 4 a 1. A derrota fez com que o clube do Centro-Oeste fosse matematicamente rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Essa foi a situação, que os goianos foram tentar se reabilitar diante do Palmeiras, no dia 24, no Pacaembu.

Os paulistanos foram a campo com a mesma escalação do confronto de ida.  Já os visitantes tiveram apenas uma alteração: Otacílio Neto no lugar de Felipe.

Com o apoio da torcida, o Palestra Itália começou partindo para cima do rival  e criou várias chances de gol. O placar foi aberto aos 33 minutos. Edinho, no meio-campo, faz um longo lançamento para Luan, que mata a bola no peito, corre junto a um marcador até a entrada da área, finaliza com força e faz: 1 a 0.

Nos acréscimos da primeira etapa, os Esmeraldinos tem uma falta a favor na entrada da área. Marcelo Costa bate, a bola vai ao travessão e no bate-rebate, a 'gorduchinha' sobra para Carlos Alberto cabecear e empatar. 1 a 1.

No segundo tempo, o Goiás voltou acreditando que podia se garantir na próxima fase e começou pressionando os palmeirenses. Já os comandados de Scolari conseguiram reequilibrar o duelo e quando pareciam dominar a partida, sofreram a inesperada virada.

Aos 36 minutos, uma falta no meio-campo a favor do Goiás foi cobrada na área e após um bate-rebate, ela sobra para Otacílio Neto tocar para Marcão, que vai até a linha de fundo, cruza, Rafael Moura toca de cabeça para Ernando cabecear para o fundo das redes.

A torcida que cantava no Pacaembu ficou em silêncio, não acreditando no que via em campo. Relembrando que naquele período, o Palmeiras vivia um período conturbado, com poucos títulos e muita pressão dos adeptos por dias melhores. A noite foi trágica para os paulistanos, mas de muita festa para os Esmeraldinos, que pela primeira vez disputariam uma final de um torneio internacional.
Rafael Moura, Carlos Alberto e Marcão comemorando a classificação à final. Imagem:Marcos Ribolli/Globoesporte.com


"Na primeira partida, em casa, não atuamos bem. Perdemos e todo mundo já dava o Palmeiras como classificado. Eu havia recém saído do Palmeiras e sabia como estava o ambiente: muita pressão.  No jogo da volta, quando o primeiro tempo acabou 1 a 1, no vestiário, falei que a gente só precisava de 1 gol e depois ficar segurando o resultado. A pressão ia ser grande e dificilmente eles iriam virar. Quando saiu o segundo gol, eu vi no semblante dos jogadores deles  o abatimento e que não iriam conseguir o empate e a classificação. Nosso time se defendeu de forma consciente e segura", revelou Marcão.

"Depois de perder em casa, nós entendemos que nada estava perdido e tínhamos que acreditar na classificação. Fomos para São Paulo/SP e lutamos até o fim. Tinha o critério do gol fora de casa e usamos a nosso favor", relembrou o ex-atacante Felipe em entrevista à este blog.

O rival da final seria o maior vencedor de Libertadores da história: o Independiente da Argentina.

Já sem objetivos no Brasileirão, o foco foi apenas na decisão que poderia salvar a temporada. Logo, o elenco foi poupado das últimas rodadas do torneio doméstico e se concentrou totalmente na final. Quase venceram. Foram jogos com muitos gols e muitas polêmicas.

O duelo de ida foi no primeiro dia de dezembro. Com um Serra Dourada lotado (diferente de outros jogos, onde em algumas ocasiões o público girava em torno de 2 mil pessoas), o Goiás entrou em campo com:  Harlei; Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas, Carlos Alberto, Amaral,Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto e Rafael Moura.

O time empurrando pela torcida partiu para cima dos portenhos e apresentou um futebol eficiente (o que fazia muitos se questionarem o porque de não jogarem assim ao longo do ano) e com 20 minutos anotou 2 gols.

O marcador foi aberto aos 14 minutos, onde um defensor da equipe argentina tenta afastar a bola, mas Carlos Alberto, intercepta e meio 'sem querer' acaba lançando para Rafael Moura, que finaliza na saída do goleiro e faz o seu sétimo gol pela Copa Sul-Americana.

Seis minutos depois, Marcelo Costa partiu para o ataque, tocou para Douglas que pela linha de fundo, lançou rasteiro a bola à área, passando por dois jogadores argentinos, sobrando para Otacílio Neto finalizar e fazer 2 a 0.

O Rey de Copas havia ido a campo com Navarro; Velásquez,Tuzzio e Galeano; Cabrera, Battion, Fredes, Godoi e Mareque; Parra e Silvera.

"No segundo tempo, o Independiente teve o atacante Silvera expulso. Penso que o técnico Artur Neto deveria ter colocado o time para frente para fazer o terceiro gol. Mas a preferência foi segurar o 2 a 0. Penso que se conseguisse fazer três, já matava a partida e o título ficaria bem mais próximo", comentou Fernando Lima, que só não cobriu in-loco, a partida contra o Peñarol no Uruguai.

"Fomos superiores o jogo todo. Jogamos com um a mais no segundo tempo e penso que poderíamos ter feito uma vantagem maior, embora tivemos o domínio da partida", emendou Harlei.

Já a volta foi no dia 8 de dezembro e este confronto até hoje é lembrado pelos jogadores do Goiás.Pelo lado negativo, principalmente.

Inicialmente, os diretores da equipe de Avellaneda informaram, por escrito, que os jogadores do clube brasileiro poderiam fazer um treinamento no Estádio Libertadores de América (palco da final).Fato que acabou não ocorrendo.

Depois, a delegação do clube do Centro-Oeste, não teve sossego no hotel,uma vez que na véspera da partida, torcedores da equipe vermelha soltaram rojões em frente aos quartos dos futebolistas e estes tiveram o sono prejudicado.

Para este decisivo encontro, Arthur Neto mandou a campo o mesmo time que venceu a ida por 2 a 0. Já Antonio Mohamed entrou com: Navarro; Velásquez,Tuzzio e Matheu; Cabrera, Battion, Fredes, Godoi e Martinez; Parra e Rodriguez.

O placar foi aberto aos 18 minutos. Em cobrança na entrada da área, Cabrera cobrou para o lado, um companheiro de time lançou a bola na área para Matheu, que finalizou para Harlei fazer uma boa intervenção, mas no rebote Parra fez 1 a 0!

Três minutos depois, os Esmeraldinos foram ao ataque com W. Saci, que cruzou na área para Rafael Moura de cabeça empatar a partida.Cinco minutos depois, Mareque vai ao ataque, tenta lançar a bola para Parra, a zaga do Goiás tenta dar o bote, mas sem querer põe a bola para dentro. Um lance bem esquisito. 2 a 1.

Aos 34 minutos, os argentinos vão novamente ao ataque, lançando a bola na área, a defesa do Goiás tenta afastar, mas Parra aproveita e faz 3 a 1.

Embora, o primeiro tempo tenha sido bem movimentado, a segunda etapa não houve gols. O regulamento previa que na final, o critério 'gol fora de casa' não seria usado em caso de desempate. Então, a disputa foi para a prorrogação, onde não houve gols e a decisão foi para os pênaltis.

El Rojo acabou vencendo por 5 a 3, faturando mais um título internacional em sua história. Felipe, que entrou no decorrer do jogo, acabou desperdiçando a terceira cobrança dos Esmeraldinos.

Brasileiros foram derrotados nos pênaltis. Imagem: Reuters


Entretanto, o Goiás acabou reclamando muito do trio de arbitragem comandado por Oscar Ruiz (Colômbia), onde segundo os jogadores, tendenciou demais a favor do time anfitrião.

"Em 2008, eu disputei a final da Copa Sul-Americana pelo Internacional e senti que o clube teve todo o apoio da CBF e dos bastidores. Com o Goiás, não. Senti que estávamos sozinho. Não tivemos nenhum apoio nos bastidores", disse o ex-zagueiro Marcão.

"Não pudemos treinar no Estádio do Independiente, ai fizemos um treino no CT do River Plate. Ali, tinha alguns torcedores que nos falaram: 'cuidado com o árbitro desse jogo'. Na hora não demos importância, mas durante o jogo percebemos a diferença. Qualquer toque nosso no adversário era falta. Já eles entravam duro em nós e não acontecia nada. Nunca marcava falta nossa em nosso campo de ataque. Eles tiveram várias faltas no campo de ataque. Toda hora o árbitro arrumava algo para parar a nossa jogada. Amarrar o jogo. Um gol deles em impedimento foi validado (nota: se referindo ao segundo). Na prorrogação, em um escanteio nosso a favor, fiz um gol de cabeça e um dos bandeirinhas anulou alegando impedimento do Rafael Moura, que estava dentro do gol e nem participou da jogada. A arbitragem estava com más intenções. Deu para perceber. Não é desculpa. Realmente aconteceu", continuou.

"Nós fomos à Argentina para jogar futebol, mas encontramos um outro cenário.Vivemos cenas de selvageria. Os torcedores atirando rojões ao redor do hotel. Outros, não sabemos como, entraram no hotel, foram em alguns andares e tacaram bomba. Com toda a passividade do hotel. Nosso ônibus foi apedrejado. Felizmente ninguém se feriu. Não houve escolta para a nossa equipe. Fomos assim para a decisão", revelou Harlei.

"Sobre as polêmicas dentro de campo. Eu era o capitão do Goiás. Logo na disputa do cara ou coroa, o Oscar Ruiz (árbitro), na hora de se dirigir a mim foi totalmente hostil e com o capitão do Independiente foi generoso.  Quando a bola rolou, ele não apitou igual para ambos os lados. Eu como capitão tinha que ir falar com o árbitro e ele sempre hostil, mandando eu ficar quieto e ameaçando me dar cartão e me expulsar. Com os jogadores argentinos, ele era mais generoso. Foi uma pena, pois tínhamos uma equipe melhor e que em condições normais teríamos ganhado. Seria o maior título da história do Goiás. Se a partida final tivesse sido no Serra Dourada, teríamos ganho facilmente deles", continuou o ex-camisa 1.

"Achei que o Goiás cometeu erros, como alojar os atletas em quartos do hotel em que a janela dá para a rua. Logo, os jogadores escutaram todo o foguetório da torcida. Algo comum por lá. E a arbitragem foi muito tendenciosa a favor do Independiente", emendou o jornalista Fernando Lima.

" Para o Goiás, foi muito ruim. Não se classificou à Libertadores, não entrou uma grana que seria boa e não deu para segurar o Rafael Moura, o grande destaque da equipe", seguiu Lima.

Já o ex-atacante Felipe falou sobre a cobrança de pênalti que foi desperdiçada e como lidou com esse momento.

"Sobre o jogo: é sempre muito difícil atuar lá. A pressão é muito grande. Tomamos uns gols estranhos. Acho que não era para a gente ser campeão, mesmo. Sobre o pênalti, eu  cobrei como sempre cobro. Infelizmente, a bola não entrou. Fazer o quê?  Se quisesse fugir da responsabilidade, nem batia. Só erra, quem arrisca", opinou.

"No vestiário, o elenco entendeu a situação, pois qualquer um pode passar por isso. Sobre a torcida: eu nem senti na época, pois acabou o jogo, nem voltei para Goiânia. Vim direto para casa. No começo de 2011, o Goiás não renovou o meu contrato e a oportunidade que me apareceu foi do Atlético/GO. Assinei. A ida ao rival, deixou a torcida mais brava do que o pênalti perdido", finalizou Felipe, que é oriundo de Ernestina/RS.

Como curiosidade, sem o Goiás na Libertadores, o Grêmio herdou a vaga e o Flamengo ficou com uma vaga na Copa Sul-Americana. Rafael Moura acabou retornando ao Fluminense, clube que detinha o seu passe.

Elenco do vice-campeonato:
Harlei: é o atleta que mais vezes vestiu a camisa do Goiás. Em 15 temporadas, foram 831 jogos. O mineiro de Belo Horizonte/MG, iniciou a carreira no Cruzeiro. Sem espaço na Raposa, o arqueiro teve uma rápida passagem pelo Comercial/SP e depois se transferiu para o  Vila Nova/GO. Na equipe Goiânia ficou 10 meses e ganhou o carinho dos torcedores. Entretanto, com problemas de pagamento, se transferiu para o rival Goiás, em 1999, deixando os adeptos do Vila revoltados com a troca. Pelo clube Esmeraldino, assegurou a vaga de titular durante a campanha do Brasileiro da Série B de 1999 e não largou mais. Pelo clube esmeraldino foram conquistados 7 estaduais, 3 Copas Centro-Oeste e 2 Brasileiros da Série B. Participou de campanhas históricas, como a única disputa da Libertadores em 2006 e o vice da Copa Sul-Americana de 2010. Deixou os gramados em 2014, aos 42 anos. Atualmente é gestor-executivo do Goiás e diretor geral do futebol feminino do clube.

