sexta-feira, 22 de maio de 2020

Conheça Léo Neiva: técnico com passagens por Ásia, África e Caribe!

Quando um brasileiro visa a carreira de futebol, a meta é brilhar nos grandes clubes do País, nos principais da Europa e jogar uma Copa do Mundo.

Entretanto, nem sempre o destino nos reserva o que planejamos. Mas, muitas vezes, os caminhos imprevisíveis podem trazer bons frutos e histórias ricas em títulos, aprendizado e cultura.

Um desses vários exemplos, é o técnico Leonardo Martins Neiva, com passagem em mercados emergentes de três continentes.

Léo Neiva jogou profissionalmente em equipes de menor expressão até os 23 anos. O carioca atuou como meia-atacante em clubes do estado do Rio de Janeiro. Chegou a se aventurar em Portugal (Vilanovense FC), porém não obteve sucesso.

Em 2002 se formou em educação física pela Universidade Castelo Branco. Entretanto, preferiu inicialmente, não seguir no futebol, pois, queria desvincular o pensamento de atleta, uma vez que começou aos 8 anos de idade no antigo Futebol de Salão do Sírio Libanês tendo ainda jogado no Fluminense FC até os 12.

"Joguei até 2001, mas sabemos das dificuldades do futebol. Nesse período também cursava a faculdade de educação física. Logo, tinha uma rotina pesada de treinos e estudos. Era muito sacrificante e nos clubes não tinha o retorno que esperava. Via que não iria chegar no nível de excelência desejado e resolvi focar nos estudos. Depois de formado, ainda fiz um MBA em gestão esportiva na FGV e cheguei a trabalhar em academias no Rio de Janeiro", relembrou o técnico de 42 anos, em entrevista exclusiva a este blog.


Léo Neiva como jogador em sua passagem pelo E.C. Nova Cidade de Nilópolis/RJ


Em 2005, Neiva decidiu deixar o Rio de Janeiro e ir passar uma temporada nos Estados Unidos. O intuito era aprender e falar fluentemente o inglês. Viveu em Miami e New Orleans.

“Fiquei por 6 meses e como tinha que me manter, além do futebol trabalhei em outras áreas. Foram 6 meses atípicos e marcantes com certeza", afirmou o carioca.

Ao regressar ao Brasil, decidiu retornar o trabalho com o futebol. Já havia desligado a “cabeça” de atleta. Em seguida, começou a dar treinos em um núcleo do Flamengo no bairro Recreio dos Bandeirantes, na capital fluminense.

No ano seguinte, através do ex-lateral-esquerdo Maciel (ex-Vasco e Juventude) veio a indicação para ser auxiliar-técnico de Carlos Roberto (campeão carioca em 2006 com o Botafogo) no América/RJ na disputa da Série C do Brasileiro. O objetivo do Diabo da Tijuca era conseguir o acesso à Série B e quase conseguiu.

Léo Neiva conheceu Maciel quando teve uma breve passagem nos juniores do Juventude/RS tendo sido comandado por Mano Menezes. Mais de duas décadas depois, Neiva iria reencontrar Mano novamente, mas, como colega de curso na Licença Pró (CBF).
Mano Menezes e Léo Neiva em curso na Licença Pró (CBF). 



"O América tinha um bom time e um treinador vitorioso e experiente. Em 2006 havia sido vice-campeão do primeiro turno do Carioca e em 2007 também do primeiro turno havia sido semifinalista. Tinha jogadores experientes como o ex-volante Válber, os ex-laterais Bruno Carvalho e Maciel, e o atacante Fernandão (atualmente no Bahia) ainda em início de carreira. Era um elenco bom e confiante. Eu era um dos auxiliares. Chegamos até a terceira fase”, relembrou Neiva.

Em 2008 apareceu uma oportunidade para trabalhar na África do Sul e ali iniciou suas andanças pelo mundo. Neiva soube que estavam procurando brasileiros para trabalharem nas categorias de base de uma equipe.

"Eu lembro que a entrevista para conseguir esse emprego foi em um hotel do Rio de Janeiro e feita por um irlandês. A conversa foi em inglês, ou seja, aquela temporada nos Estados Unidos foi fundamental para eu conseguir meu trabalho na África do Sul", rememorou o brasileiro.

O clube que o contratou foi Platinum Stars F.C., que ficava no noroeste do País.  A região é rica em Platina, um metal químico com pouca reatividade e difícil de ser encontrado. A África do Sul está entre os maiores produtores, tendo 80% da reserva mundial. Logo, quem administrava a equipe era uma empresa que detinha também o poder sobre a Platina. A Nação Royal Bafokeng, é quem manda na região e por consequência, da empresa.


Técnico brasileiro na reinauguração do Royal Bafokeng Stadium. Palco da Copa do Mundo de 2010.


"Eu morei em Rustemburg, uma cidade fundada por holandeses. Havia muito clima de interior, com bastantes animais, montanhas e estradas. Um clima tranquilo. O povo sul-africano é bem simpático e acolhedor. O futebol lá é muito popular entre os negros e em 2010 a África do Sul sediaria a Copa do Mundo. Acompanhei de perto toda a estruturação para receber a Copa e o processo de solidificação da Premier Soccer League", recordou, para depois falar sobre a sua função no clube.

"O meu trabalho e de outros brasileiros era na base do clube. Tínhamos que captar talentos pela região e depois formarmos as equipes entre sub-13 e 20. Trabalhei em todas as categorias. O time tinha condições e havia muito investimento da Royal Bafokeng Sports Holdings que havia comprado o clube. Logo, não havia do que reclamar das condições de trabalho", continuou.

Rustemburg foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2010 e para a reinauguração do estádio Royal Bafokeng houve um amistoso entre a nação anfitriã diante da Noruega. Os africanos venceram por 2 a 1. No entanto, antes disso, o Platinum Stars F.C. entrou em campo e venceu dois torneios, sub-13 e sub-17 da Nelson Mandela Cup.

"A Nelson Mandela Cup é uma espécie de Taça BH ou Copinha SP da África do Sul. Reúne os principais clubes do país e também times da Europa. Em várias categorias. É uma competição internacional. A nossas equipes sub-13 e sub-17 foram a campo e venceram seus respectivos jogos, sendo campeãs. Depois, teve o jogo da seleção principal sul-africana diante da Noruega. Este jogo ficou marcado como a reinauguração do estádio, mas o que foi de fato o pontapé inicial, foi o Royal Bafokeng SC (Base do Platinum Stars FC) e com dois títulos da molecada", recordou o sul-americano.

Ao final de 2009, o contrato com a equipe africana foi encerrado e Léo Neiva retornou ao Rio de Janeiro. Acreditou que era o momento de novos desafios. No primeiro semestre de 2010 teve uma passagem no sub-20 do Bonsucesso na disputa do Campeonato Carioca. Porém, o comandante recebeu uma proposta inusitada: formatar a base e ser técnico do Yadanarbon FC de Mianmar!

Mianmar se chamou Birmânia até 1989 e a seleção daquela nação teve bons resultados nas décadas de 1960 e 70. A equipe foi cinco vezes campeã de forma consecutiva dos Jogos do Sudeste da Ásia e uma vez vice-campeã da Copa da Ásia.  Participou das Olimpíadas de 1972.

Entretanto, o sucesso ficou no passado e o futebol foi usado pelo atual governo para reabrir as fronteiras com o mercado estrangeiro, após anos reclusos e sob uma ditadura militar.

"Eu nunca tinha ouvido falar de Mianmar. Conhecia por Birmânia! Não sabia que o país havia mudado de nome. Decidi ir mesmo sem ter informações. Mianmar ainda era muito fechado e muito diferente do eu estava acostumado como sociedade.  Eu lembro que cartões de crédito e débito ainda não existiam. Nem cheque. Via situações curiosas, como alguém indo comprar um apartamento, por exemplo, e todo o dinheiro estar em sacos de batata sendo transportados sem risco algum (risos)", revelou.

"Lembro também que havia muitos guardas pela rua. Se eles vissem aglomerações com 4 ou 5 pessoas, eles já interviam e iriam querer saber o motivo da reunião. Nas ruas, caso precisasse usar o telefone público, tinha que pedir autorização para um guarda, que ficava ao lado escutando a conversa. O mesmo aparelho era desconectado e recolhido às 18h. A Internet praticamente não existia! Cheguei a ficar 1 mês sem ter contato com meus familiares em 2011", continuou.


Neiva sendo destaque em jornal de Myanmar. O que está escrito?


"O povo de Mianmar adora futebol. É muito popular . A intenção deles era criar uma liga profissional e trazer estrangeiros para trabalhar no desenvolvimento e abertura do futebol local. Era uma forma do governo mostrar ao mundo que havia uma política nova e isso seria feito através do futebol", seguiu.

Embora, o país sendo subdesenvolvido, Neiva disse que tinha boas condições de trabalho além de excelente infraestrutura de moradia.

No Yadanarbon FC, o carioca ficou 15 meses. O grande destaque foi em uma excursão à Tailândia  para uma série de amistosos e venceu os principais clubes, inclusive o Muangthong United FC. Os tailandeses possuem uma economia muito mais forte e já havia mais investimento nas equipes.

"Fizemos 8 jogos na Tailândia, vencendo 4, empatando 2 e perdendo os outros 2.  Ganhamos do Muangthong FC, um dos gigantes da Tailândia. Esse bom desempenho chamou atenção, pois, ninguém esperava por isso. Era como se um time do Paraguai ganhasse de um clube do Brasil, por exemplo", recordou o treinador.

O bom desempenho fez com que recebesse a proposta para trabalhar no Rakhine United FC, mas no profissional, no final de 2011 para disputar o quarto ano da Myanmar National League (MNL) em 2012. Neiva foi o primeiro brasileiro a comandar uma equipe profissional em Mianmar.

“Pude usar os 15 meses na base do Yadanarbon FC como ‘laboratório’ e logo após pude assumir a minha primeira equipe profissional aos 33 anos”, explicou o sul-americano.

A intenção da equipe comandada pelo brasileiro era não ser rebaixada. No entanto, no meio do campeonato, Léo Neiva, deixou o clube alegando problemas internos.

“Estávamos em sexto lugar. Expectativa acima da média. Porém, tivemos problemas e ficou um ambiente ruim. logo, tive que sair. Entretanto, foi um período bem legal. Eram 14 equipes. A maioria dos técnicos eram europeus. Treinadores da França, Reino Unido e Sérvia, por exemplo. Logo, houve um intercâmbio muito bom entre 'escolas do futebol'. Muito do que se fazia na Europa, tentava se aplicar em Mianmar, então tive contato direto com o estilo europeu de jogo," explicou, para depois falar sobre os atletas estrangeiros naquela nação.

"Já entre os jogadores, a maioria eram brasileiros e africanos, dentre os estrangeiros. Em 2012, cada time poderia ter até 3 estrangeiros. No meu clube, havia 2 brasileiros e 1 liberiano. Os brasileiros, eram o meia Andrey Coutinho, que trabalhou comigo na base do Bonsucesso, e passou pelo Paysandu e  o volante Alexandre Alves ex-Botafogo e Bangu", continuou.

Ao retornar ao seu país de origem, Neiva passou o final de ano junto com a família e recebeu uma proposta para trabalhar na Francana que disputaria a Série A-3 do Campeonato Paulista, onde ficou por somente 3 meses.

O próximo destino foi um retorno à África: mais especificamente no Young Africans SC da Tanzânia. Na temporada 2014/15, a equipe foi campeã nacional e da Supercopa da Tanzânia.

"A Tanzânia surpreendeu muito pelo bom nível dos atletas. É um mercado ainda pouco explorado, mas que compensa muito trabalhar, pois, há jogadores com muito potencial.  Muita força agregada a habilidade. Só precisavam de mais disciplina tática. Eu se trabalhasse em um clube brasileiro, traria facilmente jogadores africanos de seleção (acessíveis ao nosso mercado). Se assumo um clube de Série B ou C de Brasileiro,por exemplo peço para contratarem 2 atletas, meias e atacantes, e garanto que brigaria pelo acesso. Tem muito clube brasileiro que paga caro por jogadores medianos e que por um salário menor pode se trazer um jogador africano de seleção tendo um ótimo retorno”, continuou.

Já em 2015, Léo Neiva foi se aventurar no Caribe. Comandando o Montego Bay United FC, o brasileiro foi campeão do segundo turno jamaicano, mas acabou sendo demitido após o término da temporada.


Léo Neiva em sua passagem pela Jamaica.


"A Jamaica é um país que tem muito da cultura africana. Logo, não foi difícil se adaptar ao lugar e ao futebol, que tem muita similaridade.  Eu fiquei 3 meses e em 11 jogos que comandei o Montego Bay foram 7 vitórias, 3 empates e 1 derrota. O revés foi na última rodada, ou seja, fiquei 10 jornadas invicto. O grande problema foi a divergência de conceitos e ideias e fui mandado embora, mesmo ganhando o segundo turno", relembrou.

"No entanto, foi bem legal conhecer melhor o futebol do Caribe. Ali há muitos jogadores com potencial. Mas a maioria sabe que não tem condições de ir para um mercado maior ou disputar uma Copa por suas seleções e acabam usando o talento futebolístico para ir estudar em uma universidade nos Estados Unidos. Ganham bolsa de estudos. O futebol local acaba não se desenvolvendo por isso", continuou.

Após retornar ao Brasil em janeiro de 2016, resolveu dar um tempo e curtir o nascimento de sua filha.  Voltou ao trabalho apenas em outubro de 2016, quando recebeu o convite do Yadanarbon F.C., de Mianmar, clube que trabalhou em 2010/11 na base. Desta vez para o profissional.

"Foi muito legal receber a proposta de um clube que havia trabalhado anteriormente. Sinal que deixei um bom legado. A maioria dos jogadores que havia trabalhado na base estavam representando a seleção principal de Mianmar. Encontrei um país bem mais desenvolvido. Crianças brincando nas ruas, as pessoas andando com roupas da atualidade e uso bem amplo da internet. O futebol também já estava mais desenvolvido. Por lá, eu estava indo bem. Fiquei até abril de 2017 e me apareceu uma proposta do Thai Honda da Tailândia. Era um país com um futebol melhor e um mercado emergente. O país estava investindo e contratando bons nomes. Aceitei. A equipe era patrocinada pela empresa japonesa Honda e no elenco havia os atacantes brasileiros Ricardo Jesus (ex-Inter e Ponte Preta), Rafinha (ex-Flamengo e Bahia) e o meio-campista Gustavo Silva (ex Bangu e Yuen Long)”, comentou o brasileiro que foi eleito o melhor treinador da semana da Thai Premier League, após o triunfo inédito do clube sobre o Muangthong United FC. 

Entretanto, enquanto estava dirigindo a equipe tailandesa, houve em 2017 uma fiscalização da AFC (Asian Football Confederation) das licenças que cada treinador tinha. Para evitar uma punição, Léo Neiva voltou ao Brasil e tirou a licença ‘A’ de Treinador, que faltava para poder seguir em seu trabalho e foi uma exigência do clube em qual ele trabalhava.


Neiva em sua passagem pela Tailândia.

"Eu fiquei 6 meses no Thai Honda e aí AFC informou que teria que fazer uma fiscalização nas licenças de treinadores. Eu não tinha a licença ‘A’ da CBF. A minha última licença havia sido feita em 2007 e eu precisava renovar. Logo, tive que voltar ao Brasil. Fiquei no total 24 dias ausente do clube, ou seja, deixei a equipe no meio do campeonato. Me ausentei de 4 jogos. Quando retornei as coisas no clube haviam sido mudadas sem o meu conhecimento e não estavam boas. Logo, 2 meses após o meu retorno acabei saindo", revelou.


Ao vencer o Muangthong United, Léo Neiva, foi eleito o melhor treinador da semana na Tailândia e foi destaque em sites esportivos. O Thai Honda nunca havia conseguido vencer o gigante da Tailândia.


Em 2018 e 2019, Léo Neiva, seguiu no Rio de Janeiro e tirou a Licença-Pró de técnico em curso organizado pela (CBF).  Curso de qualificação máxima para treinadores no momento.

“Tive a honra de ser colega de turma dos melhores técnicos do futebol brasileiro e mundial. Nomes consagrados como Mano Menezes, Dunga, Renato Gaúcho, Tite, Gallo entre outros. Foi um intercâmbio de informações ímpar”, explicou Léo.

Nesse tempo chegou a ter algumas sondagens de trabalhos. Uma delas foi para assumir a Seleção de Botswana. Houve procura dos dirigentes e posteriormente uma conversa, mas não houve acordo.

Voltou aos trabalhos em dezembro de 2019 no Atlético Itapemirim/ES. Fez a pré-temporada com a equipe e dirigiu apenas nas 2 primeiras rodadas do Campeonato Capixaba de 2020. Somou 3 pontos. Saiu por problemas inerentes do Futebol.

Enquanto aguarda proposta de alguma equipe, Neiva avalia o que faz com que o treinador brasileiro não tenha espaço em grandes ligas da Europa.

"É uma questão política. Manobra de reserva de mercado através da criação de Licenças pela UEFA / FIFA visando valorizar mais os técnicos europeus. Na época em que João Havelange era o presidente da FIFA, havia muitos brasileiros em Portugal, na Ásia e principalmente no mundo árabe onde fomos os pioneiros e tivemos sucesso inclusive com treinadores brasileiros classificando seleções e disputando Copas do Mundo. Perdemos este mercado e hoje estamos reconquistando. Pouco depois, ainda tivemos o Felipão na Seleção de Portugal e no Chelsea-ING e o Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid. Agora, há exigência da UEFA que se faça os cursos dela para trabalhar na Europa. Os cursos oferecidos pela CBF estão sendo reconhecidos aos poucos. Hoje o treinador brasileiro com experiência mínima em 5 campeonatos nacionais já pode trabalhar na Europa. Isso prejudica muitos os brasileiros. Eles sabem do nosso talento e os cursos deles não são diferentes dos nossos. Claro que não é só isso. Houve uma melhora de uns 6 ou 7 anos para cá. Antes, praticamente não havia literatura a nível tático disponível.  Escrevíamos pouco! Isso nos deixou para trás em relação aos europeus que investiram pesado neste aspecto.", finalizou.

Crédito das fotos: Arquivo pessoal/Léo Neiva

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Ex-lateral Maurinho fala sobre títulos por Santos, Cruzeiro e muito mais!

No início do século XXI houve vários bons laterais-direito brasileiros. Naquele período, Cafu tomava conta da posição na Seleção Brasileira. Havia também Belletti e Cicinho, brigando pela reserva imediata. Depois surgiram Maicon e Daniel Alves. Outro que teve destaque, mas foi atrapalhado pelas várias lesões no joelho, foi Maurinho, campeão brasileiro com Santos e Cruzeiro.

Como muitos que dão os primeiros pontapés na bola, Mauro Sérgio Viriato Mendes, tentou atuar como meia ou atacante. No caso dele, um meia que atuava pelo lado direito. Foi assim no Fernandópolis/SP (time da sua cidade-natal) e Ituano/SP. No Rio Preto/SP, um treinador o colocou para atuar em algumas partidas como lateral. Assim variou entre as duas funções no campo.  Em 2001, ao ser contratado pelo Etti Jundiaí (atual Paulista), acabou se fixando na ala destra.

"Quando cheguei ao Etti, ainda era visto como um meio-campista. Um dia, o finado técnico Giba, me perguntou se eu fazia a função de lateral. Disse que já havia jogado, sim. Aí, ele me escalou e não saí mais do time", relembrou o ex-atleta em entrevista exclusiva à este blog.

Foi no clube jundiaiense que Maurinho iniciou a sua trajetória vitoriosa. Em 1998, a equipe tricolor havia sido comprada pela empresa italiana Parmalat e houve alto investimento financeiro.

Em 2001, o Etti se sagrou campeão paulista da Série A-2 e Brasileiro da Série C.

"Nosso time era muito acima da média em relação aos concorrentes. A estrutura que tínhamos era de um time grande do Brasil. Na Série C, os clubes sempre viajam de ônibus de um lado para o outro. Nós íamos de avião. Isso fazia diferença, pois, chegávamos bem mais descansados para atuar. Sabia de clubes da Bahia, por exemplo, que iam de ônibus até São Paulo. O jogador chegava muito cansado", contou Maurinho.

2002 foi um ano em que os clubes grandes não deram importância aos estaduais e realizaram torneios regionais, visando criar competições mais forte e atraentes. Um deles foi o Rio-SP, com 16 clubes, sendo 9 paulistas e 7 cariocas. Um desses participantes foi o Etti.

A agremiação do interior paulista ficou na oitava colocação da primeira fase, com 23 pontos em 15 jogos disputados e por pouco não foi à semifinal. Teve um ponto a menos que o São Caetano, quarto posicionado.

Entretanto, Maurinho foi um dos destaques, sendo eleito o melhor lateral-direito do torneio. O que rendeu-lhe em seguida uma transferência, por empréstimo, ao Santos.

"Pelo Rio-SP, enfrentamos o Santos na Vila Belmiro e vencemos por 2 a 1. Fui eleito o melhor jogador da partida. Ao terminar o torneio, o Giba me ligou e disse que o técnico Émerson Leão havia o contatado para saber da minha situação no Etti. Leão disse ao Giba que me queria no Santos. Em seguida, se concretizou a transferência por empréstimo", relembrou.

"Naquela época, o Santos tinha vários problemas com a lateral-direita. Quando cheguei, o Leão já me deu confiança e me colocou entre os titulares. Embora, o Santos fosse o meu primeiro clube grande, eu não estranhei tanto o ambiente, pois o Etti já proporcionava boas condições, havia grandes jogadores naquele elenco como o Márcio Santos (titular no tetra da Seleção em 1994), o ex-volante Jackson (ex-Palmeiras), o ex-meio-campista Vágner Mancini e o meia Nenê (com boas passagens pelo futebol brasileiro e europeu) , por exemplo. Além disso, o Rio-SP, fez com que pudesse enfrentar bons times do Brasil e ganhar mais rodagem", continuou.

O Alvinegro Praiano não vivia um bom momento e acumulava um jejum de títulos grandes desde 1984. Na década de 90, montou grandes elencos que acabaram não vingando.  Em 2002, a diretoria investiu em jogadores desconhecidos e jovem promessas. Os mais experientes eram o goleiro Fábio Costa (que não atuou na primeira fase por estar lesionado), o lateral-esquerdo Léo e o meia Robert (ídolo da torcida).
Maurinho em seu período pelo Santos. Imagem: Lance!