Rafael Tolói: zagueiro oriundo das categorias de base do Goiás, é tido como uma das grandes revelações da equipe nos últimos anos. Suas boas atuações fizeram com que se transferisse para o São Paulo em 2012 e acabou fazendo parte do elenco que ganhou a Copa Sul-Americana de 2012. Após uma breve passagem pela Roma em 2014, voltou ao clube paulista  e em 2015 rumou novamente à Itália, desta vez para a Atalanta, onde está atualmente. Embora tenha vestido a camisa da Seleção Brasileira sub-20, recentemente em entrevista à uma rádio italiana disse que aceitaria vestir a camisa da Azzurra, caso fosse convocado. O chamado ainda não aconteceu.

Ernando: outro zagueiro revelado pelas categorias de base do Goiás. Profissionalmente, atuou entre 2006 e 13, faturando 4 estaduais, além do vice-campeonato da Sul-Americana.  Posteriormente, defendeu o Internacional, sendo 3 vezes campeão gaúcho. Em 2018 atuou pelo Sport e desde 2019 está no Bahia.

Marcão: lateral-esquerdo de origem, Marcão emplacou na carreira como zagueiro. Após um bom brasileiro pelo Juventude em 2003, Marcos Alberto Skavinski  se transferiu para o Atlético/PR, onde foi capitão do time vice-campeão da Libertadores de 2005. Após uma rápida passagem pelo mundo árabe, chegou ao Inter em 2007 e ficou até 2009, sendo bicampeão gaúcho e campeão da Copa Sul-Americana em 2008. Depois passou por Palmeiras e Goiás. Pelo Clube Esmeraldino encerrou a carreira em 2011. No momento é técnico da equipe sub-20 da Chapecoense.

Wellington Saci: jogador que pode atuar tanto como ala-esquerda, como volante, iniciou sua trajetória no modesto Venus/PA e depois se transferiu ao Remo/PA. Após se destacar pelo clube belenense, rodou o Brasil e defendeu camisas de times importantes como Corinthians, Atlético/MG, Atlético/PR, Goiás, Vitória, Sport e Figueirense. No momento, defende o Joinville/SC.

Carlos Alberto: volante com carreira extensa pelo futebol catarinense, se destacou pelo Figueirense em 2003. Pelo alvinegro ficou 4 temporadas, chegando a atuar pela Seleção Brasileira sub-20. Entretanto, em 2006, descobriu-se que o meio-campista era 'gato' e diferente do que contava em seus registros, ele não nasceu em 1983 e sim em 1978. Foi punido com 6 meses sem atuar e doação de 100 cestas básicas. Depois da pena, seguiu sua trajetória nos campos e jogou por Corinthians, Atlético/MG, Goiás  e Joinville, e posteriormente defendeu clubes de menor expressão do futebol.  Sua última equipe foi o Camboriú/SC em 2019.

Amaral: Willian José de Souza foi mais um jogador revelado na base do Goiás que participou da campanha do vice-campeonato da Sul-Americana. O atleta atuou profissionalmente pelo Esmeraldino entre 2005/14 faturando quatro estaduais e 1 Série B em 2012. Em 2015 se transferiu para o Palmeiras, onde foi campeão da Copa do Brasil no mesmo ano. Passou por Coritiba e desde 2017 defende a Chapecoense.

Marcelo Costa: oriundo das categorias de base do Juventude, Marcelo Costa se destacou para o Brasil, atuando pelo Grêmio, onde foi campeão brasileiro da Série B de 2005. Logo, em seguida, o futebolista oriundo de Campinas do Sul/RS se transferiu o Palmeiras. Ainda retornou ao Juventude/RS, antes de ir ao Goiás, ficando até 2011. Posteriormente, passou por São Caetano, Joinville e Paysandu, antes de encerrar a carreira em 2016.

Otacílio Neto: atuando em times pequenos do Brasil, desde o início dos anos 2000, Otacílio Neto, acabou contratado pelo Corinthians em 2008. Sem muitas oportunidades, acabou emprestado para diversos times e um deles foi o Goiás, participando do vice-campeonato da Sul-Americana. Após o término do vínculo com o Timão, o atacante rodou por clubes pequenos do País e em 2020, aos 37 anos, atua na Aquidauanense/MS.

Felipe: atacante revelado nas categorias de base do Passo Fundo/RS, apareceu para o futebol em 2006 jogando pelo Náutico. Fez dupla com Kuki, onde conseguiram o acesso à elite do brasileiro. Em 2009 se transferiu para o Goiás e fez parte do time vice-campeão da Copa Sul-Americana, atuando em vários jogos. Na temporada seguinte, se transferiu para o rival Atlético/GO. Passou pelo América/MG em 2013  e em 2014 retornou ao Passo Fundo para encerrar a carreira. Atualmente mora em Ernestina/RS e possui, junto a com a família,negócios relacionado a lavora.

Rafael Moura: atacante revelado pelo Atlético/MG, Rafael Moura tem uma carreira de altos e baixos. Se destacou em clubes como Paysandu, Goiás e Figueirense,e não foi bem em equipes como Corinthians, Fluminense e Internacional, por exemplo. Seu grande momento foi na Copa Sul-Americana, onde foi um dos principais destaques da equipe do Centro-Oeste. Retornou ao clube goiano em 2019, onde atua desde então.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

História! Jogadores relembram os 10 anos da conquista da Copa Sul-Americana

A primeira década do século XXI foi gloriosa e inesquecível para o Sport Club Internacional. As conquistas das Libertadores de 2006 e 10, a Recopa de 2007, a Copa Sul-Americana de 2008 e o Mundial de Clubes em 2006 colocaram a equipe colorada no mapa da América do Sul e consequentemente do Planeta Terra.
Primeiro brasileiro campeão da Copa Sul-Americana


Este período também foi especial para o clube gaúcho que revelou grandes jogadores como Daniel Carvalho, Rafael Sóbis, Nilmar e consagrou outros como Clêmer, Lauro, Índio e Fernandão.

Em 2018 se completa dez anos da conquista da Copa Sul-Americana. O time de Porto Alegre/RS foi o primeiro brasileiro a levantar a taça desta competição. Os nossos clubes até então pouca importância davam para este torneio. Escalavam times reservas e torciam muito (de forma oculta) para serem eliminados logo na primeira fase.

Com os comandados de Tite a história mudou e muitas equipes passaram a dar valor para a disputa organizada pela Conmebol. 

Neste 4 de abril, data em que o lado vermelho da capital rio-grandense completa 109 anos, o Arquivos e Histórias F.C. conversou de forma exclusiva com atletas que estiveram naquele elenco e traz uma matéria relembrando essa epopeia.

Confira:
Em 2008 houve a sétima edição da Copa Sul-Americana. Os confrontos eram no formato mata-mata em jogos de ida e volta. Os times brasileiros entravam apenas na segunda fase. Nesta etapa, o sorteio dos embates era dirigido e os clubes do Brasil podiam apenas enfrentar equipes brasileiras. O grande atrativo daquele chaveamento era o Grenal, considerados por muitos um dos maiores clássicos do nosso futebol.

"Os clubes naquela época não davam muita importância para a Copa Sul-Americana, mas aquela década o Inter vivia um ótimo momento. o time de 2008 era muito bom e tinha condições de ganhar a Copa Sul-Americana", recordou o ex-zagueiro Bolívar.

"O nosso elenco era bom e foi feito para ganhar o Brasileirão. No entanto, não conseguimos entrar na disputa pelo titulo, então focamos na Copa Sul-Americana. O Tite chegou e teve o mérito de unir o grupo em prol da conquista da Copa Sul-Americana. Ele fez várias reuniões com o elenco  para detectar o que cada um estava pensando e focado. O Tite conseguiu unir todos no mesmo objetivo que era este título. Naquela época ele se mostrou não só um grande técnico, mas um ótimo gestor de clube", relembrou o ex-zagueiro Marcão.

"O Inter já havia ganho a Libertadores, a Recopa e o Mundial de Clubes. Faltava esse título. Precisávamos dessa conquista para intitular o Inter como campeão de tudo. Fomos em busca desse título sim. O Tite se mostrou um cara diferenciado. Sabia muito de tática. Falava tanto de tática que até deixava os jogadores loucos (risos)", relembrou o volante Edinho.

A estreia no torneio ocorreu no dia 13 de agosto no Beira-Rio. Para o confronto contra o arquirrival, o Colorado iria ter duas estreias : o lateral-esquerdo Gustavo Nery e o meia D`Alessandro. No gol, Clemer estava escalado. Na defesa havia uma linha de três com Bolívar, Sorondo e Índio. Na ala direita atuou Wellington Monteiro. No meio, além do argentino citado, atuaram Edinho e Guiñazu. O ataque foi formado por Daniel Carvalho e Adriano.

Já o Tricolor foi a campo com Marcelo Grohe; Léo, Thiego e Jean; Makelele, Amaral, Rudinei,Souza e Hélder; Andre Luiz e Reinaldo.

O primeiro tempo foi de domínio do S.C.I. que chegou mais vezes ao ataque, principalmente com Daniel Carvalho.  Este abriria o marcador na segunda etapa aos 12 minutos. Em um lançamento de Marcão (que entrou no lugar de Sorondo), a bola vai para D`Alessandro que toca para Guiñazu que parte para a área e é derrubado por Jean. O árbitro assinala pênalti. Na cobrança, Daniel Carvalho faz 1 a 0.

Logo em seguida, o Tricolor vai em busca do empate e em uma falta na entrada da grande área, Souza cobra e a bola sobra para Léo cabecear e fazer 1 a 1.

O confronto da volta foi no dia 28 de agosto no Olímpico. Tite mandou a campo Clêmer; Índio, Bolívar e Marcão; Ricardo Lopes, Magrão, Guiñazu, D'Alessandro e Gustavo Nery;Taison e Nilmar.

Já o anfitrião entrou em campo com Marcelo Grohe; Léo, Amaral e Jean; Makelele, William Magrão, Rudinei,Ortemann e Hélder; Souza e Soares.

Após um primeiro tempo sem gols, logo aos 2 minutos da etapa complementar Nilmar abriu o marcador. O atacante invadiu a área, passou por dois marcadores, tocou por cobertura na saída de Grohe e fez um lindo gol.

Aos 25 minutos, Daniel Carvalho (que entrou no lugar de Taison) cruzou a bola na área para Índio cabecear e fazer 2 a 0.

Como o torneio previa o quesito gol fora de casa em caso de dois empates, os comandados de Celso Roth precisavam fazer três gols para seguirem vivos no torneio. Aos 38 minutos, Perea diminuiu o marcador. Cinco minutos depois, Soares empatou a peleja. Mesmo com a pressão no final, o placar ficou em 2 a 2 e o Inter se garantiu.
Festa pelo título. Crédito:Lucas Uebel/Preview.com/Gazeta Press


O rival das quartas de final seria  a Universidad Católica-CHI. No primeiro encontro, em Santiago, houve empate em 1 a 1. Barrientos anotou para os donos da casa e Adriano, no final do jogo, empatou para os gaúchos.

No duelo da volta, no Beira-Rio, houve empate em 0 a 0 e por conseguinte,os porto-alegrenses avançaram de fase pelo quesito gol fora de casa.

Na fase seguinte, o rival seria o Boca Juniors. A equipe argentina havia faturado nos anos 2000, 4 Libertadores e 2 Copas Sul-Americanas. Além de ter eliminado o Inter, neste torneio, em 2004 e 05.

Entre os jogos diante dos chilenos e dos argentinos, Tite havia feito uma alteração no time titular: Lauro herdou a vaga do ídolo Clemer.

"Durante o Brasileirão, eu entrei em um jogo contra o Goiás. Um jogo antes, contra o Coritiba, o Clemer havia falhado e o Tite optou por mim como titular. Tive uma pequena sequência de jogos até a partida contra o Boca Juniors e sabia que se eu fosse bem nesses jogos iria garantir de fato a minha posição como titular e foi o que aconteceu", relembrou o goleiro Lauro.

No primeiro confronto, realizado na capital gaúcha, os anfitriões venceram por 2 a 0. Destaque para o meia Alex que fez dois belos gols finalizando de fora da área.

Na volta, na Bombonera, o Colorado venceu novamente. Desta vez por 2 a 1. Os tentos saíram no segundo tempo. Magrão abriu o marcador, Riquelme empatou para os portenhos e Alex, aos 27 minutos, garantiu o triunfo brasileiro.