Aquele foi o último ano do Brasileirão antes da era dos pontos corridos. Logo, as 26 equipes jogaram entre si e os oito melhores avançaram às quartas de final. O Santos chegou na última jornada lutando para seguir vivo na competição. Era o sexto colocado com 39 pontos. Acabou perdendo para o São Caetano, no Anacleto Campanella, por 3 a 2.

Aliado ao revés santista, o Grêmio bateu o Atlético/MG por 1 a 0, passou o Alvinegro na tabela e terminou na quinta colocação com 41 pontos. O Galo ficou em sexto com 40. O Fluminense em sétimo com 40 também.

Na briga pela oitava posição, Santos e Cruzeiro ficaram com 39, entretanto os paulistas fizeram mais gols (46 a 40) e um saldo melhor (10 a 1).

Outro que lutava pela classificação era o Coritiba que foi ao Distrito Federal enfrentar o já rebaixado Gama e surpreendentemente foi goleado por 4 a 0, ficando na décima primeira posição com 36 pontos.

"Quando acabou o jogo, estavam todos cabisbaixos no vestiário. O Elano até chorou. Entretanto, começamos a saber dos resultados dos outros jogos e de repente descobrimos que estávamos classificados. O improvável aconteceu", recordou.

O adversário do mata-mata seria o São Paulo. O Tricolor Paulista havia terminado na liderança e contava com Ricardinho, Kaka, Reinaldo e Luis Fabiano em ótima fase. Eram favoritos ao título.

"O nosso time era muito forte na Vila Belmiro. Sabíamos que íamos sempre decidir em casa e vimos que precisávamos fazer um bom resultado em nossos domínios, para depois, administrar como visitante. O São Paulo tinha um bom time, mas no primeiro jogo, fizemos 1 a 0, tomamos o empate, depois fizemos dois gols e ganhamos por 3 a 1. Aí no Morumbi, fomos confiantes e mesmo querendo só administrar a vantagem vencemos por 2 a 1", relembrou.

Na semifinal, o destino reservava o Grêmio. No primeiro jogo, na Baixada, os anfitriões venceram por 3 a 0 e depois, em Porto Alegre/RS, o Imortal venceu apenas por a 1 a 0.

" Nesse jogo no Olímpico, eu acabei expulso e não pude jogar o primeiro jogo de ida da final. O Grêmio tinha um lado direito muito poderoso, com Gilberto, Rodrigo Mendes e Rodrigo Fabri. Tinha momento que parava só com falta e acabei levando o cartão vermelho, faz parte (risos)", disse o ex-atleta.

"É sempre muito tenso assistir uma final nas tribunas. Pois, em alguns momentos eu queria estar em campo para ajudar e não tinha como.  Felizmente, o Santos ganhou por 2 a 0", continuou.

A decisão final foi no Morumbi no dia 15 de dezembro e o Alvinegro Praiano sacramentou o título ao vencer os paulistanos por 3 a 2.

"O que recordo mais nesse jogo foi o meu passe para o Robinho, que pedalou na frente do Rogério várias vezes, indo até a área e acabou sofrendo pênalti. O Robinho não era o batedor oficial, mas ele estava tão confiante que pegou a bola, foi lá e anotou o gol", contou, para depois, falar sobre como viu o surgimento de um dos grandes astros daquele Santos.

" O Robinho inicialmente era reserva, mas teve um amistoso antes do Brasileirão, contra o Corinthians, que ganhamos, ele foi o destaque e não saiu mais do time. Era impressionante vê-lo nos treinos e jogos. Ele dava dribles imprevisíveis. Ninguém sabia que jogada ele ia fazer. Os adversários ficavam  louco atrás dele", emendou.

" Aquele título de 2002 foi muito importante, pois, fazia anos que o Santos não era campeão de um torneio tão importante. Até hoje muitos torcedores me cumprimentam pela conquista. Em 2002, os títulos brasileiros anteriores a 1971 não eram considerados brasileiros, logo, para muitos naquela época, este foi o primeiro título brasileiro do Santos. Foi assim que comemoraram", seguiu.

Após o término da temporada, o contrato do ala com o Santos se encerrou e apareceu uma proposta do Cruzeiro. A indicação veio de Vanderlei Luxemburgo e a equipe mineira comprou parte do passe do futebolista.

Maurinho faria parte de um dos maiores esquadrões da história da Raposa. Naquela temporada, a equipe celeste faturou a tríplice coroa (Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão).

O regulamento do estadual era bem simples. 13 times se enfrentando em turno único e quem somasse mais pontos era campeão. O Cruzeiro ficou em primeiro com 32 pontos, sendo 10 vitórias e 2 empates.

" Daquele estadual, ficou na minha memória o clássico contra o Atlético/MG. Pude sentir o quão intenso é essa rivalidade. Era o meu primeiro clássico e naquele tempo podia ter as duas torcidas no estádio, o que o deixava mais bonito. Colorido. Aquele jogo, estávamos praticamente disputando ponto a ponto a liderança e seria o único embate. Logo, quem vencesse praticamente se consagraria campeão. Aí, ganhamos por 4 a 2 e disparamos na liderança", contou.

Maurinho em visita ao Cruzeiro e vendo seu nome na história. Imagem:Alisson Guimarães/Cruzeiro


A base daquele time era Gomes; Maurinho, Cris, Edu Dracena e Leandro; Maldonado, Augusto Recife, Wendell, Alex, Aristizábal e Deivid (depois Mota). Menção honrosa ao zagueiro Luisão, o lateral-direito Maicon, os meio-campistas Felipe Mello, Zinho, Martinez e Márcio Nobre.

No Brasileirão, os belo-horizontinos somaram 100 pontos em 46 jogos disputados. Foram 31 vitórias, 7 empates e 8 derrotas. 102 gols a favor e apenas 47 sofridos.

"Foi o melhor time que atuei na carreira. Era um elenco em que os titulares e os reservas se equivaliam em qualidade. Os jogadores que estavam na reserva seriam titulares em qualquer time daquele Brasileirão. Não havia vaidades. O Alex era a estrela e não se comportava como tal. Na defesa não dávamos espaço e éramos muito fortes no contra-ataque. Muito do futebol jogado hoje, nós já fazíamos em 2003, mas sem a mesma intensidade. O Luxemburgo foi o melhor treinador que trabalhei. A parte tática dele era acima da média. A leitura de jogo também e ele não demorava para fazer alterações. Se tinha algum problema no time, ele não esperava o intervalo para mexer. Fazia na hora. Ele também sabe motivar o jogador. Sabe a hora de elogiar e a hora de dar bronca", explicou, para depois rememorar dois jogos importantes daquela campanha.

" O nosso concorrente pelo título era o Santos. Então, a gente sabia se vencêssemos eles (pela 31ª rodada), praticamente seríamos campeões. Ganhamos por 3 a 0 e aumentos a diferença para 9 pontos. Ou seja, teríamos uma reta final bem tranquila. Ali, simbolicamente, foi onde fomos campeões", emendou.

Como curiosidade, o Alvinegro Praiano foi vice-campeão com 87 pontos. 13 a menos que os mineiros.

A oficialização da conquista veio na antepenúltima rodada, em um triunfo, no Mineirão, sobre o Paysandu por 2 a 1.

Na jornada de encerramento, o Cruzeiro enfrentou o Bahia, em Salvador/BA. Os soteropolitanos ainda tinham esperanças de se livrar do rebaixamento.  O placar foi um 7 a 0 culminando na ótima campanha mineira e no péssimo retrospecto dos nordestinos.

"Era o último jogo do campeonato e já éramos campeões. Os jogadores já estavam relaxados e pensando apenas nas férias. A viagem foi tranquila e o clima bem ameno. No entanto, no vestiário, antes de entrarmos em campo, o Luxemburgo falou que queria a vitória, para atingir a marca inédita dos 100 pontos e queria que o Alex anotasse 3 gols e entrasse na história do Cruzeiro como o maior artilheiro em uma edição de Brasileiros.  Vencemos o confronto e o Alex anotou cinco dos 7 gols", revelou.

 O ano de 2003 ainda seria inesquecível para o lateral, pois seria Bola de Ouro do Brasileirão pela Revista Placar e faria parte do elenco da Seleção Brasileira que disputou a Copa das Confederações na França.

"Quando cheguei ao Etti em 2001, eu tinha 22 para 23 anos. Já havia rodado um pouco o interior de São Paulo. Não é fácil, pois, atuei em clubes com pouca estrutura e campeonatos que pouca gente acompanha.  Tem hora que bate o desânimo. Os familiares começam a questionar se vale a pena seguir jogando futebol. Aconselham a iniciar uma faculdade. Mas era futebol mesmo que eu sabia fazer e quando cheguei no Etti a minha carreira mudou. Dois anos depois, eu estava na Seleção Brasileira e com jogadores renomados como Dida e Ronaldinho. Jogadores que eu só via pela TV, de repente estavam no mesmo time que eu", relembrou.

Nesse torneio, o Brasil acabou eliminado na primeira fase. Dos 3 jogos, Maurinho atuou em 2. Na vitória sobre os EUA por 1 a 0 e no empate contra a Turquia por 2 a 2. Se ausentou da derrota por Camarões por 1 a 0.

Em 2004, viria o calvário que acompanharia o atleta desde então: as lesões no joelho. Infelizmente, a temporada não foi boa pelo Cruzeiro, que acabou perdendo a Libertadores e via os seus principais jogadores indo para o exterior.  Maurinho tinha proposta de clubes europeus e, segundo o próprio, era certo que teria uma transferência.

"Em um jogo contra o Paysandu pelo Brasileirão, fui girar o joelho e dei mal jeito. Sozinho. Cai e me lesionei. Não joguei mais aquela temporada. Eu tinha proposta do Espanyol/ESP, Monaco/FRA e Sporting/POR. Era certo que iria à Europa, só faltava definir qual clube. A lesão fez com que isso não ocorresse", contou, acrescentando que a lesão foi no ligamento cruzado anterior e nos dois meniscos.

A volta aos gramados ocorreu no final de janeiro de 2005. Pelo final do ano, o futebolista voltou a ser dores e incômodos e acabou desfalcando a equipe.

Em 2006, Maurinho acertou sua transferência ao São Paulo.Na época, o Tricolor Paulista havia faturado a tríplice coroa: Estadual, Libertadores e Mundial. Era a referência no Brasil. No entanto,  o ala pouco atuou no time do Morumbi, devido as lesões.

"Quando fui fazer os exames médicos para acertar a contratação, descobriram que o meu joelho estava estourado. Que o problema da lesão de 2004 não tinha sido de fato resolvido. Então, quando lesionei lá atrás, passei por uma cirurgia. Tive que passar por outra em 2006. Fiquei um ano e meio parado. Ao retornar não consegui meu espaço no time, pois, eles vinham de dois bicampeonatos brasileiros e com o meu histórico de lesões, aliado ao time entrosado, fica difícil ser titular", relembrou o fernandopolense.

"Foi uma época muito difícil. Eu vivia só fazendo fisioterapia. Desanimava muito. Tive muito apoio de amigos e familiares para seguir em frente. Agradeço também ao São Paulo que mesmo sabendo da minha situação, me contratou e me deu todo o suporte necessário", emendou.