"Um dos confrontos mais difíceis foi contra o Boca Juniors. Pelo ótimo momento que viviam.Vencemos no Beira-Rio com dois gols do Alex e na Argentina jogamos com o 'regulamento de baixo do braço' e vencemos novamente. Foi uma tática arriscada que deu certo. Quando nos classificamos, vi que tínhamos totais condições de sermos campeões", relembrou Edinho.

"Eu lembro que em um jogo do Brasileirão contra o São Paulo eu havia discutido com dois defensores do Inter, pois não estavam me respeitando como goleiro. No fim do jogo, o Tite me chamou para conversar e eu expliquei que eu estava incomodado, pois não estava sendo respeitado como goleiro. O Tite disse que eu tinha autonomia para cobrar, arrumar a defesa, elogiar e que eu tinha tudo para ir bem contra o Boca Juniors. Após eliminar o Boca, no vestiário o Tite bateu no meu peito, elogiou o meu desempenho em campo e disse: 'Esse é o meu goleiro. Esse é o goleiro que eu quero.'Aquilo me encheu de orgulho e motivação para seguir bem como titular", emendou Lauro.

"Acredito que quando vencemos o Boca Juniors na Bombonera e por consequência o eliminamos da competição, pegamos uma 'credencial'muito grande para buscar o título. Nos fortalecemos muito para buscar o título", relembrou Bolívar, que a partir das quartas de final atuou como lateral-direito.

O adversário da semifinal foi o Chivas-MEX. No primeiro encontro em Guadalajara, os gaúchos venceram por 2 a 0. Os tentos saíram na segunda etapa e foram marcados por Nilmar e Alex.

Na peleja da volta,os brasileiros venceram os norte-americanos por 4 a 0. Os gols foram anotados por D`Alessandro e Nilmar. O argentino fez os dois primeiros, enquanto o atacante anotou os dois últimos tentos.

A decisão seria contra o Estudiantes do meio-campista Juan Verón. Um dos melhores times das Américas. A partida de ida foi  em La Plata-ARG. Os colorados foram a campo com Lauro, Bolívar,Índio, Álvaro e Marcão; Edinho, Magrão, Guiñazu e D`Alessandro; Alex e Nilmar.

"Creio que os jogos das finais foram os nossos melhores na Copa Sul-Americana. O Estudiantes vinha de uma invencibilidade grande e tinha Verón como principal jogador. No primeiro jogo, o Guiñazu foi expulso por volta dos 20 minutos e ficamos a maior parte do tempo atuando com um a menos. Conseguimos marcar um gol ainda no primeiro tempo e depois tivemos a possibilidade de fazer mais. Mesmo assim levamos uma boa vantagem para o Beira-Rio", recorda o ex-zagueiro Marcão.

Aos 45 minutos do segundo tempo houve um lance polêmico.Escanteio para os anfitriões. Na cobrança, Lauro soca a bola e sobra na entrada da grande área para um atleta do Estudiantes finalizar. Este chuta por cima do gol. O arqueiro do Internacional se estica para fazer a defesa. Ao cair estica a perna e coloca a mão no pé. Um sinal de que estava tendo caibras. Vaias no estádio enquanto era atendido.

Ao final do jogo, Lauro confessa que apenas simulou dores com o intuito de 'ganhar tempo'. Isso na época não foi bem visto por parte da imprensa e torcida.

" Estava acabando o jogo e resolvi fazer aquela 'cera'. Fui bastante criticado por ter confessado a ação.Foi pelo momento do jogo. Estávamos vencendo por 1 a 0, um a menos em campo e era bem no final da partida", relembrou o goleiro.

O dia 3/12/2008 chegou e o Beira-Rio recebeu um público de 51.803 presentes para ver o inédito título do Internacional.

Tite mandou a campo :Lauro, Bolívar, Danny Morais,Álvaro e Marcão; Edinho, Magrão (depois Sandro), Andrezinho (Gustavo Nery) e D'Alessandro; Alex (Taison) e Nilmar.

Já os argentinos estavam escalados com :Andújar; Angeleri,Alayes, Desábato e Cellay;Iberbaia (Perez), Braña, Verón (Moreno) e Benítez; Fernandéz (Calderón) e Boselli.

O Estádio todo de vermelho, pulsando com uma torcida vibrante viu um primeiro tempo de muita marcação e intensidade dos dois lados. Houve chances de gols para os dois lados. Os pinchas ainda tiveram um tento anulado, após uma cobrança de falta. Já os anfitriões tiveram uma boa oportunidade em cobrança de escanteio, onde D `Alessandro tocou curto para Alex que cruzou na área para Nilmar cabecear e assustar a zaga argentina. No entanto, o árbitro Jorge Larrionda invalidou o lance alegando impedimento.

A segunda etapa seguiu equilibrada com os dois times atacante e dando espaço para contra-atacar. Aos 20 minutos, em falta para os Alvirrubros,Benítez mandou a pelota na área, Alayes finalizou e fez 1 a 0!

Na frente do marcador, o time da Grande Buenos Aires se retrancou e os brasileiros começaram a ter dificuldades para empatar a partida.

Com o agregado no marcador foi 1 a 1 houve prorrogação.Após um primeiro tempo sem balançar as redes, é natural imaginar que na última etapa os jogadores, cansados fisicamente, diminuam o ritmo e até esperem a disputa de pênaltis. No entanto não foi o ocorrido. Principalmente pela esquadra gaúcha que pressionou o rival para o campo de defesa.  Os colorados foram premiados aos 8 minutos, onde em uma cobrança de escanteio a bola sobrou para Nilmar chutar e empatar o jogo! 1 a 1!

No final, com o estádio já vibrando e gritando é campeão, o Estudiantes tentava o empate, buscava o gol, mas não conseguiu. Ao apito de Jorge Larrionda, a festa foi geral nas arquibancadas e com os jogadores se abraçando e comemorando o feito inédito. O primeiro brasileiro a ser campeão da Copa Sul-Americana.
Crédito: Marcelo Campos


"Foi o título mais importante da minha carreira. Onde vivi um grande momento. Esse time de 2008 seguiu em 2009 e foi campeão da Libertadores de 2010. Creio que em um ambiente de futebol nunca se fez tanta amizade como aquele grupo. Até hoje falo com Bolívar, Nilmar, Alex e Guiñazu. Nos falamos direto. Além dos títulos, o que ficou mesmo foi a amizade com os jogadores.É um time que fez história no Inter e deixou saudades. Isso não sou só eu que estou falando. A torcida e os outros jogadores pensam assim", afirmou o goleiro Lauro, que atualmente está sem clube.

"Eu sempre falo que quem montou essa geração vitoriosa do Inter foi o Muricy Ramalho lá em 2002/03.Foi o Muricy que trouxe todos esses jogadores . Essa gana de vencer foi durante as Copas Sul-Americanas de 2004 e 05, sendo eliminados pelo Boca. A confusão do 'Zveitão' (Brasileiro de 2005) onde perdemos o título para o Corinthians já estava  se formando um time bem calejado. Tudo isso foi bom para que a partir de 2006 conquistássemos os títulos que ganhamos. Acho que essa geração durou até 2012. Os  últimos jogadores vitoriosos começaram a sair naquela época", opinou Bolívar que atuou em todas as partidas da Copa Sul-Americana de 2008.

"Eu sempre fui um jogador privilegiado, pois quase nunca me machuquei na carreira. Isso fez com que eu jogasse todas as partidas da Copa Sul-Americana e também dos títulos das Libertadores de 2006 e 10", continuou Bolívar, que atualmente é técnico do União Rondonópolis/MT.

"O Inter foi o clube que me projetou para o futebol, alavancou a minha carreira e onde ganhei muitos títulos", contou Edinho que foi o capitão da final e quem levantou a taça  de campeão.Atualmente o atleta defende o CSA/AL.

"Foi o título de maior expressão da minha carreira. Valorizo também as conquistas estaduais por Atlético/PR e Inter, pois foram nesses clubes que vivi o melhor momento como jogador. O que gosto é que até hoje quando vou a Porto Alegre/RS sou bem recebido e o torcedor sempre agradece pelos títulos que ganhei. Falam da conquista da Copa Sul-Americana. O torcedor gaúcho é muito nostálgico e valoriza os atletas que honram a camisa que vestem. São os únicos no Brasil assim", finalizou Marcão, atual técnico do time sub-20 do Atlético/PR.

Os heróis de 2008:

Clemer: Natural de São Luís/MA, o goleiro rodou por vários clubes e se consagrou no Internacional. Após boas passagens por Remo/PA e Goiás/GO, chegou a meta da Portuguesa/SP, onde foi um dos destaques do vice-campeonato brasileiro de 1996. No ano seguinte, se transferiu para o Flamengo, onde teve altos e baixos. Em 2001 perdeu posição para o então jovem Júlio César (que faria história no clube da Gávea, Seleção Brasileira e Inter de Milão). Sem espaço no clube carioca, foi para o Internacional/RS, onde viveu seu auge em 2006 sendo campeão da Libertadores e do Mundo. Pelo clube gaúcho foi treinador de goleiros e até 2015 trabalhou nas categorias de base da equipe colorada. No momento é técnico do Brasil de Pelotas/RS.

Lauro: Em 2003, o goleiro Alexandre Negri foi convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa Ouro. Em seu lugar, a Ponte Preta utilizou o jovem e reserva Lauro. Este foi tão bem na ausência de Negri que se tornou o titular da Macaca. Foi a partir desse momento que Lauro apareceu para o futebol.Permaneceu no clube campineiro até 2005, onde atuou em mais de 100 jogos. Em seguida, passou por Cruzeiro e Sertãozinho sem muito sucesso. Voltaria a ter destaque nacional em 2008 pelo Internacional. Como já reportado na matéria foi pelo clube Colorado que Lauro ganhou o seu título mais importante e teve mais destaque.Em 2010 voltou a ter irregularidade em campo e perdeu espaço inicialmente para o argentino Roberto Abbondanzieri e depois para Renan. Em 2012 retornou por empréstimo para a Ponte Preta e em 2013 defendeu a Portuguesa, onde ajudou a equipe a escapar do rebaixamento à Série B (onde cairia no Tribunal com o 'caso Heverton'). Lauro ainda defenderia Chapecoense, Bragantino, Lajeadense/RS, Atlético/MG, Ceará e Joinville. No momento, ao 37 anos, está sem clube.

Como curiosidade, Lauro tem dois gols anotados na carreira. O primeiro foi em 2003 quando defendia a Ponte Preta e nos acréscimos fez, de cabeça, contra o Flamengo,o tento de empate (1 a 1). Dez anos depois, atuando pela Portuguesa, novamente contra o Flamengo e nos acréscimos, Lauro anotou outro gol de cabeça em um jogo que terminou 1 a 1.

Bolívar: Todos o conhecem pelos feitos com a camisa do Internacional. Fabian Guedes é tido como uma lenda no Beira-Rio. No entanto, poucos sabem é que antes de vestir a camisa colorada, o atleta que leva o apelido de Bolivar por causa do pai (que tem esse nome), atuou pelo Grêmio, tanto nas categorias de base como profissional, mas sem muito destaque. Antes de chegar ao Inter, Bolívar também defendeu o Guarani de Venâncio Aires (onde se profissionalizou) e o Joinville.  No S.C.I. chegou em 2003 e passou a fazer a função de zagueiro.Eventualmente jogava como lateral-direito (posição de origem). Pelo clube gaúcho permaneceu até 2006, sendo o capitão na conquista da Libertadores da América. Em seguida foi vendido ao Mônaco-FRA. Após duas temporadas na França, retornou ao Internacional e foi novamente titular e capitão das conquistas da Copa Sul-Americana de 2008, do bi da Libertadores em 2010 e da Recopa Sul-Americana de 2011. Ficou até 2012, quando já não era titular absoluto da zaga. Em seguida atuou por duas temporadas no Botafogo, sendo campeão carioca em 2013. Ainda atuou por Novo Hamburgo e Portuguesa, onde encerrou a carreira em 2015. No momento, aos 37 anos, é técnico do União Rondonópolis/MT.

Índio: Em um futebol em que o sonho de todo jogador brasileiro é atuar no exterior, é louvável que Índio tenha permanecido no Inter desde a sua chegada em 2005 até a aposentadoria em 2014. Nesses nove anos ininterruptos atuando pelo Colorado, Marco Antônio de Lima se tornou não só um ídolo como um símbolo de dedicação e raça. Com o seu jeito durão nas quatro linhas e carismático fora de campo, o ex-defensor ganhou 15 títulos pela equipe de Porto Alegre/RS e participou de toda a `Era Dourada`do Inter.

Marcão:  Lateral-esquerdo de origem, Marcão emplacou na carreira como zagueiro. Após um bom brasileiro pelo Juventude em 2003, Marcos Alberto Skavinski  se transferiu para o Atlético/PR, onde foi capitão do time vice-campeão da Libertadores de 2005. Após uma rápida passagem pelo mundo árabe, chegou ao Inter em 2007 e ficou até 2009, sendo bicampeão gaúcho e campeão da Copa Sul-Americana em 2008. Depois passou por Palmeiras e Goiás sem muito sucesso. No momento é técnico do sub-20 do Atlético/PR.

Danny Morais: Zagueiro, que já fez a função de volante, surgiu nas categorias de base do Internacional e foi promovido ao profissional em 2006. Seu auge foi em 2008 onde participou das conquistas do Campeonato Gaúcho e da Copa Sul-Americana. No entanto, nunca se fixou como titular e deixou o clube porto-alegrense em 2010. Passou por Botafogo, Bahia, futebol asiático e atualmente, aos 32 anos, está no Santa Cruz.

Sorondo: Zagueiro que chegou ao Inter em 2007, credenciado por ter disputado a Copa do Mundo de 2002 pelo Uruguai e ter atuado no futebol italiano, belga e inglês. Foi bem no início, principalmente em 2008, mas as graves lesões impediram de ter uma sequência boa no clube colorado. Integrou os elencos campeões da Copa Sul-Americana de 2008, da Libertadores de 2010 e da Recopa Sul-Americana de 2011. Por algumas vezes,ficava meses fora da equipe e fazia até com que a torcida não lembrasse mais que estava no plantel. Em 2012 vai para o arquirrival Grêmio, mas durante a pré-temporada sofre mais uma lesão e é dispensado do clube. Depois encerra a carreira.

Gustavo Nery: Lateral-esquerdo regular apareceu para o futebol no São Paulo em 2000. Pelo Tricolor atuou como titular até 2004, onde atuava com muita segurança. Após uma breve passagem pelo Werder Bremen entre 2004 e 05, acabou indo ao Corinthians e participando da conquista do Brasileiro de 2005. Pelo Timão ficou até 2007. Antes de ir ao Inter e ser importante no título da Sul-Americana, passou por Zaragoza-ESP e Fluminense. Sem espaço no Colorado em 2009, defendeu o Santo André e depois o São Bernardo, até se aposentar dos gramados em 2012. Pela Seleção Brasileira foram 9 jogos e integrou o elenco campeão da Copa América de 2004.

Edinho: Volante estilo 'cão-de-guarda, Edinho iniciou a carreira no Boavista/RJ, mas foi no Internacional/RS, onde viveu seu auge. Surgiu no time profissional em 2003 e participou de todo o processo que levou a equipe ao topo do mundo em 2006. Permaneceu no Beira-Rio até 2009 e nesse período foi tricampeão gaúcho, da Libertadores, da Copa Sul-Americana, da Recopa Sul-Americana e do mundo. Depois passou por Lecce-ITA, Palmeiras, Fluminense, Grêmio e Coritiba.Atualmente, Édimo Ferreira Campos, defende o CSA/AL.

Guiñazu:  Volante argentino que compensava a falta de técnica com muita raça e comprometimento em campo. Pablo Horácio Guiñazu  era um jogador de muita entrega e isso fez com que fosse adorado no Internacional. Chegou ao clube do Beira-Rio após três temporadas boas no Libertad do Paraguai.Viveu seu auge na equipe gaúcha onde foi tetracampeão gaúcho, campeão da Copa Sul-Americana, Libertadores e da Recopa Sul-Americana. Em 2013, após um breve retorno ao Libertad, se transferiu para o Vasco onde permaneceu até 2016 sendo bicampeão carioca. No momento defende o Talleres-ARG.

Magrão: Mais um volante aguerrido no elenco do Internacional campeão da Copa Sul-Americana. Márcio Rodrigues teve ascensão meteórica naquele bom time do São Caetano que encantou o Brasil no começo dos anos 2000.Participou desde as conquistas em divisões inferiores de São Paulo até o vice-campeonato brasileiro de 2000.As boas atuações fizeram com que o meio-campista fosse para o Palmeiras e participasse do título da Série B do Brasileiro de 2003. Após atuar no futebol japonês (com um rápido empréstimo ao Corinthians), chegou ao Inter em 2007. Permaneceu até 2009, sendo bicampeão gaúcho, além da conquista da Sul-Americana.Saiu do clube gaúcho e passou 4 anos nos Emirados Árabes Unidos. Retornou ao Brasil e jogou por Náutico, América/MG e Novo Hamburgo sem muito destaque. Aposentou dos gramados em 2015.

Sandro: Um bom volante que surgiu em 2008 e teve uma crescente no Inter com a chegada de Tite participando do Brasileirão e da Copa Sul-Americana. Desde então, o atleta oriundo das categorias de base colorada, se tornou titular e ainda faturou a Libertadores de 2010. Em seguida, foi para o Totenham, onde vive altos e baixos. Permaneceu no clube londrino até 2014 e depois foi para o Queens Park Rangers. Depois iniciou sua decadência pela Europa e atualmente, aos 29 anos, está no Benevento da Itália.

Andrezinho: Meia que se destacava pelos passes decisivos e cobranças de falta, iniciou a carreira no Flamengo onde ficou até 2004.Após 4 temporadas na Coreia do Sul, voltou ao Brasil para defender o Inter. Pelo clube colorado ganhou a Copa Sul-Americana de 2008, a Libertadores de 2010, a Recopa Sul-Americana de 2011 e três estaduais. Foi mais um jogador importante nessa época vitoriosa do Inter. Passou ainda por Botafogo, Vasco,Goiás, futebol chinês e atualmente, aos 34 anos, defende o Nova Iguaçu/RJ.

Alex: Meia extremamente habilidoso, bom batedor de falta e finalizador, Alex Raphael Meschini foi um dos melhores brasileiros de sua posição na década passada. Iniciou a carreira no Guarani/SP, onde se destacou e acabou se transferindo para o Internacional em 2004. Foi titular e um dos destaques na campanha das inéditas Libertadores e Mundial de Clubes em 2006.  Foi importante na conquista da Copa Sul-Americana em 2008. Faturou a Recopa de 2007, além de três estaduais. Em 2009 se transferiu ao Spartak Moscou e após duas temporadas retornou ao Brasil. Mais especificamente ao Corinthians/SP, onde foi importante nas conquistas do Brasileiro de 2011 e na Libertadores de 2012.Após faturar sua segunda Libertadores, o atleta natural de Cornélio Procópio/PR se transferiu para o Al-Gharaffa do Catar. Ficou uma temporada na Ásia e retornou, em 2013, ao Internacional, clube onde é ídolo.Foi tricampeão gaúcho de forma consecutiva. Infelizmente sua última aparição na equipe do Beira-Rio foi no final de 2016 com o rebaixamento à Série B do Brasileiro. Em janeiro de 2017 acabou encerrando a carreira.

D'Alessandro: Andrés D'Alessandro é um dos maiores meias argentinos de sua geração. Estilo 'camisa 10', o atleta oriundo de Buenos Aires-ARG iniciou sua trajetória no River Plate-ARG e foi tricampeão argentino e uma das grandes revelações do clube no início dos anos 2000. As boas atuações fizeram com que em 2003 se transferisse para o Wolfsburg-ALE. Na Europa, passou, sem muito sucesso, por Porthsmouth-ING e Zaragoza-ESP. Retornou à América do Sul em 2008 para defender o San Lorenzo-ARG. Depois de um bom primeiro semestre foi contratado pelo Internacional. Chegou com status de craque e correspondeu. Em seus primeiros anos foi campeão da Copa Sul-Americana, Libertadores e Recopa Sul-Americana, além de um pentacampeonato gaúcho de forma consecutiva (2009/15).Isso fez com que ele assumisse a postura de um líder em campo e referência e ídolo para a torcida colorada.  Saiu em 2016, emprestado ao River Plate e retornou em 2017. Ajudou a equipe colorada a retornar a Série A do Brasileiro e atualmente é a esperança de reconstrução da equipe para que lute não apenas para não ser rebaixado e sim por taças. Pela Seleção da Argentina ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas em 2004.

Daniel Carvalho:  Surgiu no Internacional nos anos 2000 e foi tido como uma grande revelação.Seus bons passes, gols e poder de decisão davam quase como certo que seria um meia titular absoluto da seleção brasileira. Com suas boas atuações pelo Inter acabou em 2004 se transferindo para o CSKA-RUS. Ficou quatro anos na equipe moscovita faturando uma Liga Europa, 2 Campeonatos Russos e 4 Copas da Rússia. Retornou, por empréstimo, ao Colorado em 2008 e foi importante na conquista da Copa Sul-Americana. Depois teve uma rápida passagem pelo futebol árabe e em 2010 voltou ao futebol brasileiro para defender o Atlético/MG. Infelizmente, as seguidas lesões e a dificuldade para entrar em forma fizeram com que a carreira entrasse em declínio e nunca fosse o jogador de ponta que todos esperavam.Ainda passou por Botafogo, Palmeiras, Goiás e Pelotas (time de sua cidade natal). No momento está sem clube.

Nilmar: Outro grande jogador surgido no Internacional nos anos 2000. Jogador leve, franzino e com muito faro de gol conquistou logo de início a torcida colorada. Em sua primeira passagem pelo clube gaúcho faturou dois estaduais (2003 e 04). Em seguida foi para o Lyon, onde em uma temporada foi campeão francês. Retornou ao Brasil em 2005 para defender o Corinthians sendo campeão brasileiro. No entanto, duas lesões graves no joelho impediram que tivesse uma sequencia melhor no Timão. Em 2007 acabou retornando ao Inter e em 2008 foi um dos destaques na campanha da Copa Sul-Americana, além de ser novamente bi-estadual (2008 e 09). Em 2009 teve a sua segunda experiencia na Europa: o Villarreal. Ficou no clube espanhol até 2012. Depois passou duas temporadas no Catar e em 2014 teve sua terceira passagem no Internacional. Ficou até meados de 2015 e pouco brilhou. Retornou ao Catar e após dois anos na Ásia, assinou contrato com o Santos no segundo semestre de 2017. Entrou em campo apenas duas vezes e rescindiu o contrato após ser constatado que estava com depressão. Pela Seleção Brasileira integrou o elenco que disputou a Copa do Mundo de 2010.No momento, aos 34 anos, está sem clube.

Taison: 'Taison ou Messi? O futuro dirá!' A frase dita pelo finado Wianey Carlet em 2007 mostrava a empolgação com a nova promessa colorada.Taison surgiu para o futebol fazendo muitos gols e desequilibrando os jogos a favor do Inter. Todos se empolgavam com o novo craque. Pelo Colorado foi campeão gaúcho, da Copa Sul-Americana e da Libertadores. Em 2009 foi artilheiro do Gaúcho e da Copa do Brasil. Em 2010 foi vendido ao Metallist-UCR, onde ficou até 2012. Depois foi vendido para o Shaktar Donetsk-UCR, clube que defende atualmente.  Nunca chegou perto de ser comparado a Messi e nem ser um atleta de primeira linha. No entanto, o técnico Tite trabalhou com o futebolista de 30 anos no Inter, e por isso o vem convocando para a Seleção Brasileira. É possível que o atleta oriundo de Pelotas/RS dispute a Copa do Mundo na Rússia em 2018. De vez em quando seu nome é especulado em um possível retorno ao Beira-Rio. Até hoje isso não se confirmou.

Tite: Adenor Leonardo Bacchi apareceu para o futebol em 2000 quando surpreendentemente levou o Caxias ao inédito título gaúcho. Um torneio que até hoje é dominado por Grêmio e Inter. Em seguida foi contratado pelo Tricolor (clube que derrotou na final do estadual) e em 2001 foi novamente campeão estadual e da Copa do Brasil. Com esta conquista de nível nacional e em cima do Corinthians, Tite ficou conhecido em todo território brasileiro. Em seguida perambulou por times brasileiros e em 2007 foi para o Al-Ain dos Emirados Árabes. Retornou ao Brasil em 2008 para comandar o Internacional e foi a partir do título da Copa Sul-Americana que o treinador de Caxias do Sul/RS conseguiu se firmar como um dos grandes nomes em sua profissão. Em 2010 teve um breve retorno ao Emirados Árabes e em seguida foi contratado pelo Corinthians. No Timão ficou até 2013, onde foi campeão brasileiro em 2011, da Libertadores e do Mundo em 2012 e da Recopa Sul-Americana em 2013. Após um 'ano sábatico', voltou ao Timão em 2015 sendo novamente campeão brasileiro e tidos por quase todos como o melhor técnico brasileiro da atualidade. O bom time do Corinthians com um futebol moderno e ofensivo fez com que Tite fosse chamado para a Seleção Brasileira.Recuperou o trabalho ruim de Dunga e classificou com folga à Seleção para a Copa do Mundo de 2018.