Ainda em 2007, o lateral teve uma rápida passagem pelo Goiás e em 2008 ao voltar ao clube paulistano, foi emprestado ao Cruzeiro. No início de 2009,  voltou a sentir dores no joelho e pouco atuou pela Raposa.

Lateral em partida da Seleção Brasileira contra a Turquia. Imagem:Reuters


Em 2010,  recebeu o convite para atuar no Pelotas/RS e mostrou ter gostado da experiência, ao ver o fanatismo da torcida e por ter sido vice-campeão do segundo turno do Gauchão. Perderam a decisão para o Inter.

"O Luisinho, dirigente que havia trabalhado comigo na época do Santos, estava no Pelotas e me chamou para jogar. Fui eu e o Alex Dias. Os jogos eram praticamente aos finais de semana, logo, dava para o joelho se recuperar e ter uma sequência maior de partidas", recordou o paulista.

"Eu achei bem legal a torcida, pois, eram muito fanáticos e a maioria só Pelotas. Diferente da maioria dos estados, onde as pessoas torcem para o time local e para um grande. Eu lembro quando vencemos o Grêmio, pelas quartas de final do segundo turno, no Olímpico, por 2 a 1, ao voltar à cidade, fomos recebidos com muita festa e uma torcida muito numerosa. Nunca tinha visto isso em time do Interior.
Era muito diferente", continuou.

Depois, Maurinho ainda teve uma rápida passagem pelo Uberaba/MG, mas pouco ficou devido as más condições de trabalho oferecidas pelo clube e também pela falta de pagamento.

Em 2015, já aposentado do futebol, ele recebeu um convite de seu amigo, Jerry Falcão, para trabalhar no Fernandópolis. Inicialmente, seria apenas na direção, mas o mandatário o convenceu a entrar em campo.

" O Fernandópolis iria disputar a Série B do Campeonato Paulista (o equivalente a Quarta Divisão) e eu era amigo do Jerry Falcão, que havia assumido a presidência do clube. Ele me chamou e achei legal trabalhar no time da minha cidade-natal. Depois, me falou para atuar como atleta, o que relutei de início, mas acabei aceitando. Em seguida, ele me falou que ia chamar o Muller para jogar! Eu não acreditei naquilo e não é que veio mesmo! Ainda na sequência, trouxe o Alex Dias também", recordou.

Como curiosidade, Muller atuou apenas na primeira rodada da competição, ao marcar o gol do Fernandópolis, na derrota por 2 a 1 para o Grêmio Prudente. Alex Dias atuou pouco e Maurinho, como o próprio afirmou, entra em campo nas partidas que eram disputadas no Estádio Cláudio Rodante.

O Fefecê acabou fazendo uma boa campanha, conseguindo o acesso à Série A-3. Terminou na vice-liderança da 'Bezinha'.

" Foi muito legal aquela campanha. Ver o time da minha cidade chegar até a Série A-3. Eu joguei alguns jogos e em casa apenas. O time fez uma campanha irregular, mas conseguiu ir até a decisão. O confronto foi contra o São Carlos que tinha um bom time e acabaram vencendo. Claro, que queríamos ganhar, mas só de conseguir o acesso já foi muito importante. Uma pena no ano seguinte a equipe ter sido rebaixada",  relembrou, para dizer depois que se mostra satisfeito com a carreira que teve como jogador.

"Sou muito feliz com a minha carreira e com tudo o que conquistei. De onde saí e o que alcancei. Penso que poderia ter tido uma chance no exterior, mas não houve. Mesmo assim sou muito feliz com a minha história em campo", finalizou.

No momento, aos 41 anos de idade, Maurinho, vive em São Paulo/SP, onde cursa Publicidade e Propaganda na Universidade São Judas Tadeu. Ele e sua irmã possuem uma clínica de fisioterapia em Santos/SP.

Bônus:
Pontos corridos ou mata-mata?
"Mata-mata é mais emocionante , mas entendo que pontos corridos é o mais correto."

Clube com mais identificação:
"Cruzeiro. Tenho uma ligação forte com o clube e com a torcida. Entretanto, jogar na Vila Belmiro e sentir aquele alçapão é algo único e envolvente.É místico. Principalmente ao saber que ali foi a casa do Pelé durante muitos anos."

Situação dos clubes do interior:
"Falta um trabalho mais sério nos clubes e de responsabilidade com os gastos. Muitas pessoas se apropriam apenas para fins pessoais e acabam endividando o clube. A pessoa não fica como responsável pela dívida e a gestão seguinte acaba tendo que arcar com os prejuízos.

Penso também que é necessário um trabalho de base mais sério e a longo prazo. Se nota muitos clubes não pensando no futuro. Fazem algo no presente e não há um legado. Só ver como estão clubes tradicionais do interior  de São Paulo, por exemplo, como o  Paulista de Jundiaí. "


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Exclusivo! Cantarele relembra carreira, fala sobre goleiros e o atual Flamengo

É comum, principalmente no meio esportivo, quando me apresento, vir na sequência uma pergunta: 'você é parente do ex-goleiro do Flamengo?'

Embora, todos os Cantarelli do Brasil tenham uma origem única, houve um espalhamento durante a imigração. Boa parte se concentrou no Sul e uma outra em Pernambuco. Uma minoria se instalou Brasil afora.

A família do ex-arqueiro rubro-negro é de Além Paraíba/MG, enquanto a minha vem do Rio Grande do Sul. Logo, o parentesco é bem distante.

Um outro fator comum com este sobrenome é sobre como se escreve. É com 2 'Eles (LL)'? Um só? Termina com E ou I?

O original é com 2 'Eles (LL)' e termina com I. Mas, alguns no Brasil, acabaram sendo registrados de forma errônea.  Um desses foi Antônio Luis Cantarele. Na imprensa , o sobrenome do ex-goleiro foi escrito de diversas formas e segundo o próprio, é com 1 'L'e termina com E.

"O meu nome foi registrado errado. Antigamente era comum o  escrivão não conhecer outra língua e acabava escrevendo de forma errada. Eu sou o filho mais velho dos meus pais e os meus outros 4 irmãos, tem o sobrenome Cantarelli registrado da forma correta. Só o meu que não", disse o ex-goleiro em entrevista exclusiva para este blog.

Cantarele afirmou não saber exatamente qual a localidade da Itália que vieram seus bisavós (e seu avô  quando era criança), mas acredita que tenha sido da Calábria. Fixaram residência em Além Paraíba, um município na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Como muitas famílias brasileiras em meados do século passado, a vida era humilde e na roça. Cantarele estudava e gostava de jogar futebol. Escolheu o gol, por causa do Manga (ex-Botafogo, Inter e Seleção Brasileira), seu primeiro ídolo.

Naquele período, em que estudava no Senai pela manhã, treinava a tarde e a noite fazia o ginásio, o até então, jovem de 15 anos nunca imaginou que um dia moraria no Rio de Janeiro/RJ e jogaria em um clube grande como o Flamengo.

Até que uma partida entre dois times juvenis mudou o rumo de sua vida.

" Era uma partida na minha cidade. Eu estava com 15 anos e havia 2 olheiros do Rio. Um trabalhava para o Vasco e o outro para o Flamengo e também para o Botafogo. Inicialmente me levaram para fazer teste no Botafogo, mas lá acabaram não ficando comigo, pois alegaram que eu era muito novo.  No ano seguinte, o mesmo olheiro me levou para o Flamengo. Era um período de férias escolares, aí fiquei treinando e se não desse certo eu retornava para casa. No entanto, gostaram de mim e eu fiquei. Queria aproveitar a oportunidade", relembrou o ex-atleta nascido em 26/09/1953.

Como curiosidade, quem foi levado para fazer testes no mesmo período, mas no Vasco, e era conterrâneo de Cantarele, foi o goleiro Mazzaropi. Este faria história no Gigante da Colina e posteriormente no Grêmio/RS.

Cantarele fez parte de uma geração que seria a mais vencedora da história do Flamengo. Na base conviveu com futuros ídolos, como Júnior, Zico e Rondinelli.

A sua estreia no profissional, foi no Campeonato Carioca de 1973, diante do América. Vitória Rubro-Negra por 1 a 0. Na ocasião, a jovem promessa substituiria o goleiro Renato que estava a serviço da Seleção Brasileira.
Cantarele em seus tempos de goleiro do Flamengo


Em 1975, Renato acabou se transferindo para o rival Fluminense e Cantarele teve a primeira oportunidade como titular. Permaneceu até 1977 na meta, até que chegou Raul Plasmann e assumiu o posto. Esse time que viria a ser comandado por Cláudio Coutinho e com vários atletas formados na Gávea faturaria 3 Campeonatos Brasileiros (1980,82 e 83) e 1 Libertadores e 1 Mundial em 1981.

"Era uma geração vencedora e que gostava do Flamengo.Um time identificado com o clube, diferente de hoje, onde muitos jogadores beijam escudos de equipes, mas não a amam de verdade. Aquela equipe amava o Flamengo", relembrou o ex-goleiro.
Equipe do Flamengo campeã da Libertadores e do mundo em 1981


Cantarele acabou não participando da conquista do Brasileiro de 83, pois nesta temporada atuou por empréstimo ao Náutico. Por lá, acabou sendo vice-campeão estadual.

"Foi uma experiência boa e diferente. Morar em outro estado, outra região e atuar por um clube diferente. Fomos vice-campeões pernambucanos. Perdemos o título nos pênaltis para o Santa Cruz", contou.

Ao retornar em 84, Raul havia deixado o clube, mas chegou o argentino Fillol, titular da Argentina na conquista da Copa do Mundo de 1978.

" Com o Fillol houve uma disputa boa pela titularidade. Eu a ganhei em 1985, mas acabei lesionando o joelho em uma partida contra o Bangu em 1986. Fiquei um ano parado. Quando retornei,o Zé Carlos era o titular e não saiu mais. Fiquei até 1989 e depois resolvi me aposentar", relembrou.

Cantarele tem 557 jogos pelo Flamengo e é o goleiro que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra.  Além dos títulos nacionais e internacionais acima, houve cinco conquistas estaduais (1974,78,79,81 e 86). Está entre os 10 atletas que mais jogaram pela Gávea. O ex-arqueiro ainda menciona que os torcedores, que o viram atuar, hoje quando o reconhecem o cumprimentam pela história que construiu.

"Aproveitei a oportunidade que a vida me deu. Jogar em um clube tão importante do Brasil e por tanto tempo.Mais de 500 jogos como titular. O torcedor daquela época quando me vê na rua, me cumprimenta, felicita e relembra aqueles bons tempos. Isso é bacana. Os mais novos, infelizmente não me conhecem, mas faz parte," comentou.

Como curiosidade, Cantarele atuou uma vez pela Seleção Brasileira, em 1976. Foi em um amistoso não-oficial,no Maracanã. O rival foi um combinado de jogadores de todo o mundo. Vitória brasileira por 3 a 1. Entretanto, o próprio afirmou não ter muitas recordações dessa partida

Após pendurar as luvas, Cantarele cursou educação física no Centro de Capacitação Física do Exercito, na Urca e começou a trabalhar em outras áreas do futebol. Inicialmente, participou de peneiras, onde era um dos avaliadores. Um nome que apareceu dentre tantos, que foi aprovado por ele, foi do Ronaldo Fenômeno, que viria a ser um dos maiores jogadores da história do futebol.