Gostou? Veja outras equipes que fizeram história no Brasil:

Final Brasileirão 1995: Santos x Botafogo

Portuguesa vice-campeã brasileira de 1996

São Caetano vice-campeão da Libertadores de 2002

Vasco campeão brasileiro de 1997

Cruzeiro campeão da Libertadores de 1997

Santos campeão brasileiro de 2002


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Exclusivo! Jogadores relembram os 15 anos da conquista do Brasileiro de 2002 pelo Santos

Prólogo: O Campeonato Brasileiro de 2002 foi um um 'divisor de águas' na vida dos torcedores santistas nascidos nas décadas de 1980 e 90. Como se fosse o final de um capítulo triste de um livro. Uma virada de século.

Após o título paulista de 1984, o Santos viveu um grande jejum de títulos. Não era fácil aguentar as zoeiras dos torcedores rivais que faturavam não só estaduais, como Brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores e até Mundial. Os adeptos do Alvinegro Praiano quase saíram da fila em 1995 com o vice-brasileiro. Até hoje lamentado pelos torcedores e jogadores. Muita reclamação do desempenho do árbitro Márcio Rezende de Freitas.

Eram tidos, quase que por unanimidade, a quarta força de São Paulo e maldosamente chamados de 'viúvas do Pelé`. Havia aqueles que ainda questionavam se valia a pena chamar o clube da Vila Belmiro de grande.

A reviravolta veio talvez em uma temporada que poucos apostavam na equipe do litoral paulista. Um time que tinha como destaques o goleiro Fábio Costa (atuando os últimos jogos) e o meia Robert. Os outros eram atletas das categorias de base e alguns jogadores mais velhos, mas que não tinham muita fama e rodagem nas principais equipes do Brasil.

2002 foi a última edição do Brasileirão antes do início dos pontos corridos. A equipe fundada em 1912 se classificou na última rodada e de uma forma improvável (descrita mais abaixo). No mata-mata cresceu de produção, atropelou equipes favoritas e finalmente os jovens santistas nascidos nos anos 80 e 90 puderam gritar: 'É campeão!'

Vale ressaltar que naquela época, os títulos anteriores aos de 1971 (Taça Roberto Gomes Pedrosa e Taça Brasil) não eram considerados Brasileiros. A equivalência veio apenas em 2010 através da CBF. Portanto, para os torcedores, 2002 foi o primeiro título de Campeonato Brasileiro do Santos.

Para recordar aquela conquista, este jornalista que vos escreve resgatou entrevistas exclusivas que fez em outras ocasiões com o ex-lateral-esquerdo Léo, o ex-meia Robert e o ex-atacante Alberto  e também entrevistou para esta matéria de forma exclusiva o ex-goleiro Júlio Sérgio, o atacante William e novamente falou com Robert.

Confira:
O Brasileiro de 2002 foi o último antes da 'era dos pontos-corridos'. As 26 equipes se enfrentaram em turno único e as 8 melhores avançaram para o mata-mata.
Em 2002 os Meninos da Vila foram campeões brasileiro/Site oficial do Santos F.C.
Antes de iniciar o torneio,entre os favoritos estavam São Paulo, São Caetano e Corinthians.O Tricolor que terminou na liderança da primeira fase com 52 pontos tinha até então a melhor equipe. No gol, Rogério Ceni vivia grande fase e havia um quarteto ofensivo muito forte composto por Kaká (grande revelação daquela temporada), Ricardinho, Reinaldo e Luís Fabiano.

O Timão, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, já havia ganho o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil.

Já o Azulão era o atual bi-vice-brasileiro, vice da Libertadores de 2002 e vinha com a mesma base tentando finalmente um título.

Enquanto isso, o Santos apostaria em atletas das categorias de base ,com alguns jogadores mais rodados, mas até então sem grande destaque no futebol.

" O Santos estava em crise e enxugando a folha salarial que era em torno de R$ 4 milhões. Havia dispensado atletas renomados como Rincón, Narciso e estava apostando nas categorias de base. Diego era o mais conhecido até então. Era a estrela e com passagem pela Seleção Brasileira de base. Robinho era magrelo, habilidoso e tinha fama de pipocar para zagueiro. No gol, Júlio Sérgio ia ser o titular, pois Fábio Costa estava lesionado. O zagueiro André Luís era perseguido pela torcida e tinha que andar com seguranças na rua. Os dirigentes nos falaram que a meta no Brasileirão era apenas escapar do rebaixamento. Na nossa preparação fizemos um amistoso contra o Corinthians e ganhamos por 3 a 1. Lembro do Vampeta irritado dando tapas no Robinho. Depois fizemos um amistoso nos Estados Unidos contra o Glasgow Rangers, campeão escocês, e ganhamos por 1 a 0, apesar de apanhar muito em campo. Aquilo foi muito positivo para nós", disse o ex-atacante Alberto nesta entrevista exclusiva para este jornalista que vos escreve.

"Foi um período difícil (início dos anos 2000), de muita cobrança dentro e fora de campo, faixas da torcida de cabeça para baixo, vaias e até invasão de vestiário da Vila e dos campos do CT. Era complicado jogar no Santos naquela época.Tinha que ter personalidade. Naquele Brasileiro de 2002, o objetivo era não ser rebaixado, mas o Leão acreditou na qualidade do time. Com o passar dos jogos, a confiança foi aumentando com os bons resultados. Os segredos da conquista foram a humildade, a união do elenco e o comando forte de Leão", falou o ex-lateral-esquerdo Léo, nesta entrevista exclusiva para este jornalista que vos escreve.

"Eu lembro que iniciamos muito mal a temporada de 2002, sendo eliminado de forma vexatória no Torneio Rio-São Paulo. Ficamos três meses sem atuar (nesse período Robert atuou pelo São Caetano no mata-mata da Libertadores). Depois, no Brasileirão, aos poucos, fomos nos ajeitando. Mas era um time basicamente de garotos. Me lembro de um jogo contra o São Paulo,na primeira fase, onde perdemos por 3 a 2, comigo entrando no segundo tempo e fazendo gol, onde jogamos bem. O São Paulo era o grande time do momento, com Rogério Ceni, Kaká e nós fizemos uma grande partida. A partir dali vi que poderíamos ir longe. Depois enfrentamos o próprio São Paulo (líder) nas quartas de final, vencemos os dois jogos e fomos avançando. Chegamos nas finais e fomos campeões! Me sinto honrado com esse título. Foi a recompensa por não ter vencido em 1995", relembrou o meia Robert nesta entrevista exclusiva a este que vos escreve.

"Eu não era um jogador jovem, mas foi no Santos que tive a primeira experiência em uma equipe de ponta. Cheguei por indicação do técnico Emerson Leão, após minha passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto/SP.  Leão é turrão, teimoso, mas conseguiu dar harmonia e tranquilidade naquele elenco. O ambiente era leve e com as vitórias a confiança aumentou. Aquele título me pôs na vitrine do futebol. Muito disso devo ao Leão. Tenho certeza que se fosse outro técnico não teria apostado em mim", afirmou o ex-goleiro Júlio Sérgio em entrevista exclusiva ao Arquivos e Histórias F.C 

"O Santos vinha de uma 'fila'de 18 anos sem títulos. Alguns anos antes de 2002, a diretoria havia contratado vários medalhões como Rincón, Marcelinho, Dodô e Viola para tirarem o time desta 'fila', mas não conseguiram. Em 2002, era um grupo jovem e a imprensa dizia que iríamos brigar para não sermos rebaixados. No entanto, o grupo se uniu ao técnico Leão e fomos para o Brasileirão. Deu no que deu", relembrou o atacante William em entrevista exclusiva ao Arquivos e Histórias F.C.

No início da primeira fase, o S.F.C. vencia muito como mandante, mas sofria quando visitava um rival.

Na estreia, na Vila Belmiro, os comandados de Leão bateram o Botafogo por 2 a 1.  A segunda vez que entraram em campo (terceira rodada) derrota para o Juventude por 2 a 1. Na sequência, triunfo sobre o Figueirense, no litoral paulista, por 3 a 0. Ainda como anfitrião superou o Paraná por 2 a 1,Vitória por 3 a 0, Grêmio por 2 a 0 e empate por 2 a 2 com o Atlético/PR. Nesse período, quando não atuou sob seus domínios, sofreu reveses para o Coritiba por 4 a 2, Internacional por 3 a 0 e empate com o Fluminense em 1 a 1. A primeira vitória como visitante veio só décima segunda rodada sobre o Vasco por 2 a 1.

Naquele momento, o Alvinegro Praiano era o terceiro colocado com 20 pontos conquistados em 11 jogos. Por curiosidade, a liderança era do Juventude com 25.

Outro triunfo como visitante ocorreria na décima sexta jornada no Pacaembu. Em um clássico paulista, o Santos venceu o Corinthians por 4 a 2. Jogo este histórico para a agremiação do litoral. O primeiro tento dos futuros campeões foi marcado de bicicleta pelo atacante Alberto. Este gol foi eleito o mais bonito do Brasileirão.
Alberto recebeu uma placa em homenagem ao gol de bicicleta/Ivan Storti/Santos F.C.
"Esse gol tem uma história curiosa.Nós iríamos para São Paulo enfrentar o Corinthians.Na véspera eu peguei uma gripe depois de um rachão e me atrasei para o ônibus que levaria o clube para a capital do estado.Me ligaram faltando cinco minutos e o ônibus partiu sem mim. Fui de carro até o hotel onde ficaríamos concentrado.Lembro que a Imigrante estava fechada e tive que dar a volta e sair pela Anchieta.Cheguei às 20h. Na porta do hotel, estava o Leão me esperando e ele quando me viu só mandou eu jantar. Naquele momento eu senti que ferrou para o meu lado. O treinador não deu pista alguma se eu ia jogar o clássico. Só soube no vestiário quando vi minha camisa junto com a minha chuteira. Entrei em campo e fiz o primeiro gol do Santos. De bicicleta. Vencemos por 4 a 2. Uma noite maravilhosa. Ali, creio, começaram a acreditar mais no Santos", relembrou Alberto, autor do histórico gol.

"Aquela vitória foi histórica. Foi tudo muito intenso. Lembro quando voltamos para Santos/SP, a torcida estava na rua para nos recepcionar! Foi muito legal", recordou o ex-goleiro Júlio Sérgio.

Outra peleja com um fato curioso foi na décima nona jornada, onde o Santos goleou o Cruzeiro por 4 a 1, em pleno Mineirão.

"Eu tinha a ido a São Paulo ver a minha sogra e depois iria encontrar o elenco. No entanto, peguei um congestionamento muito grande e me atrasei para a apresentação.Quase perdi o voo. Sorte que cheguei a tempo e recordo de ter feito uma grande partida", contou o ex-arqueiro Júlio Sérgio.
Júlio Sérgio em ação pelo Santos/Crédito: Fernando Pilato/Futura Press 


Naquele período da competição,o Santos era o vice-líder com 32 pontos em 17 jogos realizados. A mesma campanha do São Caetano, primeiro posicionado. No entanto, o Azulão tinha uma vitória a mais (10 a 9).

Na sequência houve três derrotas consecutivas, para São Paulo (3 a 2), Portuguesa e Paysandu, ambos por 2 a 1. O Alvinegro Praiano acabou despencando para a quinta posição.O primeiro posicionado era o São Paulo com 40 e já era apontado como favorito ao título.

A reta final foi irregular para os santistas que chegaram na jornada de encerramento na sexta colocação com 39 pontos. Uma vitória simples o garantiria no mata-mata. O rival era o São Caetano, no Anacleto Campanella. A equipe do ABC Paulista venceu por 3 a 2.

Aliado ao revés, o Grêmio bateu o Atlético/MG por 1 a 0, passou o Santos na tabela e terminou na quinta colocação com 41 pontos. O Galo ficou com 40 pontos e com o sexto lugar. A sétima posição foi do Fluminense com 40 pontos. O Tricolor das Laranjeiras seguiu vivo ao vencer a Ponte Preta em Campinas por 3 a 0.

O Santos terminou na oitava posição com 39 pontos ganhos. A mesma campanha do Cruzeiro. Ambas equipes tiveram em 25 jogos, 11 vitórias, seis empates e oito derrotas. No entanto, os paulistas fizeram mais gols (46 a 40) e um saldo melhor (10 a 1).

Outro que lutava pela classificação era o Coritiba que foi ao Distrito Federal enfrentar o já rebaixado Gama e surpreendentemente foi derrotado por 4 a 0, ficando na décima primeira posição com 36 pontos.