"Eu vi o Ronaldo atuando e o aprovei. Entretanto, o Flamengo não quis ficar com ele. Na época, eu não soube o motivo que fez com ele não ficasse no clube. Tempos depois, vi entrevista dele dizendo que ele morava muito longe do CT do Flamengo e a diretoria não quis custear o trajeto de ida e volta", contou.

Em 1991, Cantarele recebeu o convite do ex-atacante Amarildo, para ser treinador de goleiros do Al-Ain nos Emirados Árabes Unidos. O ex-arqueiro ficou no país asiático durante 2 anos.

"Foi muito boa a experiência no Emirados Árabes Unidos. Al-Ain era uma cidade pequena, universitária e agradável. Nosso goleiro era um cara muito alto, que agarrava bem, mas mal sabia bater tiro de meta. Precisava de umas aulas. Eu gosto de trabalhar com jogadores jovens e que gostam de aprender. Trabalhar com profissional é diferente, pois, não tem a mesma mentalidade de alguém que está nas categorias de base", continuou.

Ao retornar ao Brasil, se tornou preparador de goleiros do Flamengo. Em sua primeira passagem nessa função, trabalhou com nomes como Gilmar ( ex-Inter, São Paulo e Seleção Brasileira) e Roger, que passou também por São Paulo e Santos.

Ainda passou por Corinthians e Palmeiras, tendo trabalhado com dois pentacampeões do mundo com a Seleção Brasileira: Dida e Marcos.

No Japão, trabalhou no Kashima Anthlers e depois, a convite de Zico, foi o preparador de goleiros da Seleção da Terra do Sol Nascente na Copa do Mundo de 2006.

"Adorei a minha passagem pelo Japão. Pude passar muito do meu conhecimento para eles. Ensinei eles a cair e não se machucar,a antever uma jogada e forçar o atacante a fazer o que ele não quer, evitando assim um gol. De início eu tinha um intérprete que me ajudava na comunicação e um dos goleiros havia morado em São Paulo/SP e sabia português. Conforme o tempo passou, eu aprendi o básico da língua japonesa: o que era necessário para o dia a dia e para os treinamentos. Fica bem mais fácil para passar instrução ao jogador", contou.

Em 2010, trabalhou novamente no Flamengo e passaram pela sua mão nomes como Marcelo Lomba e Paulo Victor, hoje, respectivamente, no Internacional e no Grêmio.
Trabalhando como auxiliar-técnico no Flamengo


Entre 2013 e 14, foi auxiliar-técnico do clube carioca, quando Jayme de Almeida foi o comandante. Ganharam uma Copa do Brasil.

Depois se desligou do clube e hoje vive como aposentado e eventualmente ajuda amigos que possuem escolinhas e clubes de futebol a encontrar e peneirar talentos.

Vivendo e trabalhando com goleiros desde os anos 60, Cantarele falou sobre as diferença que houve na função de baixo das traves.

"Penso que é a posição que mais evoluiu no futebol. Hoje há muito mais estrutura de treinos para goleiros e uma preparação melhor do que no passado. Atualmente, o goleiro tem muito mais funções em campo. Goleiros hoje iniciam jogadas e atuam frequentemente com os pés, diferente do passado, onde usavam apenas as mãos. Em cruzamento na área, os goleiros hoje socam a bola para frente para seguir o jogo. Antigamente, a recomendação era agarrar a bola.Não saíam socando como fazem hoje.  Sem contar que o gramado é melhor, a bola mais leve e não encharca em dias de chuva. A chuteira também era mais pesada.  No entanto, acho que antigamente os goleiros, pela realidade que viviam, tinham mais intuição e isso se perdeu com a evolução dos treinos e materiais", opinou.

Cantarele segue acompanhando o Flamengo e se mostrou muito feliz com o trabalho que Jorge Jesus vem realizando. Desde a chegada do treinador português, o Rubro-Negro conquistou a Libertadores e o Brasileirão de 2019. Em 2020, já faturou a Recopa do Brasil, da Sul-Americana e o primeiro turno do Campeonato Carioca.

"Gosto muito de ver o Flamengo de Jorge Jesus jogar. E digo mais: antes da chegada do português, o Brasil não tinha aprendido nada com a derrota de 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014.  Precisou um técnico europeu por um estilo de futebol moderno no nosso país. Depois daquela derrota na Copa, não abrimos os olhos para que tipo de futebol ainda estávamos praticando", finalizou.



Crédito das imagens: Divulgação/Internet

quinta-feira, 16 de abril de 2020

História! Jogadores relembram o vice-campeonato do Goiás na Sul-Americana!

2010 era um ano que poderia ter sido totalmente trágico para o Goiás e não foi. Também poderia ter sido épico, mas ficou no quase. No entanto, entrou para a história.
Goiás na final da Sul-Americana.Imagem: Assessoria da Federação Goiana de Futebol

No Estadual, o Alviverde ficou em 4° lugar. Na Copa do Brasil, parou nas oitavas de final diante do Vitória. No Brasileirão, foi rebaixado.  Entretanto, havia a Copa Sul-Americana e este torneio foi o que salvou a temporada do clube do centro-oeste.

" Era um ano para dar tudo errado para o Goiás. Sem conquistas e com o rebaixamento no Brasileirão. Time sem dinheiro. Mas na Sul-Americana a equipe engrenou , surpreendeu e fez uma bela campanha", disse Fernando Lima, jornalista da CBN/GO, que em 2010 cobriu os jogos pela Rádio Bandeirantes, em entrevista exclusiva à este blog.

"Foi um ano conturbado. Problemas políticos internos e saída de jogadores para outros clubes.Ficamos 12 partidas no Brasileirão sem vencer. Houve a pausa para a Copa do Mundo e não fizemos uma preparação ideal.Não nos preparamos bem nem fisicamente,nem tecnicamente nem e taticamente. Isso pesou na volta do Brasileirão. Era um time experiente e aguerrido, mas com o potencial pouco explorado", relembrou o ex-zagueiro Marcão, em entrevista exclusiva à este blog.

"Eu tive uma lesão no cotovelo e fiquei um bom tempo afastado.Quando voltei, a campanha no Brasileirão era ruim. Nós jogávamos bem, mas não conseguíamos os resultados necessários. A Copa Sul-Americana foi a competição que vimos como uma forma de salvar a temporada. Já estávamos mal no Brasileirão, logo, fizemos da Sul-Americana a competição da nossa vida. Como sempre fazíamos o primeiro jogo em casa, tentávamos usar o critério 'gol fora de casa' a nossa favor. Fazer um bom resultado em casa e depois buscar um gol como visitante e segurar o placar", explicou o ex-goleiro Harlei, em entrevista exclusiva à este blog.

A competição continental ainda não tinha tanto prestígio dos brasileiros como atualmente. Mas conforme, uma equipe ia avançando e sonhando com um título, acabava dando mais foco. Principalmente se no meio do caminho havia rivais gigantes do nosso continente. Como foi o caso em 2010.

Naquela edição, os times brasileiros entraram na segunda fase e houve confrontos caseiros. O adversário dos Esmeraldinos foi o Grêmio.

O primeiro embate ocorreu no dia 5 de agosto, no Serra Dourada e terminou empatado em 1 a 1. Os gaúchos abriram o marcador aos 35 minutos. O meia Douglas, entre o meio-campo e a grande área, faz um belo lançamento para Maílson, que dá um toque de calcanhar para Hugo, que finaliza, da área e anota: 1 a 0. Os anfitriões buscavam o empate, mas sem apresentar um grande futebol. O tento veio aos 33 minutos da segunda etapa, em cobrança de pênalti, de Rafael Moura.

O duelo da volta foi em Porto Alegre/RS, no antigo Estádio Olímpico e marcou a estreia de Renato Gaúcho no comando tricolor.  Mas a equipe de Émerson Leão, que entrou com força máxima nesta peleja, venceu por 2 a 0. Os gols foram anotados por Amaral, aos 9 do primeiro tempo e Everton Santos aos 45 da segunda etapa.

Nas oitavas de final, o adversário foi o tradicionalíssimo Peñarol. O primeiro encontro foi no dia 14 de outubro, no Serra Dourada. A equipe uruguaia contava com jogadores conhecidos, como Arévalos Rios , que defendeu a Seleção Uruguaia e teve uma rápida passagem pelo Botafogo, Fabián Estoyanoff (passagens por futebol espanhol e asiático) e o já veterano Santiago Solari, que fez história no Real Madrid e na Inter de Milão. Já o Alviverde tinha uma novidade no banco de reservas: Émerson Leão saiu e deu lugar a Jorginho (ex-lateral-direito campeão mundial de 94 com a Seleção Brasileira).

Neste confronto, os anfitriões partiram desde o início para cima dos uruguaios e o único gol saiu aos 21 minutos do primeiro tempo. Wellignton Saci cobrou escanteio, um jogador goiano cabeceou e a bola caiu nos pés de Rafael Moura que apenas concluiu para as redes.

O embate da volta aconteceu uma semana depois, no Estádio Centenário. O duelo entre uruguaios e brasileiros foi movimentado e terminou 3 a 2 para o time de Montevidéu.

Quem abriu o marcador foi Rafael Moura aos 17 minutos. O zagueiro Marcão, no meio-campo, faz um lançamento para He-Man, que na entrada da área, mata a bola no peito, domina-a, se livra de dois marcadores aurinegros, finaliza na saída do goleiro e faz 1 a 0. 

O empate veio aos 38 minutos, com Rámis cruzando na área,  Valmir Lucas afastando mal de cabeça, a bola sobrando  para Pacheco finalizar, Harlei tenta defender, mas dar rebote para Mathías Corujo chutar e fazer: 1 a 1.

Cinco minutos depois, em lateral a favor do Peñarol, a bola vai à área goiana, Ernando afasta mal, Sosa chuta e vira o marcador: 2 a 1.

O segundo gol dos Esmeraldinos veio só aos 31 minutos do segundo tempo. O meia Carlos Alberto (que havia entrado no lugar de Felipe),  recebe a bola no meio-campo, se livra de 4 marcadores e pelo lado direito do campo, finaliza na saída do goleiro, anotando um belo gol.

Aos 39 minutos, em mais um lançamento à área brasileira, a zaga do Goiás novamente afasta mal e a bola sobra para Martinuccio (com passagem por Fluminense e Cruzeiro) chutar e fazer 3 a 2. 

Derrota com sabor de vitória, pois devido ao fator 'gol fora de casa', os goianos avançaram às quartas de final.

"Depois dessa vitória, vimos que dava para ir longe. Esse jogo nos deu uma confiança muito grande. Foi pegado,difícil e falamos: 'é para a gente. Dá para ir longe'", afirmou Marcão, que atuava tanto na função de lateral como de zagueiro.

Nas quartas de final, o destino reservava um oponente brasileiro: o Avaí. 

As duas equipes lutavam contra o rebaixamento no Brasileirão e só os catarinenses se salvaram. 

O primeiro encontro entre os dois, pelo torneio continental, foi no dia 28 de outubro, na capital goiana.  

O placar foi aberto aos 29 minutos, quando a zaga do Avaí tenta sair jogando, mas é interceptada por um atleta goiano, que recupera a bola, faz um lançamento rasteiro para Rafael Moura, que chuta e anota: 1 a 0.

O empate da Azzurra veio no segundo tempo aos 6 minutos com Davi cobrando pênalti. Aos 25 minutos, Diego Orlando, no meio-campo, lança a bola para Marcelinho, que finta um adversário, e pelo lado direito, da entrada da área, finaliza por cima de Harlei, anotando um golaço.

Atrás do marcador, os Esmeraldinos foram para o ataque e nos acréscimos conseguiram o empate com Rafael Moura. Em um bate-rebate dentro da área, a bola sobrou para o centroavante finalizar e fazer: 2 a 2.

O duelo da volta aconteceu no dia 11 de novembro, em Florianópolis.As duas equipes partiram para cima e buscaram a classificação.Foi um jogo equilibrado e com chances para os dois lados.  Quem levou a melhor foi o time do Centro-Oeste. Aos 45 minutos do primeiro tempo, em escanteio cobrado, a bola sobrou para Rafael Moura finalizar e fazer o tento do triunfo e da classificação às semifinais.

Novamente, o próximo adversário era um brasileiro: o Palmeiras. 

O Palestra Itália priorizou a Copa Sul-Americana em detrimento do Brasileirão, pois, acreditava que era mais fácil garantir uma vaga na Libertadores de 2011. O campeão teria esse direito.

A primeira partida foi no dia 17 de novembro, no Serra Dourada. Artur Neto, que havia substituído Jorginho, mandou a campo: Harlei: Douglas, Rafael Tolói e Ernando; Wellington Saci,Marcão, Amaral, Carlos Alberto e Marcelo Costa; Felipe e Rafael Moura.

Já Luiz Felipe Scolari escalou: Deola; Márcio Araújo,Maurício Ramos, Danilo e Gabriel Silva; Edinho, Marcos Assunção,Tinga e Lincoln; Kléber e Luan.

Os paulistas foram melhores na partida e desde o início atacaram os Esmeraldinos. O grande diferencial da equipe do Sudeste era o volante Marcos Assunção, pois todas as jogadas passavam por ele e também decidia alguns jogos finalizando, tanto em faltas como em arremates de fora da área.  E neste confronto, foi mais um para a conta do meio-campista. Logo aos 2 minutos da segunda etapa, Assunção recebe a bola no meio-campo, avançava alguns metros, finaliza 'do meio da rua' e no ângulo! Sem chance para o goleiro Harlei.  O tento garantiu o triunfo dos visitantes.

Após esse revés, o Goiás enfrentou o Santos, pela antepenúltima rodada do Brasileirão, no dia 21 de novembro, em casa e acabou goleado por 4 a 1. A derrota fez com que o clube do Centro-Oeste fosse matematicamente rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Essa foi a situação, que os goianos foram tentar se reabilitar diante do Palmeiras, no dia 24, no Pacaembu.

Os paulistanos foram a campo com a mesma escalação do confronto de ida.  Já os visitantes tiveram apenas uma alteração: Otacílio Neto no lugar de Felipe.

Com o apoio da torcida, o Palestra Itália começou partindo para cima do rival  e criou várias chances de gol. O placar foi aberto aos 33 minutos. Edinho, no meio-campo, faz um longo lançamento para Luan, que mata a bola no peito, corre junto a um marcador até a entrada da área, finaliza com força e faz: 1 a 0.

Nos acréscimos da primeira etapa, os Esmeraldinos tem uma falta a favor na entrada da área. Marcelo Costa bate, a bola vai ao travessão e no bate-rebate, a 'gorduchinha' sobra para Carlos Alberto cabecear e empatar. 1 a 1.

No segundo tempo, o Goiás voltou acreditando que podia se garantir na próxima fase e começou pressionando os palmeirenses. Já os comandados de Scolari conseguiram reequilibrar o duelo e quando pareciam dominar a partida, sofreram a inesperada virada.

Aos 36 minutos, uma falta no meio-campo a favor do Goiás foi cobrada na área e após um bate-rebate, ela sobra para Otacílio Neto tocar para Marcão, que vai até a linha de fundo, cruza, Rafael Moura toca de cabeça para Ernando cabecear para o fundo das redes.

A torcida que cantava no Pacaembu ficou em silêncio, não acreditando no que via em campo. Relembrando que naquele período, o Palmeiras vivia um período conturbado, com poucos títulos e muita pressão dos adeptos por dias melhores. A noite foi trágica para os paulistanos, mas de muita festa para os Esmeraldinos, que pela primeira vez disputariam uma final de um torneio internacional.
Rafael Moura, Carlos Alberto e Marcão comemorando a classificação à final. Imagem:Marcos Ribolli/Globoesporte.com


"Na primeira partida, em casa, não atuamos bem. Perdemos e todo mundo já dava o Palmeiras como classificado. Eu havia recém saído do Palmeiras e sabia como estava o ambiente: muita pressão.  No jogo da volta, quando o primeiro tempo acabou 1 a 1, no vestiário, falei que a gente só precisava de 1 gol e depois ficar segurando o resultado. A pressão ia ser grande e dificilmente eles iriam virar. Quando saiu o segundo gol, eu vi no semblante dos jogadores deles  o abatimento e que não iriam conseguir o empate e a classificação. Nosso time se defendeu de forma consciente e segura", revelou Marcão.

"Depois de perder em casa, nós entendemos que nada estava perdido e tínhamos que acreditar na classificação. Fomos para São Paulo/SP e lutamos até o fim. Tinha o critério do gol fora de casa e usamos a nosso favor", relembrou o ex-atacante Felipe em entrevista à este blog.

O rival da final seria o maior vencedor de Libertadores da história: o Independiente da Argentina.

Já sem objetivos no Brasileirão, o foco foi apenas na decisão que poderia salvar a temporada. Logo, o elenco foi poupado das últimas rodadas do torneio doméstico e se concentrou totalmente na final. Quase venceram. Foram jogos com muitos gols e muitas polêmicas.

O duelo de ida foi no primeiro dia de dezembro. Com um Serra Dourada lotado (diferente de outros jogos, onde em algumas ocasiões o público girava em torno de 2 mil pessoas), o Goiás entrou em campo com:  Harlei; Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas, Carlos Alberto, Amaral,Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto e Rafael Moura.

O time empurrando pela torcida partiu para cima dos portenhos e apresentou um futebol eficiente (o que fazia muitos se questionarem o porque de não jogarem assim ao longo do ano) e com 20 minutos anotou 2 gols.

O marcador foi aberto aos 14 minutos, onde um defensor da equipe argentina tenta afastar a bola, mas Carlos Alberto, intercepta e meio 'sem querer' acaba lançando para Rafael Moura, que finaliza na saída do goleiro e faz o seu sétimo gol pela Copa Sul-Americana.

Seis minutos depois, Marcelo Costa partiu para o ataque, tocou para Douglas que pela linha de fundo, lançou rasteiro a bola à área, passando por dois jogadores argentinos, sobrando para Otacílio Neto finalizar e fazer 2 a 0.

O Rey de Copas havia ido a campo com Navarro; Velásquez,Tuzzio e Galeano; Cabrera, Battion, Fredes, Godoi e Mareque; Parra e Silvera.

"No segundo tempo, o Independiente teve o atacante Silvera expulso. Penso que o técnico Artur Neto deveria ter colocado o time para frente para fazer o terceiro gol. Mas a preferência foi segurar o 2 a 0. Penso que se conseguisse fazer três, já matava a partida e o título ficaria bem mais próximo", comentou Fernando Lima, que só não cobriu in-loco, a partida contra o Peñarol no Uruguai.

"Fomos superiores o jogo todo. Jogamos com um a mais no segundo tempo e penso que poderíamos ter feito uma vantagem maior, embora tivemos o domínio da partida", emendou Harlei.

Já a volta foi no dia 8 de dezembro e este confronto até hoje é lembrado pelos jogadores do Goiás.Pelo lado negativo, principalmente.

Inicialmente, os diretores da equipe de Avellaneda informaram, por escrito, que os jogadores do clube brasileiro poderiam fazer um treinamento no Estádio Libertadores de América (palco da final).Fato que acabou não ocorrendo.

Depois, a delegação do clube do Centro-Oeste, não teve sossego no hotel,uma vez que na véspera da partida, torcedores da equipe vermelha soltaram rojões em frente aos quartos dos futebolistas e estes tiveram o sono prejudicado.

Para este decisivo encontro, Arthur Neto mandou a campo o mesmo time que venceu a ida por 2 a 0. Já Antonio Mohamed entrou com: Navarro; Velásquez,Tuzzio e Matheu; Cabrera, Battion, Fredes, Godoi e Martinez; Parra e Rodriguez.

O placar foi aberto aos 18 minutos. Em cobrança na entrada da área, Cabrera cobrou para o lado, um companheiro de time lançou a bola na área para Matheu, que finalizou para Harlei fazer uma boa intervenção, mas no rebote Parra fez 1 a 0!

Três minutos depois, os Esmeraldinos foram ao ataque com W. Saci, que cruzou na área para Rafael Moura de cabeça empatar a partida.Cinco minutos depois, Mareque vai ao ataque, tenta lançar a bola para Parra, a zaga do Goiás tenta dar o bote, mas sem querer põe a bola para dentro. Um lance bem esquisito. 2 a 1.

Aos 34 minutos, os argentinos vão novamente ao ataque, lançando a bola na área, a defesa do Goiás tenta afastar, mas Parra aproveita e faz 3 a 1.

Embora, o primeiro tempo tenha sido bem movimentado, a segunda etapa não houve gols. O regulamento previa que na final, o critério 'gol fora de casa' não seria usado em caso de desempate. Então, a disputa foi para a prorrogação, onde não houve gols e a decisão foi para os pênaltis.

El Rojo acabou vencendo por 5 a 3, faturando mais um título internacional em sua história. Felipe, que entrou no decorrer do jogo, acabou desperdiçando a terceira cobrança dos Esmeraldinos.

Brasileiros foram derrotados nos pênaltis. Imagem: Reuters


Entretanto, o Goiás acabou reclamando muito do trio de arbitragem comandado por Oscar Ruiz (Colômbia), onde segundo os jogadores, tendenciou demais a favor do time anfitrião.

"Em 2008, eu disputei a final da Copa Sul-Americana pelo Internacional e senti que o clube teve todo o apoio da CBF e dos bastidores. Com o Goiás, não. Senti que estávamos sozinho. Não tivemos nenhum apoio nos bastidores", disse o ex-zagueiro Marcão.

"Não pudemos treinar no Estádio do Independiente, ai fizemos um treino no CT do River Plate. Ali, tinha alguns torcedores que nos falaram: 'cuidado com o árbitro desse jogo'. Na hora não demos importância, mas durante o jogo percebemos a diferença. Qualquer toque nosso no adversário era falta. Já eles entravam duro em nós e não acontecia nada. Nunca marcava falta nossa em nosso campo de ataque. Eles tiveram várias faltas no campo de ataque. Toda hora o árbitro arrumava algo para parar a nossa jogada. Amarrar o jogo. Um gol deles em impedimento foi validado (nota: se referindo ao segundo). Na prorrogação, em um escanteio nosso a favor, fiz um gol de cabeça e um dos bandeirinhas anulou alegando impedimento do Rafael Moura, que estava dentro do gol e nem participou da jogada. A arbitragem estava com más intenções. Deu para perceber. Não é desculpa. Realmente aconteceu", continuou.