"Na última rodada enfrentamos o São Caetano. Eu estava mal e iniciei o jogo no banco de reservas. Douglas foi o titular. No entanto, Douglas não fez uma boa partida e entrei no decorrer do jogo. Dei o passe para o William, que dentro da área sofreu um pênalti. Eu cobrei e fiz o segundo tento da nossa equipe. Perdemos e saímos cabisbaixos  do campo.No vestiário nos informaram que o Gama venceu o Coritiba por 4 a 0 e tínhamos nos classificado para as quartas de final", recordou Alberto.

"Não tínhamos feito uma campanha regular, mas já 'enchíamos os olhos de quem nos assistia'e ganhamos o apelido de Meninos da Vila", emendou.

"Aquele jogo contra o São Caetano bateu um desespero. No final da primeira fase tivemos uma queda de rendimento e perdemos muito pontos.Saímos bem cabisbaixos após a derrota para o São Caetano e na sequência tivemos a notícia que o Gama venceu o Coritiba e o resultado nos favoreceu. Foi um misto de alívio, alegria e êxtase.Saímos do inferno e fomos para o céu em pouco tempo. Sabíamos que tínhamos classificados em oitavo e iriamos enfrentar o São Paulo. Era uma revanche do jogo da primeira fase, pois perdemos por 3 a 2 e foi muito intenso e disputado.Principalmente pelo momento em que o Diego fez o gol e foi comemorar em cima do símbolo do São Paulo (que fica próximo da torcida).Os jogadores do São Paulo não gostaram daquilo. Logo, criou uma rivalidade entre os dois times naquele campeonato e voltaríamos a enfrentá-los. Sabíamos que se vencêssemos o São Paulo, melhor time até então, chegaríamos com moral na briga pelo título", relembrou Robert, em declaração dada  de forma exclusiva para esta matéria.

"Nós fomos bem desanimados para o jogo contra o São Caetano. Sabíamos que era bem difícil a gente seguir vivo na competição.Ninguém imaginava que o Gama iria golear o Coritiba. Ao término do jogo, quando soubemos da notícia da classificação ficamos surpresos e felizes. O nosso adversário era o São Paulo o melhor time daquele Brasileiro. Lembro, ainda no vestiário, do Leão nos falando: 'Já que nos convidaram para bailar novamente. Então vamos dançar com a mulher mais bonita do baile. Agora vai iniciar um novo campeonato'. Aquela frase deu uma levantada no astral do grupo para seguir em frente", contou o atacante William.

Os outros classificados ao mata-mata foram São Caetano, Juventude e Corinthians.

Na parte de baixo da tabela, além do Gama, foram rebaixados Palmeiras, Botafogo e Portuguesa. Foi o primeiro descenso da história destes três últimos clubes citados.

Pelas quartas-de-final, os comandados de Émerson Leão teriam o líder e favorito ao título São Paulo. Para o embate de ida, na Vila Belmiro, os anfitriões já teriam um reforço de peso: o goleiro Fábio Costa recuperado de lesão faria a sua estreia.

Diego e Robinho foram determinantes no mata-mata/Jorge Araújo/Folhapress
O Santos foi a campo com a formação que seria eternizada na mente dos torcedores: Fábio Costa; Maurinho, Alex, André Luis e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego; Alberto e Robinho.

Já o Tricolor do Morumbi entrou com Rogério Ceni; Rafael, Horácio Amelli, Jean e Gustavo Nery; Júlio Santos, Fábio Simplício, Kaká e Ricardinho; Reinaldo e Luís Fabiano.

Com a cancha lotada, o Santos partiu para o ataque e os dois times tiveram chances de gol. Os anfitriões foram mais perigosos.

Aos 30 minutos, a defesa santista lança a bola para Renato, que no lado esquerdo do campo, manda para Robinho. O atacante, na entrada da grade área, devolve para Renato que vê Alberto na área e lança a pelota e este toca para Elano. O meia marcado por três rivais devolve para Alberto que finaliza e faz 1 a 0.

No final do primeiro tempo, o Tricolor empata a peleja. Ricardinho recebe a bola e toca para Kaká, que pelo lado esquerdo, entra na área adversária chuta com força, no ângulo e faz 1 a 1.

Na segunda etapa, aos 5 minutos, em uma bela jogada coletiva iniciada no campo de defesa alvinegro, saiu o segundo gol dos donos da casa. André Luís iniciou a jogada, lançou para Léo que devolveu para o defensor e alçou a pelota para Diego, no meio-campo, que tocou para Maurinho partir para o ataque e na entrada da grande área devolveu para Diego que tocou novamente para o lateral-direito que entrou na área, encontrou Robinho livre de marcação, este finalizou e fez 2 a 1.

Aos 21 minutos, Léo inverte a jogada para Robinho que cruza na área, um atleta santista cabeceia para Alberto que toca para Diego chutar e fazer 3 a 1.

No decorrer da peleja, Robert entra no lugar de Diego. Pelo lado dos visitantes, Oswaldo de Oliveira tira Gustavo Nery e coloca Jorginho Paulista. Os dois substitutos protagonizaram o lance mais polêmico do jogo.

O lateral-esquerdo da equipe paulistana estava partindo para a linha de fundo quando recebeu um carrinho do meia do time alvinegro e acabou tendo o tornozelo fraturado. Durante o atendimento ao ala, já foi constada a fratura. O que gerou muita polêmica em campo.

"No meu lance com o Jorginho, eu entrei forte e na bola. Ele estava seguindo na linha de fundo e de repente ele parou. Travou de letra como uma estratégia para enganar o adversário. Nisso, eu dei um carrinho para recuperar a bola, a perna dele ficou na minha direção e acertei o tornozelo dele. Foi uma contusão séria. A bola saiu de jogo e foi marcado lateral.Nesse período, o médico do São Paulo chamou o quarto árbitro, informou que houve fratura e prontamente chamaram o Carlos Eugênio Simon (juiz do jogo) para uma conversa.  Em seguida, já com a bola rolando, o Simon me chamou e disse que teria que me expulsar, pois houve fratura e a televisão já havia mostrado o lance. Eu rebati dizendo que nem falta ele deu. Mas o Simon disse que precisaria fazer isso, pois poderia ficar feio para ele se não me punisse", relembrou o ex-meia Robert.

"Sobre o Jorginho, posteriormente eu pedi desculpas para ele. Infelizmente, a contusão foi séria e ele ficou alguns meses parado. Não quis fazer isso com ele. Mas são situações de jogo que acontecem", emendou Robert que ainda falou sobre a boa vitória do Peixe.

"Fomos muito superior ao São Paulo. Fizemos três e poderíamos ter feito quatro ou cinco gols. Estávamos desbancando o time que todos falavam que era favorito ao título", continuou.

Quatro dias depois houve o embate em território da equipe fundada em 1935. As duas equipes entraram com as mesmas formações do primeiro confronto.

 Precisando reverter o marcador, o São Paulo iniciou pressionando e no ataque. Logo aos 4 minutos, em escanteio cobrado a bola sobra para Luís Fabiano finalizar de cabeça, dentro da área, e fazer 1 a 0.

Os até então tricampeões nacionais seguiam em busca do segundo tento, mas pecavam nas finalizações.

Na segunda etapa, os comandados de Leão voltaram melhor e 'mataram o jogo'.  Aos 14 minutos, em uma bola tabela entre Diego e Léo, o meia lança para o lateral, que dentro da área, finaliza e empata o cotejo.

Nos acréscimos, em uma tabela entre Diego e Robinho, o meio-campista recebe a bola, entra na área chuta e faz 2 a 1. No encerramento da partida, o atleta até então com 17 anos, disse em entrevista na saída do campo que o São Paulo e o Morumbi davam-lhe  sorte, pois conseguia sempre anotar gols.

O rival da semifinal era o Grêmio/RS. A data do primeiro encontro estava marcada para o dia que iniciava o mês de dezembro. O local seria novamente a Vila Belmiro.

Émerson Leão mandou a campo Fábio Costa; Maurinho, Alex, André Luis e Michel; Paulo Almeida, Renato, Robert e Diego; Robinho e Alberto.

Pela equipe gaúcha, Tite escalou: Danrlei; Anderson Polga, Claudiomiro e Adriano; Anderson Lima, Emerson,Lauro, Rodrigo Fabri e Roberto; César e Rodrigo Mendes.

Os paulistas não tiveram dificuldades para vencer o esquadrão sulista e anotaram três gols. Alberto aos 38 minutos do primeiro tempo e aos 23 da segunda etapa fez os dois primeiros tentos. Robinho aos 34 minutos anotou o terceiro.

"Esse jogo eu iniciei entre os titulares. Lembro que antes da partida, o Danrlei deu declarações provocativas dizendo que o Santos era um time juvenil e que 'essa gurizada' não ia aprontar para o Grêmio, que segundo ele, um time de copeiro e acostumado a mata-mata. De fato, o Grêmio era um bom time, mas no jogo não tivemos dificuldades para fazer três gols e praticamente encaminhar a nossa classificação a decisão. No jogo da volta, atuamos com o regulamento de baixo do braço e nos garantimos na final ", relembrou Robert.

A peleja em Porto Alegre/RS ocorreu no dia 4 de dezembro, no Olímpico e os gaúchos ganharam por 1 a 0. O gol foi anotado por Rodrigo Fabri aos 23 minutos da etapa complementar.

A decisão foi um clássico paulista entre alvinegros. Corinthians e Santos. O Timão havia passado pelo Atlético/MG nas quartas de final e pelo Fluminense na semifinal.

Como a cancha santista não atendia todas as exigências que uma final de Brasileiro exige o Alvinegro Praiano teve que mandar seu confronto no Morumbi.

O Peixe foi escalado com Fábio Costa; Michel, Preto, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego; Alberto e Robinho.

Já Carlos Alberto Parreira mandou a campo Doni; Rogério, Scheidt, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Fabrício e Renato Abreu; Deivid, Guilherme e Gil.

Era o embate entre uma equipe que naquela temporada já havia ganho o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil, com um time experiente e entrosado, que via no Brasileirão a chance da tríplice coroa e tornar 2002 um ano inesquecível para a sua torcida, enquanto no outro era um clube que tentava sair da fila e estava com um time jovem, mas jogando bonito e chegando a final no auge do entrosamento.

A peleja ocorreu em um 8 de dezembro chuvoso na cidade mais populosa do País. Mesmo assim, o que se viu foi um bom jogo praticado e com o Santos sendo superior na maior parte do tempo.

O S.F.C. envolveu os visitantes praticamente o jogo todo. Tinham a posse de bola, trocavam bastante passes e eram perigosos nas finalizações.

Aos 15 minutos, Robinho dá um passe preciso para Alberto que entra na área, toca na saída de Doni e faz 1 a 0.

No segundo tempo, a superioridade santista se mostrou maior e como recompensa o segundo gol saiu no fim do jogo.

Em uma saída errada de Fabrício, Robinho rouba a bola, faz um lançamento longo para Renato que toca na saída e por cima de Doni.

Para a finalíssima, também no Cícero Pompeu de Toledo, Émerson Leão teve um desfalque importante que foi o atacante Alberto, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. O companheiro de Robinho foi William.

"Eu fiquei muito chateado com o Leão, pelo fato dele não ter me colocado para atuar no primeiro jogo. Queria entrar a todo custo. Com Alberto suspenso, eu achei que ele me colocaria de titular e adiantaria o Diego para fazer dupla com o Robinho. No entanto, ele preferiu o William. Eu segui chateado e com vontade de entrar em campo. Por uma infelicidade, Diego sofreu uma lesão logo no início do jogo e teve que sair. Eu entrei e consegui participar da final", relembrou Robert.

"Com a suspensão do Alberto, eu fui escalado como titular. O Leão me chamou e disse que eu era o substituto imediato do Alberto e por isso inciaria o jogo. Leão ainda afirmou que eu estava preparado e que não me cobraria gol na final e sim que não deixasse os zagueiros do Corinthians saírem jogando e segurar a bola na frente. O mais importante era eu cumprir essa função tática que ele pediu. No dia do jogo, o clima no vestiário estava muito bom. Todo mundo brincando e confiante na busca pelo título. Diferente do jogo de ida, onde havia mais tensão e muitos nem conseguiram dormir direito a noite (William foi um deles). Em campo deu tudo certo. Parecia até que nós éramos um time experiente e o Corinthians um time de garoto. Já que estávamos no baile, iríamos dançar até o fim", disse William.

William e Robinho fizeram dupla de ataque na final/Reprodução Instagram


Com isso, no dia 15 de dezembro, Leão mandou a campo: Fábio Costa; Maurinho, Alex, André Luis e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego; William e Robinho.

Pelo lado do Timão, Parreira,que recordou durante a semana que antecedeu este jogo que sua equipe ainda não havia perdido duas seguidas em 2002 e confiava nesse retrospecto para sair campeão, escalou Doni; Rogério, Ânderson,Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Fabinho e Renato Abreu; Deivid, Guilherme e Gil.