"Nós fomos à Argentina para jogar futebol, mas encontramos um outro cenário.Vivemos cenas de selvageria. Os torcedores atirando rojões ao redor do hotel. Outros, não sabemos como, entraram no hotel, foram em alguns andares e tacaram bomba. Com toda a passividade do hotel. Nosso ônibus foi apedrejado. Felizmente ninguém se feriu. Não houve escolta para a nossa equipe. Fomos assim para a decisão", revelou Harlei.

"Sobre as polêmicas dentro de campo. Eu era o capitão do Goiás. Logo na disputa do cara ou coroa, o Oscar Ruiz (árbitro), na hora de se dirigir a mim foi totalmente hostil e com o capitão do Independiente foi generoso.  Quando a bola rolou, ele não apitou igual para ambos os lados. Eu como capitão tinha que ir falar com o árbitro e ele sempre hostil, mandando eu ficar quieto e ameaçando me dar cartão e me expulsar. Com os jogadores argentinos, ele era mais generoso. Foi uma pena, pois tínhamos uma equipe melhor e que em condições normais teríamos ganhado. Seria o maior título da história do Goiás. Se a partida final tivesse sido no Serra Dourada, teríamos ganho facilmente deles", continuou o ex-camisa 1.

"Achei que o Goiás cometeu erros, como alojar os atletas em quartos do hotel em que a janela dá para a rua. Logo, os jogadores escutaram todo o foguetório da torcida. Algo comum por lá. E a arbitragem foi muito tendenciosa a favor do Independiente", emendou o jornalista Fernando Lima.

" Para o Goiás, foi muito ruim. Não se classificou à Libertadores, não entrou uma grana que seria boa e não deu para segurar o Rafael Moura, o grande destaque da equipe", seguiu Lima.

Já o ex-atacante Felipe falou sobre a cobrança de pênalti que foi desperdiçada e como lidou com esse momento.

"Sobre o jogo: é sempre muito difícil atuar lá. A pressão é muito grande. Tomamos uns gols estranhos. Acho que não era para a gente ser campeão, mesmo. Sobre o pênalti, eu  cobrei como sempre cobro. Infelizmente, a bola não entrou. Fazer o quê?  Se quisesse fugir da responsabilidade, nem batia. Só erra, quem arrisca", opinou.

"No vestiário, o elenco entendeu a situação, pois qualquer um pode passar por isso. Sobre a torcida: eu nem senti na época, pois acabou o jogo, nem voltei para Goiânia. Vim direto para casa. No começo de 2011, o Goiás não renovou o meu contrato e a oportunidade que me apareceu foi do Atlético/GO. Assinei. A ida ao rival, deixou a torcida mais brava do que o pênalti perdido", finalizou Felipe, que é oriundo de Ernestina/RS.

Como curiosidade, sem o Goiás na Libertadores, o Grêmio herdou a vaga e o Flamengo ficou com uma vaga na Copa Sul-Americana. Rafael Moura acabou retornando ao Fluminense, clube que detinha o seu passe.

Elenco do vice-campeonato:
Harlei: é o atleta que mais vezes vestiu a camisa do Goiás. Em 15 temporadas, foram 831 jogos. O mineiro de Belo Horizonte/MG, iniciou a carreira no Cruzeiro. Sem espaço na Raposa, o arqueiro teve uma rápida passagem pelo Comercial/SP e depois se transferiu para o  Vila Nova/GO. Na equipe Goiânia ficou 10 meses e ganhou o carinho dos torcedores. Entretanto, com problemas de pagamento, se transferiu para o rival Goiás, em 1999, deixando os adeptos do Vila revoltados com a troca. Pelo clube Esmeraldino, assegurou a vaga de titular durante a campanha do Brasileiro da Série B de 1999 e não largou mais. Pelo clube esmeraldino foram conquistados 7 estaduais, 3 Copas Centro-Oeste e 2 Brasileiros da Série B. Participou de campanhas históricas, como a única disputa da Libertadores em 2006 e o vice da Copa Sul-Americana de 2010. Deixou os gramados em 2014, aos 42 anos. Atualmente é gestor-executivo do Goiás e diretor geral do futebol feminino do clube.

Rafael Tolói: zagueiro oriundo das categorias de base do Goiás, é tido como uma das grandes revelações da equipe nos últimos anos. Suas boas atuações fizeram com que se transferisse para o São Paulo em 2012 e acabou fazendo parte do elenco que ganhou a Copa Sul-Americana de 2012. Após uma breve passagem pela Roma em 2014, voltou ao clube paulista  e em 2015 rumou novamente à Itália, desta vez para a Atalanta, onde está atualmente. Embora tenha vestido a camisa da Seleção Brasileira sub-20, recentemente em entrevista à uma rádio italiana disse que aceitaria vestir a camisa da Azzurra, caso fosse convocado. O chamado ainda não aconteceu.

Ernando: outro zagueiro revelado pelas categorias de base do Goiás. Profissionalmente, atuou entre 2006 e 13, faturando 4 estaduais, além do vice-campeonato da Sul-Americana.  Posteriormente, defendeu o Internacional, sendo 3 vezes campeão gaúcho. Em 2018 atuou pelo Sport e desde 2019 está no Bahia.

Marcão: lateral-esquerdo de origem, Marcão emplacou na carreira como zagueiro. Após um bom brasileiro pelo Juventude em 2003, Marcos Alberto Skavinski  se transferiu para o Atlético/PR, onde foi capitão do time vice-campeão da Libertadores de 2005. Após uma rápida passagem pelo mundo árabe, chegou ao Inter em 2007 e ficou até 2009, sendo bicampeão gaúcho e campeão da Copa Sul-Americana em 2008. Depois passou por Palmeiras e Goiás. Pelo Clube Esmeraldino encerrou a carreira em 2011. No momento é técnico da equipe sub-20 da Chapecoense.

Wellington Saci: jogador que pode atuar tanto como ala-esquerda, como volante, iniciou sua trajetória no modesto Venus/PA e depois se transferiu ao Remo/PA. Após se destacar pelo clube belenense, rodou o Brasil e defendeu camisas de times importantes como Corinthians, Atlético/MG, Atlético/PR, Goiás, Vitória, Sport e Figueirense. No momento, defende o Joinville/SC.

Carlos Alberto: volante com carreira extensa pelo futebol catarinense, se destacou pelo Figueirense em 2003. Pelo alvinegro ficou 4 temporadas, chegando a atuar pela Seleção Brasileira sub-20. Entretanto, em 2006, descobriu-se que o meio-campista era 'gato' e diferente do que contava em seus registros, ele não nasceu em 1983 e sim em 1978. Foi punido com 6 meses sem atuar e doação de 100 cestas básicas. Depois da pena, seguiu sua trajetória nos campos e jogou por Corinthians, Atlético/MG, Goiás  e Joinville, e posteriormente defendeu clubes de menor expressão do futebol.  Sua última equipe foi o Camboriú/SC em 2019.

Amaral: Willian José de Souza foi mais um jogador revelado na base do Goiás que participou da campanha do vice-campeonato da Sul-Americana. O atleta atuou profissionalmente pelo Esmeraldino entre 2005/14 faturando quatro estaduais e 1 Série B em 2012. Em 2015 se transferiu para o Palmeiras, onde foi campeão da Copa do Brasil no mesmo ano. Passou por Coritiba e desde 2017 defende a Chapecoense.

Marcelo Costa: oriundo das categorias de base do Juventude, Marcelo Costa se destacou para o Brasil, atuando pelo Grêmio, onde foi campeão brasileiro da Série B de 2005. Logo, em seguida, o futebolista oriundo de Campinas do Sul/RS se transferiu o Palmeiras. Ainda retornou ao Juventude/RS, antes de ir ao Goiás, ficando até 2011. Posteriormente, passou por São Caetano, Joinville e Paysandu, antes de encerrar a carreira em 2016.

Otacílio Neto: atuando em times pequenos do Brasil, desde o início dos anos 2000, Otacílio Neto, acabou contratado pelo Corinthians em 2008. Sem muitas oportunidades, acabou emprestado para diversos times e um deles foi o Goiás, participando do vice-campeonato da Sul-Americana. Após o término do vínculo com o Timão, o atacante rodou por clubes pequenos do País e em 2020, aos 37 anos, atua na Aquidauanense/MS.

Felipe: atacante revelado nas categorias de base do Passo Fundo/RS, apareceu para o futebol em 2006 jogando pelo Náutico. Fez dupla com Kuki, onde conseguiram o acesso à elite do brasileiro. Em 2009 se transferiu para o Goiás e fez parte do time vice-campeão da Copa Sul-Americana, atuando em vários jogos. Na temporada seguinte, se transferiu para o rival Atlético/GO. Passou pelo América/MG em 2013  e em 2014 retornou ao Passo Fundo para encerrar a carreira. Atualmente mora em Ernestina/RS e possui, junto a com a família,negócios relacionado a lavora.

Rafael Moura: atacante revelado pelo Atlético/MG, Rafael Moura tem uma carreira de altos e baixos. Se destacou em clubes como Paysandu, Goiás e Figueirense,e não foi bem em equipes como Corinthians, Fluminense e Internacional, por exemplo. Seu grande momento foi na Copa Sul-Americana, onde foi um dos principais destaques da equipe do Centro-Oeste. Retornou ao clube goiano em 2019, onde atua desde então.

sábado, 21 de março de 2020

DICA! 10 livros para serem lidos na quarentena

Época de férias/folga é sempre o momento ideal para colocarmos a leitura em dia. Ou mesmo, ler mais um livro e adquirir mais conhecimento.

No momento, infelizmente, estamos passando pelo gravíssimo problema do Covid-19. Um novo vírus que vem ameaçando a população do Planeta Terra. Diversas pessoas perderam a vida e muitas outras correm esse risco.

A recomendação das autoridades é repouso em casa e sair apenas em situações de emergência.

Visando, entreter enquanto estivermos nessa quarentena, muitos sites e blogs vem recomendando livros.  Outras pessoas estão fazendo pelas redes sociais.

 O Arquivos e Histórias F.C. resolveu 'abraçar esta pauta' e também recomenda 10 livros que farão seus dias enclausurados serem mais divertidos e produtivos. Todos, claro, são focados no esporte.

Embora, alguns sejam fundamentais em qualquer lista, o Blog, resolveu mencionar também alguns que são poucos  explorados, mas que possuem ótimas histórias. Recomendar o que não está nas principais listas.

Confira:

1- Futebol ao Sol e a Sombra:
Este é um clássico e jamais poderia faltar em qualquer lista. É necessário para qualquer amante do futebol.
Imagem: divulgação/Internet

O escritor uruguaio, Eduardo Galeano, conta a história do futebol, do mesmo modo que aborda temas como política, sociedade e amor: poucas palavras e muito conteúdo.

O futebol aqui é tratado através da política, da economia, do entretenimento e de como entretê diariamente várias e várias pessoas. O fator torcer e o quão importante este esporte se torna na vida de milhares de cidadãos.

Galeano ainda rememora os tempos que era garoto e como acompanhou o título do Uruguai de campeão do mundo em 1950!

2- Estrela Solitária- um brasileiro chamado Garrincha
Uma biografia completa, detalhada, precisa, muito bem relatada e agradável de ler. O jornalista Ruy Castro fez uma ótima pesquisa de um dos maiores craques do futebol brasileiro: Garrincha.
Imagem: divulgação/Internet

Castro começa relatando o período em que os futuros pais de Garrincha deixam o Nordeste, vão para o estado do Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida e o nascimento de todos os filhos, inclusive do mais famoso. Posteriormente, as histórias passam pelo distrito de Pau Grande/RJ, onde Garrincha passou a infância e a adolescência, a descoberta no futebol, os seus dribles únicos e desconcertantes, que fizeram fama no mundo todo, até a decadência e os problemas com o alcoolismo.

Um livro que nos leva a ter várias emoções em diversos momentos e faz conhecermos melhor um jogador que deu muitas alegrias aos brasileiros.

3- Futebol: o Brasil em campo
Este livro foi escrito pelo britânico Alex Bellos. O autor percorreu o nosso País de norte a sul, para entender o que nos levou a sermos tão poderosos e imponentes com a bola nos pés.
Imagem: divulgação/Internet


Há relatos bem interessantes, como a entrevista com Aldyr Garcia Schlee (1934/2018), escritor e professor universitário, que criou o novo modelo da camisa da Seleção Brasileira. Para quem não sabe, quando o Brasil perdeu a Copa para o Uruguai em 1950, a CBD aposentou a vestimenta branca e fez um concurso por todo o País pedindo sugestões de novos modelos. Quem ganhou o concurso foi Aldyr, até então jovem de 19 anos, que vivia no interior do Rio Grande do Sul.  O desenho dele é o usado até hoje pela Seleção Brasileira.

No entanto, o que deixou o livro famoso foi o relato feito sobre o Peladão: um torneio de várzea tradicional em Manaus/AM. Esse torneio obriga os times a terem uma Rainha e paralelo aos jogos, há o concurso de Rainhas. É tido por muitos como o maior torneio amador do Brasil. Bellos ficou famoso, pois foi o primeiro jornalista a mostrar o torneio para os brasileiros. Até então, nenhum veículo, havia feito uma reportagem sobre a competição (apenas as mídias locais cobriam cotidianamente). Como disseram à época: precisou um britânico mostrar aos brasileiros o que é o Peladão.


4- À Sombra de Gigantes
Em tempos em que os grandes clubes estão cada vez maiores e poderosos e os menores cada vez com menos espaço, o autor Leandro Vignoli foi procurar saber o que leva torcedores europeus a apoiarem equipes pequenas.

Imagem: divulgação/Internet


O foco sempre foi pequenas equipes em grandes capitais, como Belenenses (Lisboa), Rayo Vallecano (Madrid),  Espanyol (Barcelona), Union Berlim (Alemanha), Fulham (Londres) e por aí vai.

O jornalista viajou a todos esses países, assistiu jogos no estádio, conversou com os torcedores e entendeu o sentimento que esses times ainda causam em certas comunidades. Sentimentos que ultrapassam o futebol, como ideologias, política e história.

À Sombra de Gigantes é um livro com uma narrativa leve, divertida e faz com que não queiramos parar de ler!

5-Paixão: uma viagem pelo futebol inglês
Esta publicação se parece muito com a mencionada no item 4, mas focando apenas no futebol inglês. O jornalista Plácido Berci passou uma temporada na Terra da Rainha e aproveitou para conhecer melhor os rincões dos inventores do futebol.
Imagem: Leonardo Cantarelli


Há um capítulo abordando o Corinthian-Casuals, que deu origem ao Corinthians/SP, após uma excursão ao Brasil e hoje disputa campeonatos amadores.  Outro capítulo, fala sobre o FC Manchester, fundado em 2005, por torcedores do Manchester United, que não aceitaram a venda deste para o empresário estadunidense Malcolm Gazer e encaram aquela luta contra o chamado futebol moderno (muito dinheiro e pouca paixão).

Também há uma visita a Sheffield, cidade que já foi muito importante para o Reino Unido e que conta com o Sheffield F.C., o time mais antigo do mundo e que atualmente está disputando as divisões inferiores da Inglaterra.

Um livro agradável, cativante e que ensina muito sobre a cultura do futebol inglês. Tanto dos principais clubes, como dos periféricos.

6- Futebol no País da música

Um livro que aborda duas paixões do brasileiro : futebol e música. Ambos são grandes expoentes da cultura brasileira.

Beto Xavier mostra que os dois sempre estiveram lado a lado. O primeiro exemplo mencionado era o fato de Charles Miller, introdutor do futebol no Brasil, ter se casado com Antonieta Rudge, uma das grandes pianistas do País, entre o final do século XIX e começo do século XX.
Imagem: divulgação/Internet


Posteriormente ainda cita o polêmico relacionamento entre Garrincha e Elza Soares (bem explorado também na biografia escrita por Ruy Castro e mencionada nesta matéria), nos anos 60.

Casais à parte, o autor do livro, faz uma pesquisa mostrando o quanto os músicos sempre foram fãs do esporte praticado com a bola nos pés  e aos jogadores que sempre foram fãs de música.

A obra faz uma pesquisa extraordinária mostrando composições desde quando o futebol chegou ao Brasil, até os dias de hoje. Do chorinho ao heavy metal.

Também aborda, os atletas que, de alguma maneira, se arriscaram nos instrumentos musicais e a maioria não deu certo. O autor afirma que quem melhor fez as duas funções foi o ex-lateral da Seleção Brasileira e do Flamengo, Júnior.

7- Celeste Olímpica: a era do ouro da Seleção Uruguai
A primeira grande seleção das Américas, e quiçá, do Mundo, está detalhada neste livro de Rodrigo Koch. O gaúcho traz um apanhado desde quando o futebol chegou ao Uruguai e como se formaram as primeiras seleções até a chegada da grande potência dos anos 20 e 30, onde faturou 2 Olimpíadas (1924 e 28) e a primeira Copa do Mundo (1930).
Imagem: divulgação/Internet


O livro aborda também a rivalidade com a Argentina, os grandes duelos que aconteceram no início do século passado e o fortalecimento do futebol sul-americano, fazendo surgir a Copa América e a Conmebol.

Sobre o bicampeonato olímpico, ainda há enfase sobre o quão os europeus ficaram surpresos com o bom futebol apresentados pelo 'paisito'  e que existia boas equipes fora da Europa. Lembrando também, que naquele período, eram poucas delegações fora da Europa que participavam dos Jogos Olímpicos.

Ainda há pequenas biografias de alguns jogadores que se tornaram ídolos e em uma época amadora.Muitos tiveram uma vida comum (sem muito luxo e com trabalhos do cotidiano).

8- Yo estuve ahí
Começo falando que este livro não encontrei em língua portuguesa, ficando restrito apenas aos que falam espanhol.
Imagem: divulgação/Internet

Após um período de secas do futebol uruguaio, a Celeste Olímpica voltou a ser protagonista em uma Copa do Mundo ao chegar na semifinal da edição de 2010 realizada na África do Sul.

Neste livro, o jornalista Alejandro Figueredo traz os bastidores da formação dessa seleção, como foi a preparação os pré e pós-jogos, as emoções no momento contra Gana, onde Luíz Suaréz salva um gol, espalmando a bola e acaba sendo expulso. Na cobrança, Asamoah Gyan isola a pelota e os sul-americanos seguiram sonhando com o sonho da semifinal.

É abordado também o trabalho jornalista e as dificuldades encontradas em uma cobertura na África do Sul. Ainda há o fato cômico, em que após um dia de treinamento, colocaram no GPS do carro  a indicação para o hotel e acabaram parando em um bairro periférico.



9- '1997: o ano em que o Grêmio Sãocarlense conheceu a Europa. Memórias'
Abro uma licença, deixo a modéstia de lado e falarei do meu primeiro livro publicado. Já que escrevi, não poderia faltar na matéria.
Livro exposto na cafeteria Shot Café em São Carlos/SP
Imagem: Shot Café


O livro relata a excursão que o Grêmio Sãocarlense fez à Europa em 1997 e enfrentou times como Lazio, Fiorentina e Burnley. Antes de sua publicação (2019), a história era muito obscura e pouco explorada pelos meios de comunicação. A intenção aqui foi explorar o tema e 'preencher as lacunas': como foi a viagem, quem viajou, contra quem jogou e os resultados. Inclusive, consegui material com clubes italianos e ingleses, detalhando as partidas. Há entrevistas com dirigentes e jogadores do Grêmio Sãocarlense que na época foram ao Velho Mundo.

A publicação já está em sua 3ª impressão.

10- Biriba: contos e causos de uma lenda do esporte brasileiro e do tênis de mesa mundial
Esta é outra autoria minha e foi lançada em fevereiro de 2020. É o único livro que menciono aqui e não fala de futebol, mas de tênis de mesa (outra paixão minha).

Crédito: Vitor Bley de Moraes


A obra é um relato biográfico esportivo de Ubiraci Rodrigues da Costa, conhecido como Biriba. O primeiro craque do tênis de mesa brasileiro.

No livro, abordo as façanhas de Biriba, como aos 13 anos, quando derrotou dois japoneses campeões do mundo e já consagrados atletas. Pouco tempo depois, o paulistano da Vila Maria, venceu um chinês campeão do mundo e em Pequim!

Biriba acabou ganhando fama nacional e teve muitas homenagens de governadores e presidentes do Brasil!

Para falar dessas façanhas e outras, entrevistei mesa-tenistas contemporâneos de Biriba e consegui documentos e informações com a CBTM  (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa) e a ITTF (International Table Tennis Federation).

domingo, 1 de março de 2020

Livro sobre as façanhas de Biriba no tênis de mesa é lançado!

Ser o autor que escreveu o livro do Biriba é um fato que levarei com orgulho por toda a minha vida. Foi um prazer imenso escrever o livro. Entrevistar, pesquisar e ir atrás de documentos e fotos. Conhecer e aprender.

O lançamento do livro foi muito bom pela troca de experiência com o público. Pessoas do tênis de mesa que foram presitigia-lo. Pessoas que viajaram mais de 6 horas só para ir ao evento (sim, teve).
Biriba, Emiko, Leonardo Cantarelli e Betinho.Ídolos do tênis de mesa brasileiro e o escritor do livro. Créditos:arquivo pessoal/Leonardo Cantarelli

Também apareceram amigos de infância do Biriba, amigos dos tempos de faculdade e palmeirenses que ouviram falar do Biriba, através de familiares. Esteve presente no evento, senhores de idade que testemunharam, como espectadores, o histórico feito dele em 1958!
No stand do lançamento. Créditos: arquivo pessoal/Leonardo Cantarelli

Havia crianças por perto que queriam saber mais sobre ele. Queriam saber quanto custava o livro. Se os troféus estavam à venda (risos).
Houve aqueles, mais de um, que perguntaram se eu era filho do Biriba. Teve aqueles que queriam saber o motivo de eu escrever o livro e se eu era jogador de tênis de mesa.

Enfim, um dia divertido, com novas amizades e que levarei como recordação para o resto da vida.

Agradeço a todos que compareceram e também a Sociedade Esportiva Palmeiras por ceder a sua sede social.