Logo no primeiro minuto de jogo houve lateral para o Timão. Kléber cobrou para Gil que na entrada da grande área cruzou para Guilherme cabecear e obrigar Fábio Costa a fazer uma ótima defesa.

Os visitantes responderam aos 10 minutos. Em uma falta pelo lado direito da entrada da área, Robert (que já havia entrado no lugar do lesionado Diego) cobrou, Alex cabeceou e Doni fez uma ótima defesa.

O jogo seguiu equilibrado e com os dois times procurando o ataque. Até que aos 35 minutos, ocorreu o lance que até hoje está na memória dos apaixonados por futebol.

Léo lançou a bola para Robinho que partiu em direção a área e deu oito pedaladas até chegar à área e obrigar, Rogério, acuado, a fazer pênalti. O próprio Robinho foi para a cobrança e fez 1 a 0!

Na etapa final, a primeira boa chance de gol foi aos 13 minutos. Falta para o Corinthians. Rogério lançou a pelota na área, Paulo Almeida tenta desviar, manda para o próprio gol e Fábio Costa, com uma boa intervenção evita um gol contra. Na sequência, em escanteio cobrado, Fábio Luciano cabeceou e obrigou o arqueiro santista a fazer novamente uma outra boa defesa.

O jogo pegaria 'fogo' a partir dos 30 minutos. O Corinthians vai ao ataque com Kléber que cruza na área para Deivid cabecear e finalmente empatar a partida.

Nove minutos depois, o Timão vai ao ataque novamente. A bola é alçada na área, Ânderson cabeceia e vira o placar. 2 a 1.  O tento deu um fio de esperança aos torcedores corintianos.

No entanto, aos 42 minutos, em uma tabelinha entre Robinho e Elano,o atacante vai até a área pelo lado direito, cruza para o meio-campista que finaliza e empata a partida. Agora, o título estava praticamente assegurado com o esquadrão da Vila Belmiro.

Aos 46 minutos, Fábio Costa lança a bola no meio-campo que sobra para Léo tocar para Robinho pelo lado-esquerdo. O atacante vai ate a linha de fundo, finta dois marcadores rivais e toca para Léo, na entrada da grande área, passar por um rival, finalizar com força e fazer 3 a 2. O gol da vitória e que fez o Corinthians de Parreira perder dois gols jogos consecutivos na temporada.

Depois deste lance, Carlos Eugênio Simon terminou a partida e o Santos finalmente pôde comemorar um título de Campeonato Brasileiro.

"Este foi o melhor momento da minha carreira.Até hoje os torcedores do Santos me procuram e conversam comigo sobre o que fiz no clube. Joguei no Palmeiras, Corinthians e Inter e os torcedores desses times nem falam comigo", explicou o ex-atacante Alberto.

"Tivemos méritos e competência para vencer os melhores times do Brasileirão.Nosso elenco era composto por grandes moleques que depois se tornaram grandes jogadores. Aquele título foi um 'start' para o Santos se tornar o grande clube que é hoje. Com um ótimo CT e uma boa estrutura de trabalho para os atletas. O Marcelo Teixeira (ex-presidente) fez um bom trabalho", relembrou Júlio Sérgio que agora é treinador de futebol.

"Fico feliz que a torcida até hoje lembra que eu fui o titular na primeira fase. Sempre falam comigo pessoalmente ou pelas redes sociais desse título e de eu ter tido uma participação importante.Não fiquei chateado do Fábio Costa ter atuado no mata-mata, até porque ele entrou muito bem e nos ajudou na conquista", continuou o arqueiro, que atuou em 23 dos 25 jogos da primeira fase (os outros dois jogos, Rafael foi o camisa 1).

"Nosso time foi uma sensação mundial. A final passou para mais de 70 países. Todo mundo falava dos Meninos da Vila. O principal nome era Robinho. O Ronaldo Fenômeno contou que foi aos treino no Real Madrid e o Zidane estava encantado com o 'menino das pedaladas'. Fizemos história. Muito bom ser ao mesmo tempo a sensação do campeonato e sermos os campeões", emendou Robert.

"A festa foi contagiante. Um time jovem campeão. Algo improvável. Lembro que fomos descer a serra e nunca demorou tanto para chegar em Santos. O ônibus ia a 10 km/h. Tinha torcedor correndo do lado ônibus. Polícia evitando que os torcedores tentassem entrar no nosso ônibus. Era festa em tudo que é canto. Sabíamos  que a torcida estava nos esperando na cidade e estávamos ansiosos para comemorar com eles.Foi algo marcante na carreira de todos. Até hoje conto para os meus dois filhos sobre este título. O quão importante foi para mim", finalizou William.

Obs: Esta base campeã seria mantida em 2003 e que se sagraria vice-campeã da Libertadores, perdendo para o Boca Júniors. A equipe argentina foi a sensação sul-americana da década passada ganhando 4 Libertadores. Alguns atletas santistas ainda permaneceriam em 2004 e participariam do bicampeonato brasileiro.


Os heróis de 2002:


Fábio Costa: Oriundo das categorias de base do Vitória, se profissionalizou em 1996, ganhando 3 estaduais e 2 Copas do Nordeste. Em 2000 se transferiu para o Santos onde faria história e se tornaria o segundo goleiro que mais vezes entrou em campo pelo clube.345 partidas. Atrás apenas do lendário Manga com 404 aparições. Como já mencionado na matéria, entrou nas quartas de final do Brasileiro de 2002 e fez parte do elenco campeão nacional. Ficaria na Vila Belmiro até 2003, onde foi vice da Libertadores. No ano seguinte se transferiu para o Corinthians e em 2005, faturaria seu segundo campeonato brasileiro.

Em 2006 voltou a Vila Belmiro e sagrou-se bicampeão paulista (06 e 07). Por ser um atleta temperamental chegou a ter problema de relacionamento com comissão técnica e jogadores. Foi afastado do elenco em 2010 e não voltaria mais a vestir o manto alvinegro. Na mesma temporada foi emprestado ao Atlético/MG atuando até 2011. Em 2013 voltou aos gramados para defender o São Caetano, mas novamente tendo problemas de relacionamento acabou jogando pouco e em dezembro anunciou sua aposentadoria.

Pela Seleção Brasileira foi campeão do Pré-Olímpico de 2000.

Júlio Sérgio: Chegou ao Santos em 2002 através do técnico Émerson Leão. O arqueiro até então com 22 anos, havia atuado por clubes pequenos do estado de São Paulo. Pelo título de 2002 atuou em 23 dos 25 jogos da primeira fase. Permaneceu no clube até 2004, onde faturou o bicampeonato brasileiro. No entanto, nunca se firmou como titular. Em 2005 jogou no Juventude e no ano seguinte, após uma rápida passagem pelo América/SP se transferiu para a Roma-ITA.Pelo clube italiano, teve como companheiros de posição, os seus compatriotas, Doni e Arthur. Nos Giallorrossi permaneceu até 2013. Nesse período chegou a ser titular durante uma temporada e também atuou por empréstimo no Lecce (2011/12). Em 2014 retornou ao Brasil para defender o Comercial/SP, mas devido a uma lesão pouco jogou. No momento, tenta a carreira de treinador e tem negócios, fora do futebol, em Ribeirão Preto/SP, sua cidade natal.

Rafael: Atuou em 2 jogos do título brasileiro de 2002. Foi o goleiro titular na vitória sobre o Vasco por 2 a 1 e na derrota para o São Caetano por 3 a 2. Em 2005, sem chances na Vila Belmiro, se transferiu para o São Bento, onde ficou duas temporadas. Em 2007, se transferiu para o Verona-ITA e atuou ate 2016. No momento, aos 35 anos, defende pela terceira temporada consecutiva o Cagliari-ITA.

Maurinho: No início da carreira rodou em pequenos clubes do interior de São Paulo, até chegar ao Santos em 2002. Aos 25 anos foi titular do Alvinegro Praiano na conquista do Brasileiro. Em 2003 a convite do técnico Vanderlei Luxemburgo se transferiu para o Cruzeiro. Entrou para a história da Raposa, pois foi titular absoluto na conquista da Tríplice Coroa de 2003 ( Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão). No entanto, uma lesão no joelho direito prejudicou sua boa sequência na carreira. Permaneceu em Belo Horizonte/MG até meados de 2006, onde se transferiu para o São Paulo. No Tricolor, tentou no REFFIS recuperar sua forma física, onde não houve êxito e pouco atuou no título do Brasileiro de 2006. Mauro Sérgio Viriato Mendes ainda passaria por Goiás (2007), retornaria ao Cruzeiro (2008/09) e depois rodaria por clubes pequenos até encerrar a sua carreira em 2012 no Fernandópolis (clube de sua cidade natal e onde iniciou sua trajetória).

André Luis: Revelado no Santos, André Luís é o que chamamos hoje de 'zagueiro-zagueiro'. Aquele atleta sem muita técnica, mas com um porte físico forte, que chegava duro e intimidava os adversários. Foram várias as confusões em campo criadas pelo defensor oriundo de Porto Alegre/RS. Fez sua estreia como profissional em 2000. No ano seguinte, para a disputa do Brasileiro, foi emprestado ao Fluminense. Em 2002 retornou para a Vila Belmiro e foi titular da zaga campeã brasileira. Ao lado de Alex , a dupla ganhou o apelido de 'Torres Gêmeas'. Participou do vice-campeonato de 2003 da Libertadores e do bicampeonato brasileiro em 2004. Em 2005 teve uma rápida passagem pelo Benfica-POR e depois pelo Olympique de Marselha-FRA. Voltou ao Brasil em 2007 para defender o Cruzeiro. Passou ainda por Botafogo/RJ, São Paulo/SP, Fluminense novamente, Portuguesa/SP, Boa Esporte/MG, Brasiliense/DF e Mogi Mirim/SP. Nesta temporada,aos 38 anos, defendeu o Taboão da Serra/SP e o Hercílio Luz/SC.

Alex: Uma das grandes revelações do futebol brasileiro de 2002 foi o zagueiro Alex. Um defensor bom na marcação, no toque de bola e até fazia gols de faltas. Deu a impressão que em pouco tempo seria titular absoluto da Seleção Brasileira. Permaneceu na Vila Belmiro até meados de  2004, onde depois se transferiu para o PSV-HOL.Pelo clube de Eindhoven, o atleta oriundo de Niterói/RJ foi tricampeão holandês e faturou uma Copa da Holanda. Em 2007 se transferiu para o Chelsea, onde fez dupla com o lendário John Terry. Por lá ficou até 2012 e saiu pela falta de espaço no time principal. Se transferiu para o PSG, que era até então o 'novo-rico'da Europa e começava a apostar muito em jogadores brasileiros. Pelo clube francês  foi bicampeão nacional e faturou uma Copa da França. Em 2014 se transferiu para o Milan. O clube italiano já estava em decadência e foi a única equipe em que o brasileiro não ganhou títulos. Por lá ficou até 2016, onde conviveu com várias lesões e após o término do contrato, decidiu se aposentar. Parou aos 34 anos, pois tinha um problema crônico no joelho e que teria que passar por uma cirurgia e ficar por volta de nove meses afastado dos gramados.

Pela Seleção Brasileira integrou o elenco campeão da Copa América de 2007. No entanto, nunca foi titular absoluto e nem disputou uma Copa do Mundo, o que fez com que sua carreira, apesar de vitoriosa, não fosse tão grande como se esperava.

Preto: Iniciou sua carreira profissional em 2000 pelo Santos.Permaneceu até 2004, mas sem muito destaque e nunca se firmando como titular. Desde que deixou o Alvinegro, rodou por clubes pequenos do Brasil. Seu maior destaque foi em 2009 quando foi campeão da Série C com o América/MG. Sua última equipe foi o Bacabal/MA em 2014.

Léo: Deste elenco campeão brasileiro de 2002, Léo é possivelmente o jogador mais identificado e idolatrado pelo Santos. Leonardo Lourenço Bastos iniciou sua carreira no Americano de Campos/RJ (time de sua cidade natal) e onde fez sua estreia como profissional em 1996. No ano seguinte se transferiu para o União São João/SP, que naquele período era uma das principais equipes do interior de São Paulo. No clube de Araras/SP permaneceu até 2000 e depois foi para o Santos/SP. Em sua primeira passagem pela Vila Belmiro faturou 2 Brasileiros e foi vice-campeão da Libertadores de 2003. Em 2005 se transferiu para o Benfica-POR. No clube lisboeta ficou até 2009 e em seguida retornou ao Alvinegro Praiano. Em sua segunda passagem pelo S.F.C, Léo era uma das referências da equipe e foi tricampeão paulista (2010,11 e 12), campeão da Copa do Brasil (2010), Libertadores (2011) e da Recopa Sul-Americana (2012). É o atleta com mais títulos jogando pelo Santos,pós era-Pelé (1974 em diante). Encerrou a carreira em meados de 2014, por conta de várias lesões que teve nas últimas temporadas .

Pela Seleção Brasileira integrou o elenco campeão da Copa das Federações de 2005.

Paulo Almeida: Mais um jogador revelado nas categorias de base que foi titular e encantou o Brasil em 2002.Era um meio-campista discreto e que apenas cumpria sua função como primeiro volante. Permaneceu na Vila Belmiro até meados de 2004, quando foi negociado com o Benfica-POR. Sem muita chance nas Águias, o atleta natural de Itarantim/BA veio para o Corinthians em 2006. Também ficou abaixo do que se esperava e deixou o Timão em 2007. Seu destino seguinte foi  o Náutico e a partir daí atuou em clubes pequenos do Brasil e inexpressivos do exterior, até cair no esquecimento. Sua última equipe foi o Vitória da Conquista/BA em 2015.

Integrou a Seleção Brasileira que foi vice-campeão da Copa Ouro (Concacaf) de 2003.

Elano: Um ótimo coadjuvante. Era assim que Elano era visto. Um meio-campista que não era o dono do time, mas sempre ajudava com passes e gols. Sua trajetória foi iniciada no Guarani, mas foi no Santos que se tornou profissional em 2001 e a carreira deslanchou após a conquista do Brasileiro de 2002. Pela Vila Belmiro ficou até o final de 2004, se sagrando bicampeão nacional. Em 2005 começou a sua trajetória na Europa. Seu primeiro destino foi o Shaktar Donetsk. Por lá foi bicampeão ucraniano e em 2007 se transferiu para o Manchester City. Pelo clube inglês esteve presente em duas temporadas, sendo titular, mas sem levantar taças. Em 2009 foi para o Galatasary, onde permaneceu até 2010. No ano seguinte retornou ao Santos e foi titular na campanha do tricampeonato da Libertadores. Ainda se sagraria bicampeão paulista (2011 e 12). Em 2012 e 13 atuou pelo Grêmio e em 2014 foi para o Flamengo e se sagrou campeão carioca. Em 2015, voltou ao Santos  e foi novamente bicampeão estadual (15 e 16). Em 2017, com a carreira encerrada, é auxiliar-técnico do próprio Santos. Vale ressaltar que teve uma rápida passagem pela Índia em  e faturou a Supercopa Indiana pelo Chennaiyin.

Pela Seleção Brasileira era tido por Dunga como o jogador de confiança e titular absoluto. Foi campeão da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009. Na Copa do Mundo de 2010 era titular absoluto, anotando um dos gols no triunfo da estreia sobre a Coreia do Norte e outro na vitória sobre a Costa do Marfim por 3 a 1. No entanto, no duelo contra os africanos, pela segunda jornada, o atleta sofreu uma lesão grave na perna esquerda e não pode mais atuar naquele Mundial.

Renato: Revelado no Guarani, Renato é um dos grandes volantes que atuaram no futebol brasileiro na última década. Chegou ao Santos em 2000, mas foi no título de 2002 que ganhou projeção nacional. Permaneceu na Vila Belmiro até meados de 2004, se transferindo para o Sevilla-ESP. No clube espanhol, foi bicampeão da Liga Europa (2005/06, 2006/07), da Copa do Rei (2006/07 e 2009/10), uma Supercopa da Europa (2006) e uma Supercopa da Espanha (2007). Voltou ao Brasil em 2011 para defender o Botafogo. Pelo clube carioca era titular absoluto do meio-campo e faturou o estadual de 2013. Desde 2014 defende o Santos e ganhou dois Paulistas (2015 e 16).

Pela Seleção Brasileira foi campeão da Copa América (2004) e da Copa das Confederações (2005).

Diego: Quando iniciou a temporada 2002 no time principal o que chamava a atenção, não era só a qualidade técnica e sim a maturidade. Atuava e decidia jogos como se fosse um jogador experiente. Não demorou para pegar um lugar no time titular e para muitos seria um camisa 10 inquestionável da Seleção Brasileira.

Pelo Alvinegro Praiano foi decisivo no mata-mata que garantiu o Brasileiro de 2002 e ao lado de Robinho formaram a dupla que era uma celebridade no Brasil.

Permaneceu na Vila Belmiro até meados de 2004, quando se transferiu para o Porto-POR. Pelos Dragões,apesar de ser titular, alternou entre bons e maus momentos, faturando 1 Campeonato Português, 1 Mundial de Clubes e 1 Supercopa de Portugal. Em 2006 se transferiu para o Werder Bremen e foi onde viveu de fato seu primeiro grande momento na Europa. Em sua primeira temporada faturou a Copa da Liga Alemã  e eleito o melhor jogador da Bundesliga 2006/07.Posteriormente, foi vice-campeão alemão e ganhou uma Copa da Alemanha 2008/09. Com o bom destaque pelo Alviverde, o brasileiro foi parar na Juventus-ITA. Ficou uma temporada na Itália, onde os Bianconeri não tiveram um bom desempenho e com o brasileiro não foi diferente. Em 2010 retornou à Alemanha para defender o Wolfsburg. Depois atuou no Atlético de Madrid, onde faturou a Liga Europa 2011/12 e o Campeonato Espanhol 2013/14. Posteriormente atuou duas temporadas no Galatasaray da Turquia e em 2016 retornou ao Brasil para defender o Flamengo. Pelo Rubro-Negro venceu o Campeonato Carioca de 2017 e é titular da equipe.

No entanto, pela Seleção Brasileira nunca foi o titular absoluto que se esperava e nunca participou de Copa do Mundo. Foi bicampeão da Copa América (2004 e 07) e foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

Robert: Sabe aquele jogador que atuou por vários times, mas ficou marcado por um só? É o caso de Robert Almeida da Silva. O meia que iniciou a carreira no Olaria/RJ é lembrado até hoje como o Robert que jogou no Santos/SP. Antes de chegar na Vila Belmiro em 1995, o meio-campista passou pelo Guarani/SP. Pelo Alvinegro Praiano foi titular do time vice-campeão brasileiro de 1995. Após dois anos no litoral paulista, atuou por Grêmio e Atlético/MG e em 2000 voltou para o Santos. Nesse período atuou por empréstimo no São Caetano em 2002, sendo vice-campeão da Libertadores. Após o título brasileiro de 2002, Robert se transferiu para o Japão (Consadole Sapporo) permanecendo meia temporada. Em 2003 volta ao Brasil para atuar pelo Corinthians e no ano seguinte se transferiu para o Bahia (time de sua cidade natal), onde ficou até 2005. Em 2006 voltou ao Rio de Janeiro/RJ (onde passou parte da infância e adolescência) para defender o América/RJ, sendo vice-campeão da do segundo turno e terceiro colocado na classificação geral do Carioca. Após o estadual, encerrou a carreira aos 35 anos. Pela Seleção Brasileira atuou em 5 jogos. No momento, é técnico do União ABC/MS.

Robinho: Jovem franzino e extremamente habilidoso chamou a atenção, principalmente na final do Brasileiro de 2002, ao dar 8 pedaladas na frente de Rogério do Corinthians. O lance percorreu o mundo e até hoje é tido como um 'cartão de visita'de Robinho e uma boa propaganda do que ocorre nos gramados do nosso País. Todos davam como certo que o atleta até então com 18 anos seria um novo craque do futebol brasileiro e um dos principais do mundo. Sem dúvida alguma, Robson de Souza vingou como um grande atacante de sua geração, mas passa longe de ter sido um dos melhores do mundo e um 'imortal'do futebol brasileiro. Após o bicampeonato brasileiro pelo Santos, foi vendido ao Real Madrid em 2005 e chegou com pompa de craque. Foi bicampeão espanhol e decisivo em vários jogos. Mas nunca foi 'O Cara'dos Merengues como se esperava. Em 2008 foi para o Manchester City. No clube inglês, teve um bom início, mas caiu muito de rendimento e em 2010, sem espaço, acabou retornando, por empréstimo ao Santos. Era a chance de se reconciliar com o clube que o revelou e saiu brigado em 2005 ( forçando a sua saída para a Espanha). Pelo Santos, fez parte do time campeão paulista e da Copa do Brasil e que encantou o Brasil com um futebol ofensivo e bonito de se ver. Foi um bom coadjuvante de uma equipe comandada pelos jovens Neymar e Paulo Henrique Ganso. Na sequência, foi emprestado ao Milan e foi campeão italiano da temporada 2010/11, tendo um bom desempenho. Após quatro temporadas, retornou novamente ao Santos, por empréstimo e faturou novamente o Campeonato Paulista (2015). Em seguida, foi vendido ao Guangzhou Evergrande e foi campeão chinês. Após seis meses retorna ao Brasil para defender o Atlético/MG, deixando a torcida santista brava novamente, por não ter voltado ao clube que o revelou. No Galo, faturou o Campeonato Mineiro de 2017. Aos 32 anos, está longe de ser o jogador diferenciado que foi no início de sua carreira.

Pela Seleção Brasileira venceu duas vezes a Copa das Confederações (2005 e 09) e a Copa América (2007). Disputou as Copas do Mundo em 2006 e 10.

Alberto: Chegou ao Santos para o Brasileiro de 2002 e já tinha 27 anos. Antes, havia atuado profissionalmente por Ituano/SP, Paulista/SP, Rio Branco/SP, Internacional/RS, futebol mexicano, Palmeiras/SP e Náutico/PE. Sua primeira boa aparição foi pela equipe de Americana/SP no Paulista de 2000 em uma vitória por 5 a 2 sobre o Palmeiras. O técnico do Verdão, Luis Felipe Scolari, pediu a contratação de Alberto e disse que o conhecia desde a sua passagem pelo Inter em 1997, onde integrou o elenco campeão gaúcho. No Palestra Itália fez o gol do título da Copa dos Campeões de 2000. Em 2001 atuou no Náutico e em 2002 retornou ao Rio Branco/SP para depois chegar a Vila Belmiro e ser decisivo na conquista do Brasileiro.

Em 2003 se transferiu para o Dinamo Moscou-RUS, mas no início de sua estadia na Rússia pegou uma pneumonia bacteriana e ficou três meses afastado. Ao retornar, pouco atuou e em 2004 foi emprestado ao Corinthians, onde também não teve grande destaque. Em 2005 foi emprestado ao Rostov da Rússia e no início de sua estadia acabou se lesionando e pouco jogou.

Em 2006 voltou ao Brasil e defendeu o Atlético/MG e o Coritiba. Em 2007, jogou no Kofu do Japão. Após um ano voltou ao Brasil e jogou pelo Grêmio Barueri  sendo campeão paulista do Interior e depois jogou o Brasileiro da Série B.Passou ainda por Ceará, Comercial/SP e Grêmio Catanduvense/SP e encerrou a carreira em 2010.

No momento, vive em Jundiaí/SP e tem duas escolas de futebol franqueadas com o Santos/SP. É dono da empresa Alberto Sport Clube, que cuida de jovens atletas e os leva para fazer testes em times de futebol.

William: Foi mais um atleta revelado nas categorias de base do Santos que foi campeão brasileiro de 2002. Permaneceu na Vila Belmiro até 2005 (fez parte do elenco bicampeão de 2004), mas nunca se firmou como titular. Ao sair do litoral paulista, iniciou suas 'andanças' por clubes do Brasil e do mundo. Defendeu Boavista/POR, Coritiba, Fortaleza, Guingamp-FRA e em 2008 assinou com o Avaí, onde seria campeão catarinense no ano seguinte. Em 2010 se sagrou campeão gaúcho pelo Grêmio. Na sequência, atuou por Ponte Preta, Atlético/GO, Vitória, novamente Ponte Preta (onde se sagraria campeão paulista do interior de 2013), Ceará, Avaí (foi vice-campeão brasileiro de 2016), Água Santa/SP e no momento, aos 34 anos, atua no Náutico.

Douglas: Outro jogador revelado pelo Santos e que foi campeão brasileiro de 2002. Permaneceu no Alvinegro Praiano até 2005 (com uma rápida passagem pelo Goiás em 2004) e depois se transferiu para o Chiasso da Suíça. Na sequência atuou por times pequenos da Itália, França,Espanha e em 2010 foi para a Tailância onde até 2015 jogou por cinco equipes diferentes.

Michel: Michel Reis Santana iniciou a carreira no Santos, onde atuou entre 1995/2002. Foi o lateral-direito reserva na conquista do Brasileiro.  Em 2003 começou sua peregrinação por clubes brasileiros. Destaque para o São Paulo em 2005, onde integrou o elenco campeão da Libertadores. Sua última equipe foi o Serrano/BA em 2012.